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novembro 04, 2005

90%

Numa sala demasiado pequena e demasiado azul, Enrique Vila-Matas explicou que 90% do seu Paris Nunca se Acaba é «verdade» (essa duvidosa instância). Os restantes 10% teremos de os adivinhar, claro, mas esse jogo arrisca-se a ser desinteressante e nada profícuo. Não é por aí que se descobrem os prazeres subtis deste livro soberbo.
Numa apresentação menos brilhante que a de O Mal de Montano (há uns meses, na Casa Fernando Pessoa), ficou a pairar sobre a assistência, como na página 235, esse conselho «criminoso» oferecido por Raymond Queneau a Marguerite Duras e depois transmitido por ela, no seu francês superior, a Vila-Matas, então seu inquilino e autor principiante: «Escreva, não faça mais nada na vida».
Embora pareça um apelo à revolta (contra as convenções burguesas, por exemplo), é na realidade uma condenação.

Publicado por José Mário Silva às novembro 4, 2005 01:34 PM

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