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julho 29, 2005
O PICO DE HUBBERT: COMO SERÁ A VIDA DO OUTRO LADO?
Imaginem um mundo sem gasolina, sem combustíveis para alimentar os nossos preciosos carrinhos, sem plásticos baratos, sem outra fonte viável de electricidade que não seja o nuclear. Improvável? Não; este cenário apocalíptico está aí ao virar da esquina e foi antecipado, em primeiro lugar, por um geólogo da Shell: M. King Hubbert. Ainda nos anos 50, ele previu a assustadora proximidade dos EUA do momento em que as reservas de petróleo acessíveis ultrapassam o seu ponto médio. Analisando a história da industria petrolífera, King postulou que as disponibilidades das reservas de petróleo evoluem, ao longo dos anos, numa curva em forma de sino. E que estamos muito perto do cume dessa curva; a partir daqui, é sempre a descer.
Isto não implica que o petróleo acabe de um dia para o outro; apenas que devemos tomar em conta que o longo processo de extracção deste recurso finito começou com a exploração de poços superficiais e próximos dos locais de consumo, evoluindo depois para explorações no meio do oceano e em condições cada vez menos rentáveis. A partir do "Pico de Hubbert", ou "Peak Oil", já usámos a metade de todo o petróleo disponível no planeta. Daqui para a frente, será cada vez mais difícil e caro chupar o precioso ouro negro do solo. Quando atingirmos o ponto em que é necessária mais energia para extrair um barril de petróleo do que aquela que ele contém, acabou-se.
King acreditava que os EUA tinham atingido o seu "pico" na década de 70; tal só veio a ser confirmado muito depois. As estimativas para o mundo inteiro são bastante difíceis de fazer, pelo secretismo com que os países produtores envolvem as suas reservas e pela hostilidade que todo o sector energético reserva a semelhante tema. Mais: quase todos os países da OPEP têm o hábito notório de inflacionar as suas reservas, em busca de maiores quotas de produção. No entanto, a maioria dos estudos sérios conclui que ou já ultrapassámos o pico fatídico ou estamos a não mais de três anos desse ponto. Se tivermos em mente o aumento desmesurado da procura de petróleo por parte de economias em franco crescimento como a chinesa e a indiana, a receita para o desastre global fica pronta a servir.
E não julguem que se trata "apenas" de termos gasolina um pouco mais cara daqui em diante. É só olhar à nossa volta e recensear os objectos de plástico que já são indispensáveis ao nosso conforto. E que dizer da incrível ineficiência energética da nossa alimentação?
Se o tema vos parecer digno de algum alarme e muita atenção, podem começar por ler este artigo do "Guardian", passando depois para o "Energy Bulletin", sem esquecer a associação de geólogos preocupados com o desastre petrolífero iminente. Sei bem que não se trata de matéria virgem, tendo até sido até objecto de um workshop mundial em Maio passado, na nossa lisboeta Gulbenkian. Mas mais vale começar a pensar nisto tarde do que nunca.
PS: prefiro nem dar crédito aos que atribuem as invasões do Afeganistão e do Iraque a uma cuidadosa e metódica estratégia americana para enfrentar esta crise. Mas…
Publicado por Luis Rainha às julho 29, 2005 03:57 PM
Comentários
Há muito que se fala nisso, Luís, mas a malta continua a ir de popó para o trabalho todos os dias.
Já aqui o escrevi: enquanto vir carros a entrarem em Lisboa todos os dias, ninguém me convence de que a gasolina está cara.
A solução, meu caro, passa pelo transporte público e pelo uso de bicicletas. Eu comprei uma. Lembras-te do que então me disseste?
Publicado por: Filipe Moura em julho 29, 2005 04:06 PM
Por aqui (post: Procura-se Sócio):
http://web.archive.org/web/20040604032241/http://www.a-formiga-de-langton.blogspot.com/
... chego de novo a esta interessante leitura (os picos de diferentes paises e áreas do mundo podem ser comparados / segundo o documento o pico mundial é já para o ano, e o ciclo de dominância da OPEP irá surgir / os picos Americano e Europeu à muito que foram ultrapassados):
Publicado por: V. Ramos em julho 29, 2005 04:20 PM
Vejam no http://resistir.info .Já agora:novo aeroporto?Com o petróleo a subir desta maneira os preços das viagens de avião irão subir à estratosfera e,logo diminuirá o fluxo aéreo.Ninguém no mundo está a pensar em aeroportos a não ser aqui;obviamente para sacarem algum 'as usual'...
Publicado por: ezer em julho 29, 2005 04:41 PM
Filipe,
Não tem a ver apenas com popós: como se movem os transportes públicos em Lisboa? Correcto: a gasóleo ou a electricidade obtida a partir de centrais térmicas!
Achas tu que é por andarmos de bicicleta colina acima, colina abaixo, em Lisboa que vamos resolver um problema que já não tem solução, tal a sua magnitude?
Acorda: coisas que temos como asseguradas, como os plásticos e as proteínas (que até fazem a sua falta...), podem em breve passar à categria de artigos de luxo. E como serão então fundidas as peças para as bicicletas? Em fornos alimentados a pedal?
V. Ramos,
Belo post da formiga (como era habitual, aliás).
Publicado por: LR em julho 29, 2005 04:42 PM
Lembram-se do aeroporto de Macau,'milestone' dos chicos espertos do burgo?O que consta é que está às moscas.
Publicado por: ezer em julho 29, 2005 04:44 PM
A maneira como o assunto é abordado dá impressão que esta eventualidade parece ser a principal esperança dos anti-capitalistas, mas, infelizmente para esses, "os cães ladram e a caravana passa".
Curioso que se apoie num estudo dos anos 50, e que depois rejeite outros estudos como não sendo "sérios". E está tudo dito.
Publicado por: Salvador em julho 29, 2005 05:37 PM
Salvador,
Ninguém se apoia num estudo dos anos 50. Hubbert é citado apenas por ter sido o pioneiro. Um pouco menos de preguiça seguir links e já se tinha evitado um comentário ao lado.
Publicado por: LR em julho 29, 2005 06:23 PM
"PS: prefiro nem dar crédito aos que atribuem as invasões do Afeganistão e do Iraque a uma cuidadosa e metódica estratégia americana para enfrentar esta crise. Mas…"
Mas, o quê? Os americanos vão ficar com as últimas gotas de petróleo enquanto o resto do mundo mergulha na catástrofe energética, produtiva, económica, social e política? É esta a brilhante estratégia que está a ser planeada?
De facto, o ridículo não tem limites.
Publicado por: Valupi em julho 29, 2005 09:02 PM
Vou coibir-me de fazer quaisquer comentários ao desenvolvimento dos gastrocnémios do Filipe Moura, que nesta altura já devem fazer assomar lágrimas de gozo aos olhos das colegas do sexo oposto quando ele chega à politecnica de mahã cedo, todo suado, mas não posso deixar passar o resto. E o resto parece-me estar em desacordo com isto:
“Last Year (2003) Russia overtook Saudi Arabia as the world's biggest single oil producer, and is now set to completely dominate global oil production and sales for the next century. If the opening paragraph of this report started by claiming that completely unlimited crude oil reserves exist inside planet earth, readers might be tempted to regard the entire text as preposterous ghostwriting for a novelist like Frederick Forsyth. If the report then went on to claim that the Russians have exploited this stunning reality for nearly thirty years, right under the largely unwitting noses of western intelligence, readers could be excused for mistaking the author for a lunatic, or perhaps as a front for spy novelist John le Carré. The problem here is that UNLIMITED OIL RESERVES do exist inside planet earth, and the Russians long ago developed the advanced technology necessary to recover these unlimited oil reserves in an efficient and timely manner”.
O homem chama-se Joe Vials (chamava-se, morreu há duas semanas) e era considerado uma sumidade em informação alternativa. Há mais para quem for curioso e quizer dar ao dedo: “Joe Vials” Oil, - na nossa amiguinha google.
Publicado por: Bombatomica em julho 29, 2005 09:20 PM
O fim do petróleo não será, de todo, uma catástrofe. As energias alternativas como a eólica, geotérmica, das marés e outras menos convencionais como o hidrogénio, o metanol, a digestão biológica ou a osmose inversa, irão tomar o lugar das energias fosseís. Para além disso iremos ainda ver um muito provável aumento da eficiência energética e uma possível implantação de uma rede de energia em que cada utilizador poderá "criar" energia durante a noite (por exemplo) e fornecer essa energia à rede, assim dimuinuindo a sua factura. Este cenário também não é completa ficção, a Newsweek falou dele aqui há uns meses.
Quanto aos plásticos, esse é um problema que me aflige muitíssimo menos. Os plásticos que falas são as poliolefinas que, ainda que sejam dominantes no mercado de utilidades em termos mundiais, poderão ser susbtituídas com uma relativa facilidade por outros produtos,inclusivamente de origem biológica. Pessoalmente preferiria continuar a poder contar com as poliolefinas, são fáceis de utlizar e dão possibilidades não facilmente (actualmente) reproduziveís, mas enfim, há que segir em frente.
Quanto a haver reservas inesgotáveis, bom, boa piada caro Bombatomica.
Publicado por: João André em julho 30, 2005 02:20 PM
João André,
Espero que não te tenhas rido demais com a noção de “ilimitado”. São destas coisas, a uns faz rir e a outros nem por isso. Mas se achas que o homem exagerou, podes virar-te para um outro sujeito chamado Thomas Gold, por exemplo, que escreveu um livro interessante sobre estas coisas do petróleo, as suas origens e acumulação. Ele não exagera tanto, de facto, mas acha que os que andam a agitar o espantalho da crise de energia aumentaram a gravidade da situação aí umas cem vezes. Mas há mais gente a falar nisso e sempre houve, desde há muitos anos, inclusive em Academias de Ciências de mais do que um país. Agora pergunto-te: nunca te ocorreu que o chamado “Peak Oil” possa ser uma “arma” ou uma maneira para angariar apoiantes nas sociedades ditasa industriais para uma politica de guerra como a que presenciamos no Iraque e outras ainda piores no futuro?
Mas isso é apenas política du jour.. A verdadeira intriga já é velha e começa com a senhora Ciência dos hidrocarbonetos que ainda não teve coragem (porque controlada pela indústria) para nos esclarecer sobre a verdadeira origem desse produto controlado por uma dúzia de grandes companhias internacionais. Afinal, donde é que é que vem essa substância pràticamente indispensável em quase toda a actividade económica dum país? De dinossauros e algumas árvores, dizem-nos eles. Mas, sendo assim, como é que se explica extrair-se petróleo a profundidades de 40 mil pés, como fazem na Rússia? Será que é lógico esperar restos liquefeitos desses animais a essa profundidade? Ou haverá petróleo de dois tipos, isto é, um de origem orgânica e outro não se sabe de quê? Não, parece, porque a composição química essencial do petróleo não se altera com a profundidade a que é encontrado. Então o que é que se anda por aí a tramar com estas histórias de falta de petróleo garantida a curto prazo e que vamos todos morrer ou ter de andar de bicicleta como o nosso correspondente em Paris? Alarmismo, com uma fisgada. Só pode ser. Alem disso informa-te sobre a existência de poços por todo o lado que um dia estão a render 4.000 barris e ameaçarem ficar secos e seis meses depois, como que por milagre da Santa Joana, a vomitarem um novo “peak” de 15.000. Não te partas a rir, porque isto não é para graças, João André. Olha que esses professores podem muito bem andar a fazer-te um ninho atrás da orelha.
Publicado por: Bombatomica em julho 30, 2005 09:53 PM
Bombatomica:
qualquer noção de ilimitada é por si de rir. Talvez não de rir, mas é incomportável. Não há nada de ilimitado e muito pouco, mesmo muito pouco, em quantidades que possas considerar virtualmente ilimitadas. O petróleo não é excepção, antes será um exemplo muito forte, uma vez que existe num planeta que até é relativamente pequeno.
Quanto a haver livros, isso de nada me diz. Também os há de autores a dizerem o oposto e inclusivamente a afirmarem que as reservas poderão acabar daqui a uns 5 a 10 anos. Não cito nomes porque não os conheço, tenho mais que fazer que andar à procura deles. Sei no entanto reconhecer o ridículo quando o leio (e ainda que não saiba os nomes não quer dizer que não tenha visto referências a eles, apenas não os decorei nem fui procurar os livros). As fontes podem ser muita coisa, mas dizer que existem não serve de muito a não ser que seja em artigos cietíficos com peer-review.
Quanto ao facto de o petróleo ser encontrado a profundidades que te fazem confusão, bom, quanto a isso não posso fazer nada. Se calhar também te faz confusão que aquilo de que és feito, TUDO aquilo de que és feito, ter vindo de estrelas. E daí talvez nao, mas há factos a surgirem na ciência permanentemente que surpreendem até serem explicados. Claro que é impossível que as explicações surjam a toda a gente ou até que, surgindo, sejam compreendidas por todos os que as ouvem/lêm. Uma ajuda neste caso, no entano. Primeiro ponto, o petróleo não foi encontrado sempre a essas profundidades. O Luís Rainha refere e bem que inicialmente eram encontrados a profundidades superficiais. Agora estão profundos. Se quiseres respostas procura-as na geologia, que poderá explicar como certos materiais se foram afundando na crosta terrestre. Não esquecer ainda as areias de petróleo, que se um dia se tornarem verdadeiramente rentáveis poderão tornar o Canadá no maior produtor mundial. E estas estão bem à superfície.
A possibilidade de formação de hidrocarbonetos por via não orgânica é assim para o reduzida, talvez de 0,000000001% ou assim. A maior parte dos cientistas talvez me chamasse um optimista incorrigível com estas hipóteses, mas eu não me fecho a novas descobertas. A verdade no entanto é que os hidrocarbontos necessitam de organismos para serem sintetizados, pelo menos para as suas formas mais complexas. Se alguém descobrir uma forma alternativa poderá receber um prémio Nobel sem dificuldade.
De resto, o melhor, antes de entrares em teorias da conspiração, aqui ou ali em baixo (noutro post), será compreenderes aquilo que é apontado como sendo resultado da conspiração e também encontrar motivos para a conspiração. Não é que te estejam a fazer o ninho atrás da orelha, mas pode ser mesmo na cabeça por pessoas que nada têm nas delas.
Publicado por: João André em julho 30, 2005 11:08 PM
João André,
Reparo com muitíssima tristeza que ainda não te livraste das badalhocas anti “teoria da conspiração” que fazes questão em exibir de ora em quando e com muita naturalidade neste blogue. Espero que não seja problema de falta de água.
E, pois claro, tinhas de voltar à questão da “inesgotabilidade” do produto, mesmo sabendo que não finquei o pé nessa área, dado que tive todo o cuidado de te dizer que o homem provavelmente estaria a “exagerar”. Sermos humanos e descomplicados neste aspecto das definições exactíssimas é estarmos preparados para aceitar que qualquer discurso, mesmo sobre temas científicos, arrasta a utilização de forças de expressão. Dizermos que uma batata é um trambolho de açucar não equivale a dizer que uma batata é cem por cento açucar. O que ele sem dúvida defendeu nesse escrito é que o petróleo está longe de poder ser comparado a ouro, prata e outras loiças não renováveis. A sua tese, e de muitos outros, é a de que, ao contrário daquilo que temos sido ensinados desde os tempos da carochinha por gerações e gerações de eminentes geólogos que conservas perto desse peito muito bem ensinado, o nosso planeta nunca dependeu de cadáveres de dinossauros para produzir petróleo. O petróleo é, antes, vamos lá, “suor” produzido sob altas pressões pelas entranhas do nosso planeta mais as modificações a que é sujeito quando naturalmente se aproxima da superfície e entra em contacto com substâncias orgânicas. E, como tu sabes (mais uma imagem anti-científica para te chatear) suar é um dos mecanismos para aliviar problemas internos dum corpo com vida. Daí que esse “suor”, de valor económico e politico muito refináveis, nunca pare de ser produzido pela barriguinha deste planeta cheio de vida. Quem aceitar esta teoria merecedora de consideração não terá problemas com o rebater da “incomportabilidade” anti-científica que te incomoda tanto.
Ok, haver livros não te diz nada. Exactamente como eu. O problema é que há muito mais carradas de livros a defenderam as ideias que aqui expões de corrida! E daí a muito maior probabilidade de sermos influenciados por eles. Estranhíssimo seria não ver as Essos e as BPs e as Shells a empregarem uns patacos razoáveis no aluguel de especialistas anunciadores do fim do mundo, a bem da política e da intriga. E és, como eu já esperava, um bom reconhecedor do ridículo. Gostas de ler coisinhas, mas “peer reviewed”, nada de ilegalidades ou de dar ouvidos aos profetas do optimismo que te querem perverter a alma e os sentidos. Como se os grandes cientistas do passado nunca tivessem enfrentado resistência ou oposição por parte das autoridades científicas dos seus tempos!.
Se nem sequer sabes dizer-me de onde é que o petróleo vem, que pilhéria tem vires com essa certeza que aquilo de que somos feitos e compõe o resto à nossa volta veio das estrelas? Too much Star Trek viewing? Porquê esse salto para as estrelas quando neste planeta ainda estão por catalogar milhares de espécies do reino animal e vegetal? Carroça à frente dos bois? Deixa essa área para outra altura, por favor. Agora estamos a refinar petróleo.
E as coisas tinham que se afundar na crosta terrestre, não tinham? E afundaram-se dessa maneira porque não havia outra para salvar, muito convenientemente, não apenas geólogos mas também palentologistas que não sabiam o que é que haviam de fazer a tantas incongruências que escarrapacharam ao longo dos anos nos cartapaços universitários. Essa das areias do Canadá talvez seja verdade, mas cheira-me ao tipo de notícia para impressionar leitores do Correio da Manhã num dia de chuva.
Com esse “optimismo” de um num bilhão, vê-se logo a que tipo de “novas descobertas” te encontras aberto. Um “open mind” fechado a cadeado. O Karl Marx acreditava mais numa solução capitalista para resolver os problemas da humanidade que tu acreditas na possibilidade do petróleo não ser de origem orgânica. Louvada seja a tua noção de progresso científico.
Só vejo pés no teu teu último parágrafo. Cabeça, tá queto. Não sei se é do português ou do nervosismo que te causa a necessidade que tens de pôr isto tudo em termos de teorias da conspiração. Ainda assim, gostaria de saber como é que conclues que pessoas sem nada nas cabeças delas sejam capazes de encher a minha de argumentos falsos. Cá está, figura de retórica. Para a próxima procura ser mais claro nos remates. Copia do Rainha e do Palinhos. Mas não sobre isto, por favor.Tenho a cabeça a rebentar com essas tais teorias.....
Publicado por: Bombatomica em julho 31, 2005 12:06 PM
Ezer, já que falas em aeroportos, deixa-me acrescentar: um dos grandes desperdícios de petróleo hoje em dia ocorre quando os aviões passam por vezes meia hora à espera para aterrarem nos aeroportos mais congestionados.
Luís, eu não disse que não era necessário o petróleo, bem pelo contrário! Para as actividades que referiste o petróleo é indispensável; para o que eu referi, é um autêntico esbanjamento, e isso deve ser combatido pelos governos. As preocupações ecológicas de quem vai desnecessariamente de carro para todo o lado - não digo que sejas tu, nem ninguém em concreto - parecem-me a caridadezinha do Bagão Félix ou da Maria José Nogueira Pinto.
Publicado por: Filipe Moura em julho 31, 2005 08:09 PM
É uma temática interessante, esta. Em tempos estive envolvido numa investigação académica sobre o Hubbert's peak (nada de breakthrough, apenas estudar o que existia), e há dois comentários que gostaria de fazer:
1. A questão de termos passado ou não o pico é um bocadinho como a previsão do fim do mundo pelas testemunhas de Jeová (não me caiam já em cima com acusações de intolerância religiosa - é um facto documentado que estas previsões existiram e falharam), ou seja, já por meia dúzia de vezes desde a década de 50 que se fez finca-pé sobre termos ultrapassado o pico. E depois, acaba por se concluir que afinal não, porque o modelo de Hubbert não incorpora a variável tecnológica (que pode tornar uma reserva irrentável numa rentável).
2. O modelo de Hubbert não dá informação nenhuma sobre qual será a evolução esperada dos preços. Tendo em conta a capacidade de antecipação dos mercados, o que é esperado é que os preços comecem a subir antes de se chegar ao pico, e não de forma repentina, e que por isso a transição para outras fontes seja gradual. O grande problema é que este não é um mercado concorrencial, por isso nunca se vai perceber se o aumento de preço se deve à escassez, ou ao simples facto de haver um oligopólio em que a OPEP limita a produção para fazer subir o preço. A incerteza é demasiado grande para prever seja o que for - nomeadamente para prever subidas súbitas de preços.
Pessoalmente, creio que acontecerá com o petróleo o que aconteceu com o carvão pela Revolução Industrial: descobriu-se outra fonte mais rentável , mudou-se gradualmente para a nova, e a antiga nunca se esgotou, nem houve picos de preços gigantescos a provocar catástrofes económicas.
Uma nota ao comentador que disse que "enquanto vir carros a entrarem em Lisboa todos os dias, ninguém me convence de que a gasolina está cara": nem toda a gente trabalha das 9 as 17, que é quando há transportes públicos frequentes (experimente fazer uma viagem do Marques de Pombal até à Moita a partir das 19 e veja as horas que leva). E nem toda a gente pode faltar ao trabalho 3 vezes por mês porque houve um plenário, ou uma greve, ou uma manifestação dos trabalhadores dos transportes, que na maior parte das vezes nem é anunciada com antecedência. Por isso, às vezes não é comodismo, e nem sequer é uma opção.
Publicado por: Jorge Cruz em agosto 1, 2005 07:05 PM
Não sei nada do assunto para além do óbvio: as reservas são finitas, a sofreguidão de consumo aumenta permanentemente, logo o cume do dito sino há-de chegar (já terá chegado?) e depois é só escorregar. Mas lembram-se de nos anos 70 se diagnosticar o fim das reservas, económicamente viáveis, para os primeiros anos do milénio?
Publicado por: Tito em agosto 1, 2005 07:59 PM
Não sei nada do assunto para além do óbvio: as reservas são finitas, a sofreguidão de consumo aumenta permanentemente, logo o cume do dito sino há-de chegar (já terá chegado?) e depois é só escorregar. Mas lembram-se de nos anos 70 se diagnosticar o fim das reservas, económicamente viáveis, para os primeiros anos do milénio?
Publicado por: Tito em agosto 1, 2005 08:07 PM