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julho 07, 2005

O EXEMPLO DE LONDRES

Num momento extraordinariamente difícil como este, é de louvar a forma como os londrinos estão a enfrentar a tragédia. Nada de pânicos desnecessários, nada de histeria, nada de caos na rua (excepto o provocado pelas explosões). As autoridades actuam com rapidez e eficácia, as pessoas reagem com a serenidade possível (impressionantes as imagens das carruagens do metro logo após o atentado, com os passageiros a manterem o sangue frio) e mesmo os jornalistas estão a milhas do tom apocalíptico típico de uma certa escola portuguesa. Basta sintonizar a Sky News ou a BBC para perceber a diferença.
Uma das palavras mais repetidas ao longo do dia foi resilience. Ou seja: a aptidão para reagir à adversidade. E, se pensarmos bem, aos londrinos nunca faltou resilience. Basta lembrar o grande incêndio de 1666 ou os bombardeamentos da aviação alemã durante a II Guerra Mundial. Então, como agora, os londrinos mostraram coragem, abnegação e uma enorme dignidade. Hoje, como ontem (quando venceram no photo finish a corrida à organização das Olímpiadas), eles revelaram-se um exemplo para o resto do mundo.

Publicado por José Mário Silva às julho 7, 2005 05:32 PM

Comentários

E' bom ver que ha' alguma esquerda sensata... parabens pelo texto. Vem no seguimento do que eu ja escrevera e vou linka-lo de qq modo.

Publicado por: T.M. em julho 7, 2005 06:05 PM

Não convém esquecer que os londrinos nunca perderam a psicose dos atentados bombistas. Depois de décadas a recear bombas do IRA, com avisos contra pacotes suspeitos espalhados pelo metro, a surpresa tende a ser menor..

Publicado por: LR em julho 7, 2005 06:18 PM


É arrepiante ver na TV lugares por onde passo tantas vezes, cenas tão familiares mas distorcidas por este crime horrendo.

Só digo uma coisa, os terroristas escolheram mal os alvos, é que os londrinos não se de "se ficar"!!!

Publicado por: JB em julho 7, 2005 06:38 PM

Verdade, há uma tradição britânica de coragem face à adversidade que é exemplar e ancestral.

Também não deixa de ser impressionante o falhanço dos sistemas de segurança. Tendemos a fantasiar os poderes dos Estados e suas polícias para nos controlarem, mas a permanência de estruturas terroristas organizadas e etnicamente identificáveis no seio de sociedades que as combatem mostra como a liberdade é uma realidade. Essa liberdade que displicentemente, vezes sem conta, já não nos apaixona ou sequer queremos aceitar, talvez por não sabermos o que fazer com ela para além servir a pulsão consumista, seja dos bens funcionais ou culturais.

Estes loucos assassinos, quer o saibam quer não, quer a sua matança seja ataque intencional contra a essência do Ocidente ou consequência do delírio político-religioso, estão a atacar a liberdade. De maneira que é assim: estamos numa guerra de vida ou morte pela nossa liberdade. Outra vez.

E o pior está para vir. E virá.

Publicado por: Valupi em julho 7, 2005 06:57 PM


Em contraste com a seriedade do jornalismo britânico, bastava sintonizar a RTP e ver o belicista Loureiro dos Santos a prenunciar que vem aí a guerra mundial, com os islâmicos a invadir e matar tudo. Tom igualmente catastrofista nos comentários do SIC Notícias (vem aí o fim do mundo). Espreitando os canais britânicos, era ver a Polícia, os comentadores, os transeuntes a exaltar o carácter multi-étnico da cidade, e a afirmar que este ataque era um ataque a todos eles, sem ver a cor ou a origem, ou religião.

Publicado por: Pedro Jorge em julho 7, 2005 07:08 PM

"Etnicamente identificáveis"? Todos os caramelos assim p'ró escurito terão de ser alvo de algumas restrições?
Isso do ataque à liberdade pouco significa fora da esquadria do discurso para a multidão. Eles estão-se mais ou menos nas tintas para as nossas liberdades (desde que não profanemos o seu livreco santo, é certo); têm mais muito mais perto da vista a sua própria liberdade. A liberdade de impor a sharia à custa da liberdade alheia, claro está.

Publicado por: LR em julho 7, 2005 07:09 PM

Notável também como deram uma conferência de impresna com todos os chefes dos serviços envolvidos neste momento, esclareceram o que havia para esclarecer e avisaram logo que nova conferência de imprensa só amanhã. Neste momento há coisas mais importantes para fazer.

Também interessante foi um jornalista da BBC, que entrevistava um médico responsável pelas evacuações para um dos hospitais que terminou a entrevista ele próprio porque viu um helicóptero a chegar e não queria impedir o médico de trabalhar.

Valupi, o pior não está para chegar, o pior já aqui está. Não é pelo número de mortes num atentado (ou conjunto de atentados) que se vê o que é pior. O pior factor do terrorismo é este continuar de atentados, pequenos ou grandes e esta certeza que eles continuarão. Contra isto apenas uma coisa: aguentar, manter-nos vigilantes e continuarmos como estamos/somos.

Publicado por: João André em julho 7, 2005 07:11 PM

"os terroristas escolheram mal os alvos, é que os londrinos não se de "se ficar"
será que,,,
este é um pretexto para que se siga o Irão??

Publicado por: xatoo em julho 7, 2005 10:42 PM

Brigada do reumático Bigornas vai dar banho ao cão (tadinho do bicho!) e não venhas conspurcar este sítio. Guarda o teu fel para os prostíbulos dos nazis de onde foste parido - a tua mãe não tem culpa de não haver direito ao aborto neste país. Ou julgas que esquecemos Bolonha? Informa-te, rapazola!

Desculpem o interregno, mas com tantos emigrantes a trabalhar ser obrigado a aturar uma carraça destas...

Já aqui foi referida a forma calma como o povo de Londres se defendeu dos actos hediondos dos fascistas islâmicos - se os há católicos, porque não islãmicos e, já agora, judeus?
A forma como a comunicação social encarou a situação também foi digna, apesar de haver em Inglaterra jornais equivalentes ao que de pior se faz por aqui. Vamos ver se conseguem aguentar, se o desejo de "sangue" por parte dos media não prevalece e a histeria racista não vem ao de cima - as ilhas britânicas também têm por lá uns mentecaptos do género de alguns que por aqui têm "poiado".
De qualquer forma, hoje somos todos londrinos.

Publicado por: CausaPerdidas em julho 7, 2005 10:46 PM

E por que é que tu, Valupinho, e tu, João André, têm tanto a certeza que o pior está para vir ou que já cá está? Terão vocês algum interesse especial em incutir ideias dessas nas cabecinhas das pessoas? Não será lógico pensar que são os terroristas os únicos que estão habilitados e capacitados a vaticinar isso, pois são eles que possuem a determinação de que vocês os acusam, com muita razão, diga-se de passagem, mas que as vossas cabeças não se confundam com esta solidariedade? Que raio, se os planos são deles porque é que precisam de anunciantes como vocês? Aqui anda marosca política, anda, anda. Não será estranho ou até suspeito que Chefes de Polícia e de Governos não tenham dúvida nenhuma que mais cedo ou mais tarde a capital dum país qualquer vai ser alvo de actos de terrorismo? Tem piada que até me lembro de ter lido algures que a polícia do Louis XVI já ha muito tempo que andava à espera da revolução maçónica. E idem para o último imperador russo, que não ligou aos conselhos dos kulaks de que terroristas andavam a tramar um reviralho. Ou será que nós, observadores cegos, à distância e formando opiniões com a ajuda de imprensas rascas de jornalistas cagados, sabemos tão bem como os terroristas o que é que vai acontecer no futuro? Quem sabe.. Se calhar somos coniventes ou então pertencemos todos ao ao Al Caída (gozo). Grow up, boys! Todos sabemos, se não formos completamente estúpidos, que a resistência Iraquiana nunca iria levar a efeito uma chacina destas contra a população duma cidade que se pronunciou, como muitas outras, abertamente contra o envio de tropas para o Iraque.Essa malta é árabe mas não é saloia. O Al Caída existe? Existe, sim senhor: na cona! Tomara vocês estarem recostados como o Bin Laden a lerem a Newseek ou a Time com o Martini pecaminoso a reflectir-se na água de Evian que enche a piscina do seu palacete em Neverland.

Ademais todos sabemos, ou devíamos saber se não lêssemos o BdE por vício, e o Zé Maria de vez em quando, que nunca ninguém explicou bem explicadinho o envolvimento das forças de segurança espanholas no atentado de Espanha de há um ano, isto é 911 dias depois do nefário crime do Trade Centre. Uma coisa é certa: antes do Natal os ingleses vão ter bilhete de identidade. Antes eram 85 contra e 15 a favor. Amanhã é ao contrário. You bet. Mas gostei da "pulsão consumista", Valupi. Mantem-te vigilante, João André. Um dia acordas e deparas com o espectro do Silva Pais aos pés da cama!

Publicado por: Bombatómica em julho 7, 2005 10:48 PM

Caro Bombatomica, eu sei que não deveria entrar nisto contigo, mas só duas perguntas:

1. compreendes sequer aquilo que disseste?
2. se é que compreendes, será que acreditas?

É que tudo me parece tão surreal que acho que o teu post poderia entrar naquela série de posts sobre o surrealismo que o BdE publicou aqui há uns meses...

Publicado por: João André em julho 7, 2005 11:26 PM

"Já aqui foi referida a forma calma como o povo de Londres se defendeu dos actos hediondos dos fascistas islâmicos" in comentário de causasperdidas. Ó causas esses fascistas islâmicas sabem pilotar aviões? Põem bombas no Iraque?...e em Israel?
Já agora a malta da ETA e do IRA, também, são fascistas?

Publicado por: maria da fonte em julho 8, 2005 12:24 AM

"Já agora a malta da ETA e do IRA, também, são fascistas?"

Sim, são fascistas. Revolucionários, populistas e elitistas, como os fascistas. Compreenderá, Maria da Fonte?

Publicado por: mário da fonte em julho 8, 2005 12:49 AM

...eu compreendo. Será que todos podem dizer o mesmo?

Publicado por: maria da fonte em julho 8, 2005 12:55 AM

cuidado bombatómica, lá porque os gajos te vão obrigar a usar o tal bilhete não te passes tão depressa para o lado dos inimigos da liberdade, dos-comunas-cumplices-do-saddam-hussein.
eis como basta entalar um gajo para que ele passe do oito aos oitenta...
uma coisa parece patente: horrorizamo-nos com as cenas que se passam em lugares que nos são familiares, mas somos indiferentes (alguns até o acham positivo para a defesa da NOSSA liberdade) aos resultados dos "nossos" bombardeamentos.
os mesmos meios de comunicação apelam para a emotividade mais histérica no caso de uma vítima europeia mas exibem as vítimas dos bombardeamentos "aliados" (exibiam, até a guerra do iraque se ter tornado num "affair" vagamente privado apenas relatado de longe por meia dúzia de jornalistas independentes com tendências suicidas como bem queria o "sage" rumsfeld) como curiosidade de jardim zoológico.
Tamanha duplicidade enoja um bom bocado.

Publicado por: tchernignobyl em julho 8, 2005 01:39 AM

quanto ao Riapa, não te preocupes demasiado causasperdidas. é um ser solitário e incompreendido que em tempos teve a veleidade de sabotar as caixas de comentários deste blog.
Agora que foi posto na linha, demonstra o seu apreço militante por este cantinho vindo aqui todos os dias impreterivelmente três vezes ao dia com a regularidade de um funcionário contribuir para a nossa contagem de comentários.
uma alma santa a quem um dia teremos de fazer justiça.

Publicado por: tchernignobyl em julho 8, 2005 01:44 AM

Obrigado. Já se apercebeu de uma coisa fundamental, que apesar de ser tão óbvia, eu ainda não tinha reparado (como seria em Portugal?):

"As autoridades actuam com rapidez e eficácia, as pessoas reagem com a serenidade possível (impressionantes as imagens das carruagens do metro logo após o atentado, com os passageiros a manterem o sangue frio) e mesmo os jornalistas estão a milhas do tom apocalíptico típico de uma certa escola portuguesa."

Publicado por: caznocrat em julho 8, 2005 04:56 AM

Não foi nada disso que eu quis dizer, Xatoo. Quando eu dizia "não são de se ficar", queria dizer que não se deixam atemorizar, amedrontar, que Londres vai continuar o mesmo lugar vibrante de sempre, hoje a cidade quase que voltou ao normal.

Já se esqueceu que a maior manifestação anti-guerra foi exactamente aqui em Londres? Não me parece que essas mesmas pessoas tenham mudado de opinião por causa do que aconteceu ontem e que vão apoiar uma aventura no Irão que toda a gente sabe nada tem a haver com esta estória.

Quanto aquele comentário do "etnicamente identificável", enfim nem merece comentário...Caro Valupi, sabia que Edgware Road onde ocorreu um dos ataques é um dos centros da comunidade árabe de Londres, será que os alvos também eram "etnicamente identificáveis"?

Publicado por: JB em julho 8, 2005 09:38 AM

Prá maria e pró mário da fonte.

Se quereis saber se dou cobertura aos atentados bombistas nos autocarros em Israel,não, repugnam-me e enojam-me os dirigentes religiosos/políticos que imolam a sua juventude em actos obscenos contra cidadãos israelitas (quanto mais não seja porque não há autocarros em Israel que digam "aqui só viajam fascistas judeus que negam o direito de existência aos palestinianos" - é assim como quem diz "não há "bombas inteligentes"), mas não confundo este tipo de atentados com o direito do povo palestiniano à sua pátria e também sei que os "mártires" não são resultado exclusivo da cartilha dos imâs.

Se quereis saber se apoio a ideia de um Estado Basco, respondo que sim, se isso quer dizer que admito que se abata na rua um pai à frente do filho, que se assassine um jornalista apenas porque escreve contra os nacionalistas, respondo que não - isso é coisa de fascistas.
Se estais curiosos quanto ao meu apoio a uma Irlanda unidada e soberana respondo que sim, apesar das bombas do IRA.

Entendo que os povos têm direito à sua autodeterminação, e a lutar armados por ela quando lhes é negada qualquer possibilidade de o fazer por meios pacíficos, já agora.

Tenho para mim que os Meios utilizados dizem muito da verdade dos Fins, já por aqui o escrevi, e à barbárie não se deve responder com a barbárie.

Mas não sou palestiniano, basco, irlandês ou iraquiano; vivo, tal como vocês, nesta ponta pacífica da Europa e, suponho que como vocês, nunca vi a minha família maltratada ou morta pela polícia ou o meu país ser bombardeado.

PS: Na parte final do texto esqueci-me de propósito dos Pides e de algumas contas que a minha família tem por ajustar.

Percebem?

Publicado por: CausasPerdidas em julho 8, 2005 09:48 AM

Estamos acostumbrados a ver las imágenes del horror en la capital iraquí. Para la mayor parte de los londinenses y británicos, tales imágenes no son más que una llamada remota de un país extranjero. De alguna manera, casi todos se han olvidado de que el responsable del horror inacabable en Irak es nuestro propio gobierno.

Las imágenes del horror hoy vienen de Londres: Bagdad y Londres parecen compartir un destino muy similar.

Sentado ante la pantalla, veo BBC 24 y me entero de que la policía londinense y los servicios de urgencias funcionan de acuerdo con un plan. Está claro que esperaban el ataque. Un gobierno implicado en cualquier actividad criminal colonialista debe preparar a sus votantes para las consecuencias de su política. Hace un minuto escuché a Tony Blair decirle a la nación que «nuestra» determinación de defender «nuestros valores» de vida es mayor que «su» determinación de causar muerte y destrucción. Me pregunto a qué se estará refiriendo. Seguramente el robo continuado del petróleo árabe es un valor importante para Blair, pero no para mí. Tony Blair, un hombre que inició una guerra sin el apoyo de Naciones Unidas, un hombre cuyas manos están manchadas de sangre, quiere que creamos que realmente le preocupa la pobreza africana y el cambio climático.

Nos guste o no, debemos admitir que el Terror es un mensaje y más nos valdrá aprender a escucharlo con atención:

En primer lugar, nos dice que somos tan vulnerables como cualquiera.

En segundo, nos dice que deberíamos dejar que los demás vivan de acuerdo con sus valores y sus creencias.

En tercero, nos dice que nunca más deberíamos darle nuestros votos a criminales de guerra.

Pero, más que nada, nos dice que tenemos una obligación moral. Debemos detener a nuestros gobiernos. Es nuestro deber levantarnos y exigir la dimisión de Blair, que es el responsable de la muerte de tantos iraquíes y, posiblemente, ahora de muchos británicos inocentes. Debemos recordar que el hecho de votar a un político carente de ética nos convierte a todos en cómplices de una empresa criminal.

Sabemos ya que, tanto en Estados Unidos como en Israel, las consecuencias del terror hicieron que la mayoría apoyase con entusiasmo a la derecha. Tengo la esperanza de que el pueblo británico imite la reacción del pueblo español. Los belicistas y los agresores deben ser expulsados de nuestro clima político. Sólo entonces prevalecerá la paz.


Publicado por: Rebelión em julho 8, 2005 10:02 AM

João André,

Quase me sinto inclinado a agradecer-te o epíteto de surrealista. Porque, num certo sentido, tens razão, a verdade é tão estranha que a tentativa de descrevê-la às apalpadelas num trabalho bem intencionado de procura compromete-nos as reputações de tal forma que até mesmo um badameco (não me estou a referir a ti nem a ninguém em particular) que nasceu ontem para a política se sente com força para nos catalogar de irracionais ou sonhadores, às vezes com uns salpicos de adjectivos ainda mais deslavados ou mal cheirosos. Uma situação extremamente fodida, na falta de melhor termo. Mas pelo menos resta-me a satisfação de não me comportar como soldado regular das forças de bate-papo repetitivo às ordens da rainha inanidade. Só quero lembrar-te que o post que provocou este chorrilho de opiniões não fica nada a dever em decoro e conformismo noticioso a um comunicado duma agência estatal. Alguem tinha que temperar a conversa com um pouco de “surrealismo”. Mas francamente acho que deverias abdicar desse termo chato quando falas comigo. Baralhas-me e quase me desarmas quando introduzes na discussão um elemento que estou acostumado a ver mais naqueles que gosto de contrariar.

Tchernygnobil,

Não receies que me passe para o campo dos inimigos da Liberdade. Sei olhar por esta bela e imaculada consciência. Tu é que andas a correr esse risco a toda a hora, usand palavras e emoções que revelam amiude um apreciável desconhecimento das grandes questões politicas e filosóficas do momento. Vejo em ti uma alma branca tingida dum vermelho liberal muito palrador que elegeste teu porta-voz. Quero dizer com isto que és, essencialmente, uma excelente pessoa e por coincidência o meu favorito aí no cabeçalho. Mas não facilites, não embales a crença de que sou anti-comunista para poderes provar em duas palavras aquilo que não sou. Na minha estranha opinião, Comunismo, a exemplo de todas as ideiazinhas que andam por aí às voltas para convencer politicamente os pobres e remediados deste mundo, é apenas uma ferramenta que tem feito correr muita tinta e menos sangue. Já fui nessa cantiga muito traulitada por milhões de inocentes que são ensinados a dividir o mundo em duas partes opostas. Deixei-me disso. Mesmo assim considero que continuo a dar mais apreço à pura Liberdade não manipulável que todos eles juntos com a ajuda dos capitalistas - e não precisei de vestir outras fardamentas políticas para atingir esse estado de alma independente. Mas saíu-me caro. Tive de passar de cavalo para burro. Tem esse perigo em mente se pensares em mudar de ideias como eu.

Publicado por: Bombatómica em julho 8, 2005 10:22 AM

LR, confundes o conceito de etnia com o de raça, por isso borras o discurso na pigmentação.
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João André, o pior ainda não chegou. Porque o Ocidente tem conservado a racionalidade. Por exemplo, depois do 11/9, e dos seguintes atentados, não se deu um único acto de perseguição popular contra inocentes árabes ou muçulmanos. Os povos ocidentais têm respondido com uma maturidade que nos dignifica, mesmo que sujeitos a pressões subconscientes que fazem sentir a sua presença num discurso defensivo, reclusivo e exclusivo. Sim, a morte de inocentes árabes e muçulmanos às mãos da turbamulta ocidental seria um mal ainda maior do que aquele já causado pelos loucos assassinos. E explicar porquê corre o risco de ofender as vossas inteligências.

Mas o pior vai chegar, diz-nos a História (e aconselho a leitura de Tucídides, para um diagnóstico da eterna natureza humana). Quando os Talibãs destruíram as estátuas gigantes do Buda de Bamiyan apresentaram o seu arcaico programa: extinção radical e absoluta do diferente, do "outro". Essa lógica tem sido continuada e vai continuar. Uma nação, um povo, pode suportar uma catástrofe em que morrem 3000 pessoas. Já não irá manter a racionalidade quando morrerem 30.000 ou 300.000. Tal como não a irá manter quando um dos seus símbolos fundadores da identidade for destruído. E o programa mantido pelas cúpulas megalómanas que organizam os atentados não se sacia com menos. A sua patologia pode ser suicida, mas está provida com uma sofisticação simbólica que casa na perfeição com o instantâneo da globalização mediática.

Há até algo de lúdico na estratégia do terror, um diálogo íntimo como aquele que alguns psicopatas estabelecem com as autoridades que os perseguem. O propósito dos atentados em Londres não teve outro objectivo que o de boicotar a reunião do G8. Um evento que para os cínicos não passará de uma ritual e hipócrita encenação mediática das potências dominantes, e que para os realistas será o modo possível de construir um mundo melhor, acaba por marcar a agenda do terror. O terror, afinal, faz lavagens cerebrais aos bombistas suicidas e organiza carnificinas de inocentes só para competir nas audiências televisivas.
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Bombatómica, és um refrigério bloguista. Carry on.
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JB, os alvos são aleatórios, mas os autores são de etnia islâmica (ou assim se assumem...). Sugiro um renovo do conceito de etnia para evitar reacções emocionais despropositadas.


Publicado por: Valupi em julho 8, 2005 12:17 PM

Perfeito.

Publicado por: Irascível em julho 8, 2005 01:48 PM

Conceito de "Raça"? Para lá da Humana? Boa, boa...

Publicado por: LR em julho 8, 2005 02:30 PM

Responde tu, que foste buscar "caramelos assim p'ro escurito" a propósito do conceito de etnia. Tens de ultrapassar a fase do François Bernier.

Publicado por: Valupi em julho 8, 2005 02:47 PM

Etnia islâmica? Ah, agora o Islão é uma etnia? E Eu que pensava que era uma religião...portanto os javaneses, bosnios, turcos, somalis, árabes, magrebinos, etc são todos da mesma etnia...as coisas que se aprendem por aqui.


Nem vou comentar a outra do conceito de "raça", Tenho impressão que têm que rever conceitos não sou eu...

Publicado por: JB em julho 8, 2005 03:40 PM

Para ajudar:

etnia

s. f., Etnol.,
grupo de indivíduos biológica e culturalmente homogéneo;

conjunto de indivíduos unidos por características somáticas, culturais e linguísticas comuns.

Publicado por: JB em julho 8, 2005 03:42 PM

Claro, claro. Está-se mesmo a ver que a tua tirada "estruturas terroristas organizadas e etnicamente identificáveis" apontava era para gente que seja vista na rua a recitar o último comunicado de imprensa de bin Laden; não para o aspecto dos presumíveis implicados.
Custa assim muito assumir o que se escreve?

Publicado por: LR em julho 8, 2005 03:44 PM

Se alguem passar hoje por alguma chafarica maçónica em qualquer lado deite um olho à janela que não tiver cortinas e veja se nota movimentos suspeitos ou pouco usuais. Andam por aí uns zunzuns na Internet que os “terroristas islâmicos” quizeram comprometer a Maçonaria nos ataques bombistas em Londres utilizando a data como prova esotérica incriminadora.. Aparentemente os números 7 e 4 revestem-se de grande significado para essa célebre irmandade dedicada à caridade e ao progresso desde o tempo dos afonsinhos. Em Londres verificaram-se 7 explosões, no dia 7, do mês 7, dando isto 7+7+7+7+7(2005=7)x4=28 - Referência a ciclos lunares e solares. Alem disso temos o G (de G-8) de reserva - sétima letra do alfabeto, para os que tiverem algumas dúvidas. Pedimos ao perito Tchernygnobil, muito encolhido nas últimas horas, para investigar isto urgentemente e mandar o relatório para o palácio.

Num tom “menos alarmante”, um homenzinho da terra de Cristo chamado Netanyahu estava em Londres nessa data fatídica e foi avisado pela polícia ANTES das explosões para não se dirigir onde tinha planeado, que era mesmo por cima de onde viria a rebentar uma delas. De notar que mais duma hora depois dessas explosões a polícia ainda andava a dizer à imprensa que não sabia o que se tinha passado. Seria voltagem a mais, perguntavam os jornalistas com cara de parvos uns para os outros. Um antigo chefe supremo da Polícia de Londres, no entretanto, confirmou ao Times que andam 100, provavelmente 200 terroristas, a passear-se nas ruas da cidade, mas não explicou a ninguém quem os contou nem porque razão os deixavam andar à solta. E um newsreader muito feliz do Sky News comentava que depois desta carnificina a grande prioridade da agenda do G-8 (que quase ouviu as explosões a 500 milhas de distância) passava a ser terrorismo, em vez da África ou dos efeitos globais de estufa, e que por isso o Ocidente voltaria a dedicar-se novamente de corpo e alma a combater o terrorismo, especialmente no Iraque e Afeganistão. Uma última pergunta: porque que é que os terroristas não fizeram explodir as suas bombas num estádio de futebol vazio no próprio dia da votação para os jogos olimpicos? Deste modo teriam arruinado quase de certeza as chances da Inglaterra para 1912 (ah, mas também causariam a perda dos bilhões muito estimados pelas companhias de pedreirinhos!) e não teriam causado tanta tristeza a dezenas de famílias. Bestas sanguinárias!

Publicado por: Bombatómica em julho 8, 2005 04:55 PM

Caro JB, confirmo: muito [tem dias...] se aprende por aqui. Eu sou testemunha e beneficiário disso mesmo. E cumprindo agora o papel de pedagogo, cá vai.

O amigo está a patinar na epistemologia – no caso, a das Ciências Humanas. Os conceitos respectivos, como é típico de qualquer discurso científico, são objectos precários, sujeitos a constante escrutínio e transformação, fruto da investigação e elaboração teórica. Lana caprina.

Assim, o registo dicionarista é falho de valor científico, embora tenha valor comunicacional. Por exemplo, e para o que nos interessa, o conceito de "etnia" tem tido variadas definições ao longo do tempo e ao largo das diferentes escolas de pensamento e disparidade de autores. A definição que actualmente perfilho não contempla a referência biológica como critério de diferenciação étnica.

Enquanto a "raça" foi, historicamente, definida como uma unidade antropológica de raiz biológica (e por isso insustentável como conceito científico aplicável a diferentes grupos humanos, pois só há uma raça humana), a etnia vejo-a como uma unidade cultural. O que lhe confere unidade é a referência à sua ancestralidade, a sua origem mítica e consequente mundovisão. Então, neste contexto, o grupo humano que se organiza com base na leitura fundamentalista do Corão e se une num destino de combate contra o Ocidente é etnicamente identificável no seio de uma sociedade onde é uma minoria. Será diferente se esse grupo actuar no seio de uma sociedade de maioria islâmica, pois as suas práticas e discurso se confundirão com o paradigma comum.

Não, não é assim tão difícil de compreender.
__

"Custa assim muito assumir o que se escreve?"!?! What?... Deste um salto para uma dimensão onde já só tu é que sabes do que estás a falar.

Publicado por: Valupi em julho 8, 2005 06:08 PM

Vocês acreditam em bruxas, de certeza (e até noutras coisas mais "esquisitas") por isso falam de tudo e mais alguma coisa, a propósito de tudo, que é como quem diz: a propósito de nada. Aquando dos bombardiamentos da segunda guerra mundial, sabia-se a quem pertencia a responsabilidade de tão horripilantes actos. Agora vocês sabem quem são os responsáveis? "Sabem" o que vos dizem, que vos deixam saber (isto, é claro, aqueles que não sabem pensar pela sua cabeça).
Mas existem organizações que têm como missão "resolver" estes problemas. Então, se não resolvem, eles são culpados, sem sombra de dúvida; são os responsáveis disto se passar, ao fim de 4 anos de "luta contra o terrorismo"... Mas são culpados de muito mais... Para aqueles que resistem em ver a realidade, deixo este endereço: http://www.redvoltaire.net/article5341.html#article5341, que é para não me sentir só, a falar de coisas que ninguém quer ouvir, apesar de resultarem de conclusões óbvias; bem mais óbvias do que as patranhas que toda a gente repete. Já não vos #encaminho" para o meu blog que é para vocês não dizerem que sou só eu que digo isto...
Eu sei que não sou só eu, mas gosto de saber que há outros com coragem para dizerem o óbvio, em vez de repetirem, caninamente, conjecturas infundadas impingidas pelos OCS.
Isto, um dia, vai lá...

Publicado por: Biranta em julho 8, 2005 08:26 PM

Porra pá! Leiam outra vez o post em vez de andarem ás turras! No post está tudo dito caralho!
Tchernignobyl, mais uma vez misturas tudo e só dizes cavalidades. Não tens mesmo salvação possível.

Publicado por: Irascível em julho 8, 2005 09:33 PM

é definitivamente um prazer e um incentivo poder ler que um energúmeno do tipo "irascível" acha que eu não tenho "salvação possível".
Já o bomba atómica achar que eu sou uma "excelente pessoa" me parece mais preocupante. Há algo a aperfeiçoar.

Publicado por: tchernignobyl em julho 9, 2005 04:27 AM

O saco cheio de bazófias que agora se quer alçar ao poleiro de "pedagogo" vem partilhar connnoso uma tal de "definição que actualmente perfilho" e as suas "visões". Mas que relevância terá isso seja para o que for?

Mais cómico que ver alguém com tantas manias meter água, só mesmo vê-lo debater-se em pleno charco, a tentar passar incólume e discreto...

Publicado por: LR em julho 11, 2005 01:50 PM

Nao te enterres mais ainda, Valupi...estas da "etnia islamica" e dos terroristas "etnicamente identificaveis" vao ficar no anedotario da blogosfera...

Publicado por: JB em julho 12, 2005 08:37 PM