junho 09, 2004

28 ANOS

A primeira coisa de que me lembro é das copas das árvores. Copas a passarem depressa de encontro ao céu da manhã, como num filme expressionista. E eu dentro do carro, com o meu pai, o nariz colado ao vidro. Depois, a fachada da maternidade. Degraus enormes. Um corredor encerado, com brilhos de janela e sombras, muito longo. Ao fundo, à direita, o quarto. Deitada na cama, sem barriga, a minha mãe. E tu, o meu irmão, o meu tão esperado irmão, o meu minúsculo e frágil e maravilhoso irmão, ali. Corpo concreto, bebé lindo, amigo para toda a vida.
Foi no dia 9 de Junho de 1976. Eu tinha quatro anos e esta é a memória mais antiga que guardo. A primeira memória. A memória fundadora da minha identidade. E isso diz tudo. Não diz, Manel?
Parabéns.

Publicado por José Mário Silva em junho 9, 2004 10:52 AM | TrackBack
Comentários

Isto de ter um irmão poeta, traz destas alegrias... obrigado, mano, por tornares este dia ainda mais feliz... ;)

Afixado por: Manuel Deniz em junho 9, 2004 04:34 PM

É a tua primeira memória e descreves a dita de uma maneira magnifica.

PArabéns aos dois!

Cumprimentos
Enresinados!!

Afixado por: cachucho em junho 9, 2004 05:31 PM

Parabéns, Manuel!

Afixado por: Luis Rainha em junho 9, 2004 05:32 PM

Só pode ser bom aquele que escreve, assim para um irmão, sinceramente obrigado.

Afixado por: provocador em junho 9, 2004 06:26 PM

Se eu tivesse um irmão capaz de escrever-me coisas destas, chorava de emoção a vida toda

Afixado por: lucrecia em junho 11, 2004 01:26 AM

Pois é, um tipo afasta-se uns dias da internet e do blogue e tem destas surpresas...
Manel, um abraço e parabéns atrasados.
Zé Mário, este post era meu... O autor do texto seria o mesmo, e devidamente creditado, obviamente, mas pensava fazer um post assim. "Olha, já não tem barriga!" :)

Afixado por: Filipe Moura em junho 11, 2004 03:36 PM
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