É verdade: simpatizo muito com Lúcia Guimarães. Gosto do que escreve, gosto do programa que faz, e já tive ocasião de trocar uns emails com ela sobre a imagem dos brasileiros em Nova Iorque, a que respondeu, sempre simpatiquíssima.
Isto fará de mim machista?
Vem isto a propósito da entrevista de ontem ao DN da deputada Isabel Castro.
Durante a entrevista, a deputada contorna completamente a questão (para ela incómoda, mas a meu ver válida) da legitimidade política do partido que representa (o Partido Ecologista). E a determinada altura tem esta afirmação: “E há uma nota, na observação do primeiro-ministro, absolutamente fantástica, que é dizer que até «simpatiza com a senhora». (...) Há [aqui] uma enorme dose de machismo. Porque o primeiro-ministro nunca diria de um deputado, homem, «eu até simpatizo com o senhor».”
Não sei se é este o caso de Durão Barroso, mas eu quando simpatizo com alguém tanto digo “simpatizo com a senhora” como “simpatizo com o senhor”. Como queria Isabel de Castro que Durão Barroso dissesse que simpatiza com ela?
Também eu escrevi aqui um texto em que contava as minhas boas experiências com judeus norte-americanos e o que tinha aprendido com eles. Pois não faltou quem dissesse que só um "anti-semita" teria necessidade de estar a afirmar o que afirmei...
Não teremos todos nós uma tendência para nos ofendermos muito facilmente? Fala-se muito na hipocrisia de certa correcção política nos EUA. Mas e que dizer da paranóia a que se chega aqui em Portugal?
É possível que, a lidar com estas e outras minorias e os seus problemas específicos, eu pareça algo insensível. Preocupo-me com as minorias e sou contra todo o tipo de discriminação (negativa e positiva). Agora, penso muito mais no conjunto do que em cada indivíduo em si, e procuro analisar as coisas racionalmente.
Para os casos menos graves de hipersensibilidade e hipercorrecção política, sugiro uma cura de audição e leitura intensivas de Caetano Veloso. Ver o Seinfeld também ajuda.
Mas a minha impressão é que isto anda mesmo tudo maluco.
E o mais engraçado, Filipe, é que tenho quase a certeza que o Durão já tinha dito ao Francisco Louçã – com sinceridade ou hipocrisia, isso fica ao critério de cada um –, naquele mesmo edifício, que simpatizava com ele. Será que o homem também estava a ser machista com o Louçã?
Abraço,
Leonardo
Afixado por: Leonardo Ralha em maio 17, 2004 02:47 AMFilipe- Cada vez simpatizo mais contigo.
Falando a sério, e isto também pode parecer "paternalista" ou coisa do género, mas acho que os teus posts tem melhorado a olhos vistos. Tinha de o dizer.
enquanto houver pessoas que sentem exactamente esses sinais de superioridade, a simples utilização racional dos termos é mal-entendida. para mim, isabel de castro deve dizer "pobrezinhos" e os "negros coitadinhos" e "gordinhos" sem ver aí qualquer discriminação. Bahh. Tá tudo maluco mesmo, filipe.
Afixado por: filinto em maio 17, 2004 09:51 AMViva o "Berloque de Esquerda"!!!!
Ah grandes machos....
Filipe, como o teu post me remeteu para uma série de referências, comentei em versão post no Renas. Um abraço
os trackbacks são automáticos, que cool! Boa, Movable Type and Paulo Querido, of course!
Afixado por: Pagan em maio 17, 2004 06:11 PMO Durão podia usar uma expressão mais fracturante, embora pouco verdadeira, do genero "apesar de seres uma brasa".
Assim tentou ser educado, passou por machista.
Na questão do machismo penso que nada mais há a acrescentar. Quanto a uma outra questão colocada pelo Filipe - a legitimidade do PEV - também a considero válida.
Não critico os Verdes por terem sempre concorrido no seio de coligações. Afinal, estas são mecanismos permitidos aos partidos para evitar dispersão de votos. Veja-se o caso paradigmático da união pré-eleitoral de UDP, PSR e PXXI. O Bloco de Esquerda resultante alcançou resultados que nunca os três partidos alcançaram em separado. Foi uma vitória da inteligência, pois uniram-se esforços depois de descobertos pontos em comum.
Voltando aos Verdes, o que é que os levou a coligarem-se com o PCP nas eleições para a autarquia de Barrancos em 2001? O candidato apresentado pela CDU (PCP-PEV) foi António Pica Tereno, grande defensor dos touros de morte. Ora, nenhum partido ecologista que queira ser levado a sério entra numa coligação encabeçada por alguém que tem esta noção de direitos dos animais!
Mas se discordo desta actuação do PEV, também não concordo mais com a atitude de Durão Barroso na AR. Se ele não reconhece validade política ao PEV por este ter concorrido numa coligação pré-eleitoral, qual será a validade política do governo, que resulta de uma coligação pós-eleitoral e, como tal, nunca colocada à consideração dos eleitores?
Afixado por: Luís Humberto Teixeira em maio 17, 2004 06:47 PMSenhores, convém ler a coisa nas entrelinhas. É óbvio que a Isabel Castro optou por desfazer-se de toda e qualquer simpatia endereçada por Durão Barroso. Não quis dar margem política para que sobrevivesse no ar qualquer indício de «simpatismo» entre ela e o PM. Caso agradecesse o «cavalheirismo», o «beijo na mão», cederia por pouco que fosse ao «charme» político de Barroso. Isabel Castro fez o jogo contrário - anulou em dose dupla o cumprimento de Barroso. Fê-lo em cinzas. Voltou tudo à estaca 00-00.Ou seja, o veneno habitual.
Afixado por: thirdbacus em maio 17, 2004 07:15 PMÉ claro que Isabel Castro poderia ter sido mais sofisticada no «rechaço», mas Isabel Castro não é propriamente uma Natália Correia.
Afixado por: thirdbacus em maio 17, 2004 07:25 PM