No depoimento de Condoleezza Rice (a Conselheira para a Segurança de George W. Bush) à Comissão que está a investigar os atentados de 11 de Setembro de 2001, não se encontram grandes novidades ou factos desconhecidos que ajudem a esclarecer o comportamento da Administração republicana perante a ameaça terrorista. Ainda assim, há uma frase com uma carga não desprezável de ambiguidade. Esta: «Tenho quase a certeza de que o Presidente nunca pressionou ninguém para manipular os factos.» Sublinhe-se a palavra quase.
Publicado por José Mário Silva em abril 9, 2004 12:33 PM | TrackBacké sempre bom mostrar alguma boa vontade desinteressada.
Afixado por: tchernignobyl em abril 9, 2004 01:36 PME eu tenho quase a certeza que Bush tê-la-á pressionado para retirar o "quase". Se fosse um homem por certo o "quase não se teria intrometido na frase. Será esse o temível toque feminino na política.
Afixado por: thirdbacus em abril 9, 2004 02:49 PMem política e a esse nível não existem "toques femininos".
o que aliás, ao contrário do discurso lamecha e hipócrita "de como seria diferente o mundo se fosse governado por mulheres" é apenas um sinónimo da efectiva libertação da mulher que tem de ser assumida integralmente mesmo no admitir sem ilusões que as mulheres têm todo o direito de serem tão sacanas como qualquer homem normal.
Tchern, tratava-se de uma pergunta irónica, mas pelos vistos esqueci-me do ponto de interrogação. De qualquer forma isso não altera concerteza a tua 'resposta'. E aí não sei se estarei absolutamente de acordo contigo. O "quase" sujeita-se a inúmeras leituras e interpretações, inclusive sobre a sua(de Rice) paciência para com as trapalhadas de Bush. Por exemplo, é sabido que Rice nunca afinou muito com Colin Powell(sim , há aqui alguma ironia). Penso, que Rice já não anda com muita paciência, e não sei se não há aqui um toque feminino:), porque sejamos sinceros, a propósito de "nível", a equipa de Bush mais se assemelha a um clube de machos guerreiros bestalhões...:)
Afixado por: thirdbacus em abril 9, 2004 03:48 PMa minha "resposta" era um comentário ao "toque" sim, mas sem pretender enquadrar o teu comentário no campo do "como seria melhor...".
De resto, mais explícito quanto à falta de paciência já foi o colin e ninguém o acusou de "toque" nenhum.
são apenas políticos a gerirem a sua carreira.
e também aqui coexistem em doses variáveis que não têm forçosamente que seguir um padrão ditado pelo "género", o cálculo frio do gestor e a reacção emocional aos "estados de consciência".
O "toque" de Powell terá sido outro. Powell é um chefe militar, e já há muito se tinha percebido que não se estava a adaptar muito bem aos constrangimentos dos bastidores políticos. Como diria alguém "Powell estava habituado a entrar numa sala e a ver toda gente(militares) levantar-se e bater continência". Em Washington tudo passou a ser diferente. Powell é um exímio negociador, mas é sobretudo um militar. Rice foi um(a) do(a)s que fez Powell sentir-se menos importante do que pretendera. E agora, porra, ó Tchern, bolas, a Rice foi bailarina e tudo, pá! Não queres que eu veja uma Thatcher em toda as mulheres políticas, pois não?!:)))
Afixado por: thirdbacus em abril 9, 2004 04:57 PMpara quem estava tão "mal habituado" o powell engoliu um número surpreendente de sapos. aliás ainda vai dar pano para mangas para os especialistas o papel dele no meio de tudo isto. deve dar umas biografias que se vão vender como amendoins sobretudo se ele não tiver queimado a hipótese de vir a ser o primeiro presidente americano negro (lá está mais uma, um presidente negro - e também a aqui a condo é simbólica fará, (faria?) alguma diferença?).
quanto ao hipotético jeito da condo para dançar não disputo... mas olha que é apenas uma questão de gostos muito subjectiva e secundária, é que também alguns viram uma sedução mais forte do que a política na "dama de ferro"...
Concordo que muito está por deslindar quanto ao papel de Colin nesta trapalhada. Mas é preciso não esquecer que no início Colin mostrou-se relutante em aceitar colocar-se ao lado de Bush Jr - Colin andava mais preocupado com as vendas da sua primeira(?) biografia, conferências, e acções sociais, provavelmente de olho a longo prazo na Casa Branca - e só a custo lá o convenceram. Quanto aos "sapos" que engoliu, bem sabes que em política não se salta simplesmente quando apetece. É assim a política real. Não sei se Colin comprometeu as suas aspirações à Casa Branca. Primeiro, duvido que o seu papel na intervenção no Iraque tenha atingido de morte o seu capital político. Pelo menos não tenho qualquer indicação nesse sentido. Para mim o mais curioso é que o primeiro presidente negro dos EUA(a ser Powell) provenha precisamente dos Republicanos. E faz diferença, claro que faz. É uma questão de percepção. De confirmação de igualdade.
Afixado por: thirdbacus em abril 9, 2004 06:10 PMclaro que faz diferença porque basta fazê-lo simbolicamente. Não basta que a igualdade seja "potencial". Mais uma vez para o bem e para o mal.
um presidente negro republicano será sempre um fachoso, tal como o juiz clarence do assédio sexual e de simpatias (também) republicanas, mas é isso precisamente que é a igualdade.
Ter um activista dos direitos cívicos a conselheiro presidencial como o foi o Andrew Young com o Carter pode ser fantástico mas pode também ser ilusório quanto ao carácter da liberdade, porque é inaceitável que a projecção pública de um membro de um sector tradicionalmente excluido da esfera do poder por razões "históricas" seja feita apenas à custa da sua imagem excepcionalmente positiva. Infelizmente porém este tipo de considerações obscurece geralmente as discussões sobre a liberdade e igualdade de direitos.
Plenamente de acordo.
Agora, não me queiras é obrigar a deixar de olhar para a Condo como mulher.Para o bem e para o mal:))
dito isto, e mudando um pouco o assunto, parece-me que toda esta rábula da comissão para averiguar o 11 de setembro não tem demasiado interesse.
o que está em causa não é a forma como os eua impõem uma visão imperial, se imiscuem nos assuntos que não lhe dizem nada respeito em todos os cantos do globo contribuindo (não só eles mas também...) por muito que isto repugne a muita gente aceitar para a situação que vivemos presentemente e qualquer dirigentezeco se arvora o direito de fazer a sua guerrinha onde mais lhe passar pelos cornos.
nem sequer é a tal história das teorias da conspiração da guerra entre diferentes sectores do pentágono que ao menos seria uma discussão com laracha para o serão.
Não há aqui nada de ... potencialmente subversivo.
é uma cena um bocado burocrática onde está apenas em causa a maior ou menos competência da Cia para espiar este e aquele, onde estão em causa as paranóias securitárias de alguns que pretenderiam porventura ver a situação que se vive actualmente em vigor há vários anos sem esperar pelo derrube das Twin Towers.
Quando muito quando muito poderiam vir a ser afloradas as ligações dos bush aos laden mas neste inquérito irá alguém pegar nisso???
bem mais grave e já hoje em dia bastamente documentado é a operação dos neocons para justificar a guerra, e eles "andem" aí e ninguém parece chateá-los
Quer queiras quer não, é importante que haja esta comissão sobre o 11/9. Mesmo que os seus efeitos sejam, à partida, praticamente nulos.Enfim, mas a democracia norte-americana por vezes é supreendentemente surpreendente. Quanto ás ADM vs Iraque, quero acreditar que os Democratas não andem a dormir(se bem me entendes). Mas enquanto se mantiver a situação no Iraque é pouco provável que se «pegue publicamente» no assunto.
Afixado por: thirdbacus em abril 9, 2004 07:03 PMtambém compreendo isso. o que não quer dizer que ature o pessoal que andou aqui durante meses a uivar que queria guerra porque em seguida viria a andorinha que voava voava ( a andorinha iraquiana que as andorinhas de cá às tantas são tão insistentes na mesma conversa que também chateiam), e agora já dizem que o que se o que se passou antes "não interessa", o que interessa é que AGORA temos de ser responsáveis.