março 23, 2004

A SITUAÇÃO EM PORTUGAL

Em Portugal frequentemente acusa-se a imprensa de ser pró-palestiniana, mas não percebo de onde possa vir tal classificação. Se olharmos para os colunistas, parece-me haver um equilíbrio para ambas as partes. Se olharmos para as redacções nos jornais, parece-me aí haver uma tendência nitidamente pró-israelita. Não nos esqueçamos do passado recente do Diário de Notícias: a apresentação de notícias era parcialíssima, o espaço reservado às diferentes partes era diferente (as fotografias de Sharon eram constantes), as primeiras páginas eram panfletárias. Tudo comandado em clima de total impunidade por um director-adjunto de muito má memória, de seu nome António Ribeiro Ferreira (estou em crer que foi o principal responsável pela recente grande quebra do volume de vendas no jornal), e mais os seus editoriais pró-Sharon (seguramente um caso único na imprensa europeia “de referência”) que faziam corar de vergonha amigos meus de ascendência judaica.
O Público, neste aspecto, costumava ser mais equilibrado nas notícias. Até que, ontem, um seu jornalista, o João Pedro Henriques, escreveu (no blogue e não no jornal) um texto com uma linguagem trauliteira como já não se via desde os tempos de António Ribeiro Ferreira. A defender o assassinato do xeique Yassin como um “acto de guerra”. A defender a “guerra” entre Israel e a Palestina.
Estará encontrado o sucessor de ARF?

Publicado por Filipe Moura em março 23, 2004 04:16 AM | TrackBack
Comentários

Não deves viver no mesmo país que nós....
Confundes uma imprensa neutra com pro-israelita e ignoras coisas tão transversais e variadas que vão desde a TSF, passando pela inarrável Moura Guedes e acabando na insuspeita crónica de Televisão do Expresso.
Enfim, à falta de melhor argumentos para proceder ao desejado ataque pessoal, revelas uma enorme cegueira ao que te rodeia.

Afixado por: Liberdade em março 23, 2004 08:11 AM

Por exemplo, nos títulos.

Estes sairam em dias seguidos num jornal de referência:

"Atentado em Israel causa 20 vítimas."
"Soldados israelitas matam 3 civis palestinianos."

Dum lado, simples vítimas. Azar. Do outro lado assassinos.

Ou o Expreeso que na mesma página trazia estes 2 títulos:

1. Vieira de Mello morreu.
2. Estados Unidos matam jornalista por engano.

Entende-se. Uma morte natural e um assassínio.

Ou a dificuldade que a TSF tem em chamar as coisas pelos nomes, classificando um terrorista assassino como 'figura de referência na luta palestiniana'.

Ou o prórpio Público, tão ciente do seu livro de estilo, que não hesita em qualificar a priori todas as vítimas palestinianas de 'civis'.

A notícia é "Sharon manda matar Yassin". Mas quando há um atentado terrorista, a notícia é: Morrem 'x' pessoas vítimas de atentado. Nunca vi nenhuma notícia a dizer que 'Yassin assassinou x crianças' ou 'Yassin mandou matar novamente'.

É quase sempre assim, seja no DN, no Público, na TSF. E sempre assim ou ainda pior na TVI.

Só não repara quem não quer reparar.

Cumprimentos
jcd

Afixado por: jcd em março 23, 2004 11:27 AM

Já sabia que havia jornalistas estúpidos e sem capacidade de análise crítica, mas tanto assim...........da-se!
O mocinho é mesmo dos puros. Nem o Paulo Portas teria a lata de ser tão fascista.

Afixado por: mijanaesquina em março 23, 2004 12:01 PM

Ó senhor Filipe Moura, então não se tá mesmo a ver que a culpa é dos judeus marranos, seguidistas do sionismo internacional ao serviço dos EUA, e se que infiltram as fileiras do nosso jornalismo?? E pior, querem sobrepor-se aos direitos naturais que um Cristão-Velho como o senhor Filipe Moura tinha como adquiridos! A ousadia!! É denunciá-los!! É expurgá-los!!

Afixado por: Ricardo Salvador em março 23, 2004 01:00 PM
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