Em Portugal frequentemente acusa-se a imprensa de ser pró-palestiniana, mas não percebo de onde possa vir tal classificação. Se olharmos para os colunistas, parece-me haver um equilíbrio para ambas as partes. Se olharmos para as redacções nos jornais, parece-me aí haver uma tendência nitidamente pró-israelita. Não nos esqueçamos do passado recente do Diário de Notícias: a apresentação de notícias era parcialíssima, o espaço reservado às diferentes partes era diferente (as fotografias de Sharon eram constantes), as primeiras páginas eram panfletárias. Tudo comandado em clima de total impunidade por um director-adjunto de muito má memória, de seu nome António Ribeiro Ferreira (estou em crer que foi o principal responsável pela recente grande quebra do volume de vendas no jornal), e mais os seus editoriais pró-Sharon (seguramente um caso único na imprensa europeia “de referência”) que faziam corar de vergonha amigos meus de ascendência judaica.
O Público, neste aspecto, costumava ser mais equilibrado nas notícias. Até que, ontem, um seu jornalista, o João Pedro Henriques, escreveu (no blogue e não no jornal) um texto com uma linguagem trauliteira como já não se via desde os tempos de António Ribeiro Ferreira. A defender o assassinato do xeique Yassin como um “acto de guerra”. A defender a “guerra” entre Israel e a Palestina.
Estará encontrado o sucessor de ARF?
Não deves viver no mesmo país que nós....
Confundes uma imprensa neutra com pro-israelita e ignoras coisas tão transversais e variadas que vão desde a TSF, passando pela inarrável Moura Guedes e acabando na insuspeita crónica de Televisão do Expresso.
Enfim, à falta de melhor argumentos para proceder ao desejado ataque pessoal, revelas uma enorme cegueira ao que te rodeia.
Por exemplo, nos títulos.
Estes sairam em dias seguidos num jornal de referência:
"Atentado em Israel causa 20 vítimas."
"Soldados israelitas matam 3 civis palestinianos."
Dum lado, simples vítimas. Azar. Do outro lado assassinos.
Ou o Expreeso que na mesma página trazia estes 2 títulos:
1. Vieira de Mello morreu.
2. Estados Unidos matam jornalista por engano.
Entende-se. Uma morte natural e um assassínio.
Ou a dificuldade que a TSF tem em chamar as coisas pelos nomes, classificando um terrorista assassino como 'figura de referência na luta palestiniana'.
Ou o prórpio Público, tão ciente do seu livro de estilo, que não hesita em qualificar a priori todas as vítimas palestinianas de 'civis'.
A notícia é "Sharon manda matar Yassin". Mas quando há um atentado terrorista, a notícia é: Morrem 'x' pessoas vítimas de atentado. Nunca vi nenhuma notícia a dizer que 'Yassin assassinou x crianças' ou 'Yassin mandou matar novamente'.
É quase sempre assim, seja no DN, no Público, na TSF. E sempre assim ou ainda pior na TVI.
Só não repara quem não quer reparar.
Cumprimentos
jcd
Já sabia que havia jornalistas estúpidos e sem capacidade de análise crítica, mas tanto assim...........da-se!
O mocinho é mesmo dos puros. Nem o Paulo Portas teria a lata de ser tão fascista.
Ó senhor Filipe Moura, então não se tá mesmo a ver que a culpa é dos judeus marranos, seguidistas do sionismo internacional ao serviço dos EUA, e se que infiltram as fileiras do nosso jornalismo?? E pior, querem sobrepor-se aos direitos naturais que um Cristão-Velho como o senhor Filipe Moura tinha como adquiridos! A ousadia!! É denunciá-los!! É expurgá-los!!
Afixado por: Ricardo Salvador em março 23, 2004 01:00 PM