março 04, 2004

DINHEIROS PÚBLICOS E HOSPITAIS PRIVADOS

Ontem, acompanhei uma amiga a um bonito hospital privado nos arrebaldes de Lisboa. Ainda a meio de um longo tratamento de radioterapia, ela fora convocada por telefone para uma consulta "muito urgente".
Essa consulta fundamental acabou por demorar... 2 minutos exactos. O suficiente para o clínico recomendar à sua paciente o uso do medicamento exótico e de difícil acesso que dá pelo nome de Bepanthene.

Porque é que este conselho não foi fornecido por um dos técnicos que atendera a minha amiga umas horas antes, ou até via telefone, uma vez que nem receita seria necessária?
Só vejo uma razão plausível: estando ela a cargo do sistema público de saúde, esta amostra de consulta sempre serviu para o médico e o hospital em questão abicharem mais umas coroas, à pála sabe lá Deus de que protocolo ou convénio. Que isto resultasse num enorme incómodo para uma "utente" a quem já não faltam as preocupações, pouco parece ter importado.

Em Portugal, colocar fundos públicos ao alcance da cobiça privada continua a ser uma bela receita para o abuso.

Publicado por Luis Rainha em março 4, 2004 12:27 PM | TrackBack
Comentários

Eis um escândalo discreto e subterrâneo que era bom que alguém se lembrasse de investigar.

Afixado por: José Mário Silva em março 4, 2004 12:55 PM

Eu acrescento mais um caso para ilustração:
O meu irmão esteve a ser seguido por uma médica num hospital público e decidiu pedir uma segunda opinião a um outro médico que por acaso também atende no mesmo hospital. Assim que a primeira soube, descompôs o meu irmão, afirmando, entre outros impropérios: «logo esse que é mais novo que eu, que tem menos experiência que eu» e deixou-o a falar sozinho. Na próxima consulta marcada com a médica, a dita cuja recusou-se a atendê-lo, com base em que a confiança tinha sido quebrada, despejando-lhe uma lista infinda de outros médicos da especialidade.
Agora digam-me se este não continua a ser um poderosíssimo lobi, que serve para encher os bolsos a muitos gananciosos e arrogantes que se intitulam médicos! E têm eles um código deontológico! Imaginem se não tivessem.

Afixado por: Diogo Bobone Carvalho em março 4, 2004 05:04 PM

Rainha?
Oi?
Rainha?
Estás a ver? Agora é a sério...
Até tirei o Í.
Até pareces um rapaz inteligente mas estes posts.
Até tiveste logo um Bobone a responder-te. Ora toma. Ficas enxovalhado...

Afixado por: Afixe um comentário em março 4, 2004 07:32 PM

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Referências grosseiras ao meu nome dispensam-se, sobretudo quando se tentam discutir ideias sérias!

Não tenho problema nenhum com o meu nome e por isso mesmo assino com ele; talvez devesse fazer o mesmo.

Afixado por: Diogo Bobone Carvalho em março 5, 2004 12:45 PM

Nem mais, Diogo, nem mais.

Afixado por: José Mário Silva em março 6, 2004 05:59 PM

é assim mesmo,Bobone. Eu cá não tenho coragem.

Afixado por: Afixe um comentário em março 8, 2004 11:44 AM

É feio falar do que não se sabe. O unguento lá porque não tem uma composição extraordinária bem pode ser o mais adequado para aquele doente; e a demora da consulta também não é indicador definitivo de qualidade.
Bom é medicamentos caros para engordar a Industria Farmacêutica e consultas arrastadas para "dar" horas extraordinárias?

Afixado por: Peliteiro em abril 5, 2004 11:47 PM
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