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janeiro 20, 2005
O TEXTO QUE TEM DADO QUE FALAR
Este é seguramente um dos textos mais delicados que eu já aqui escrevi (ou em qualquer outro lugar). Desde que entrei para este blogue, aconteceu por algumas vezes (acreditem: sempre involuntariamente) meter-me em enrascadas. Uma delas (a famosa dos "judeus que controlam os media") poderá eventualmente a certa altura ter dado mau nome ao blogue. Não sendo eu um fundador do blogue e escrevendo aqui somente graças à enorme (provavelmente maior do que a de qualquer outra pessoa que eu tenha conhecido) generosidade do Zé Mário, podem imaginar que o tal episódio não me fez sentir nada bem.
Acresce que, na mais famosa dessas trapalhadas (a "judaica"), foste tu, Luís, a pessoa que mais me defendeu. Não creio que tenha sido por mera "lealdade orgânica", como diz o outro; também, como tu próprio afirmaste na altura, não concordavas com muito do que eu tinha escrito, e não deixaste de me criticar. Mas procuraste entender o que eu defendia, e argumentos com que pudesse atacar-me ou defender-me. Sobretudo creio que te impressionou o ataque sem precedentes que eu estava a sofrer. Quem é atacado por todos os lados defende-se da melhor maneira que pode; mesmo assim, nunca pode ser "a" melhor maneira. Para isso é necessário reler e reflectir sobre o que se escreveu com calma e distanciamento, algo que não é possível quando chovem insultos de todo o lado. Eu já passei por isso, já vi isso. Tal como não me é estranho seres insultado por quem não conhece mesmo outro tipo de linguagem, e por te desviares um milímetro que seja daquilo que é considerada a "linha justa". Nem me é estranho que, ao tentares logicamente defender-te das acusações, ainda sejas acusado com as estafadas "vitimização" e "não seres de esquerda". Uma vez mais, já vi este filme.
Luís, acredita que te fiquei muito grato pelo apoio da altura. Não o esqueci e nunca o esquecerei. E gostaria de poder fazer o mesmo relativamente ao teu texto "APANHAM-SE DOENÇAS NA INTERNET? (3)" Infelizmente, não consigo. E não consigo - esta é a parte mais difícil; peço-te que não julgues que se trata de falta de lealdade - porque não encontro nada no mesmo texto que eu consiga defender. Na verdade, nem me parece que tu consigas: ainda não te vi apresentares uma argumentação tua, que revele convicções fortes no que escreveste. Limitas-te a defenderes-te como podes, e para tal refugias-te em artigos e citações alheias. Julgo que deverias ignorar os insultos, pelo menos por agora, e concentrares-te no essencial, que é o teu texto e a resposta àqueles ataques justificados de que foste alvo. Embora haja outros leitores que fizeram comentários pertinentes, aquele que, a meu ver, foi mais consistente na desmontagem dos teus (frágeis) argumentos foi o leitor João Paulo, o tal que, por se ter identificado como sendo da Opus Gay, tu sobranceiramente tratavas por "porta-voz".
Pensa bem nisto tudo, e se - sublinho o "se" - achares que tens algo a acrescentar ou a esclarecer, não tens nada de te envergonhar. No meu caso, não foi preciso passar muito tempo para me arrepender seriamente de ter escrito esta merda da forma como escrevi. O resto, é como foi dito pelo Zé Mário: "No BdE não há uma opinião colectiva unânime, há várias opiniões individuais que umas vezes coincidem e outras não. Sem ferir a solidariedade intrabloguística, não caímos na hipocrisia de esconder as nossas divergências."
Publicado por Filipe Moura às janeiro 20, 2005 08:54 AM
Comentários
de forma mais ou menos cíclica há um ambeinte de crispação à volta do BDE por razão de um ou outro post. Recordo há uns meses atrás a existência de um post aparentemente inócuo que deu azo a dezenas de comentários (parei de ler aí pelos 67). Se não estou em erro discutia-se o simbolismo e valores (a)morais dos livros da Anita...é a pluralidade deste blogue, e a sua abertura à participação, que me faz voltar diariamente, seja para ler ou meramente para disparatar nos comentários. Acredito que essa mesma diversidade faça voltar a maior parte dos "habitués". As criticas ao post do Luis são respeitáveis e em parte concordo com elas mas não se faça disto um caso de autocrítica Maoista porque de grandes saltos em frente já estamos todos mais ou menos curados. Ou se não estivermos façamos uma excursão às urgências do Amadora-Sintra, que lá é que tem havido cor e animação.
Publicado por: Pedro Vieira em janeiro 20, 2005 10:21 AM
Filipe Moura,é muito louvável este teu acto de solidariedade. Mas, se estou bem lembrado, também deste uma perninha na altura. Além disso o Luis não precisa de se penitenciar.As pessoas têm cabeça para pensar que nem sempre rendemos o máximo quando escrevemos sobre assuntos melindrosos como esse de apanhar doenças na internet. Só o que gostaria era que tu me tivesses franqueado acesso directo a essa discussão passada sobre quem (como o Quim Barreiros, não digo por tenho vergonha)controla a imprensa neste mundo. Infelizmente, nessa altura ainda eu não era freguês deste blogue. Que pena...
Publicado por: Germano Filipe em janeiro 20, 2005 11:50 AM
Eu não me pronunciei porque também não concordo com várias coisas que o Luís ali diz, e em especial com a forma com que as diz, misturando uma série de coisas muito diferentes num caldeirão comum e mexendo bem, mas até certo ponto até compreendo o raciocínio. De facto, não compreendo a lógica de não se considerar doença um problema de pessoas que não se sentem bem no seu corpo por o género psicológico não corresponder ao género físico e, ao mesmo tempo, se considerar doença um problema de pessoas cuja imagem mental de si próprias só está completa quando amputadas de um membro. O âmago de ambos os problemas parace-me idêntico: pessoas cujo corpo não corresponde àquilo que a sua mente considera correcto, e se se considera que um grupo sofre de uma patologia tem de se considerar que o outro sofre de uma patologia semelhante. Ou então, nenhum dos grupos está doente. Agora, um deles ser um grupo de doentes (talvez por ser mais minoritário) e o outro não, parece-me aberrante.
Pessoalmente, não sei se se trata de doenças ou não. Na maior parte das situações, prefiro enquadrar ambos os casos na infinita variedade de opções humanas, mas não é sempre assim. Por exemplo: se não se considerar o "distúrbio de género" uma doença, não se pode defender que um tratamento hormonal e, eventualmente, uma operação de mudança de sexo sejam comparticipados pelo Estado no âmbito do SNS ou, até, que sejam executados em estabelecimentos de saúde licenciados pelo Estado. E se estes actos médicos não forem enquadrados nos serviços de saúde, são executados sob que pretexto? Qual é a justificação para receitar medicamentos (hormonais ou não) a alguém que está saudável?
Estão a ver? As coisas não são nada simples.
Ou seja, sem concordar com o modo como o Luís expôs o problema, acho que ele levantou pontos válidos. E não concordo porquê?
Principalmente por causa do tal caldeirão de que falei acima. Acho que as situações são bastante diferentes e não se deve generalizar. Os grupos, e a sua dinâmica interna, são muito diferentes uns dos outros (e julgo até que dentro de cada um dos grupos há por vezes diferenças consideráveis na abordagem). Não me parece correcto misturar, por exemplo, grupos de transexuais com grupos de suicidas. Parece-me que a atitude com que, por exemplo, os travestis encaram a internet é bem diferente da panóplia de informação médica falsa que se pode encontrar nos fóruns de bulímicas.
Mas também me parece que nenhum destes tópicos deve ser tabu, e que nem sempre as pessoas mais directamente envolvidas têm consigo a maior parte da razão. Para analisar as coisas como deve ser é de todo conveniente que haja algum distanciamento dos problemas. Quem está demasiado envolvido neles raramente consegue pensar com clareza.
Publicado por: Jorge em janeiro 20, 2005 11:56 AM
Filipe,
Estou em crer que não percebeste nada do que escrevi apenas porque não leste os 3 posts em questão.
Poderei justificar-me depois de explicares o que vês de indefensável neste texto que tanto te ofende. Eu sei que é esforço pesado, mas vá lá: explicita as passagens, os raciocínios, os argumentos que te parecem tão vis.
Se me refugio "em artigos e citações alheias", não te parece que é precisamente por gente que se assume como dona de certas problemáticas se sentir vilipendiada com uma definição de "Distúrbio da Identidade de Género" que não é minha, mas sim das ferramentas de diagnóstico desses especialistas? Ou julgarias preferível que me lançasse, como eles fazem, a proclamar que me "parece" que uma dada condição clínica é ou não doença? Não verias aí uma grande dose de irresponsabilidade? E olha que logo no primeiro post tinha alertado para a natureza transitória destas definições.
Se leres as coisas com atenção, por uma vez que seja, verás que o João Paulo, pessoa que me parece discutir de boa-fé, não assinou como representante da Opus Gay, mas sim da PortugalGay.pt, que, por acaso, não conhecia. Se falei dele, e do inefável "Boss", como porta-vozes foi porque, mal se aflorou a pele da sagrada vaca surgiram logo armados em talibãs da ortodoxia gay, em donos da causa. Penitencio-me de ter assim tratado o João Paulo, que depois me deu a impressão de argumentar de forma honesta e aberta. Quanto ao Boss, nada de bom tenho a acrescentar.
Este deixou aqui esta espécie de libelo: "Sugere que o transgenderismo (conceito muitíssimo abrangente, o suficiente para lá caberem uma boa percentagem dos homens portugueses por alturas do Carnaval), sugere dizia eu que é uma doença, e que tal doença é apanhada na net!! terminando com a fantástica frase: ‘A Informação pode prejudicar gravemente a sua saúde’, tb é o DSM que o diz? Ou seria Salazar?"
A burrice, quando se alia à vontade de deturpar o que os outros afirmam, produz coisas destas. Ora vejamos de que me acusa ele, a propósito desse post:
1- "O Distúrbio da Identidade de Género, ainda considerado doença pelo DSM", escrevi eu. Informação integralmente correcta. Não "sugiro" nada, como se vê, muito menos a propósito do tal "conceito muitíssimo abrangente", o trangenderismo.
2- Eu não afirmei, em local algum, que se "apanha" este distúrbio na Net. Falei apenas em "agrupar-se e reforçar mutuamente as suas inclinações, que de outra forma talvez nunca assumissem grande importância". O que, em muitos casos é mais que verdade: alguém que vê validada por terceiros uma tendência que poderia nem ser intensa, tenderá a reforçá-la. Este era o centro, o tema nuclear de toda a série de posts: o tal "Contágio Semântico".
Se não entendeste este último ponto, a culpa será minha, por não ter sido claro e conciso; não julgo que sejas obtuso como me parece o Boss. E, por muito estranho que aches que recorra à opinião de especialistas, fica com estes excertos de um ">http://slate.msn.com/id/2085402/"> artigo de Carl Elliot, que muito por aqui citei: "Anyone with a rudimentary familiarity with the history of psychiatry cannot help but be struck by the way that mental disorders come and go. Conditions like social anxiety disorder, post-traumatic stress disorder, attention deficit-hyperactivity disorder, gender identity disorder, multiple personality disorder, anorexia, and chronic fatigue syndrome were once seen as rare or nonexistent, then suddenly they ballooned in popularity. This is not simply because people decided to ‘come out’ rather than suffer alone. It is because all mental disorders, even those with biological roots, have a social component."; "Soon the new conditions are discussed in journals and at conferences; clinicians start to diagnose the disorder more and more commonly; the conditions themselves become part of popular discourse and are discussed in support groups, therapy sessions, Internet venues, and in articles like mine and films like Whole. Patients begin to reinterpret their own psychological histories in light of what they hear, and their behavior changes to match what is expected of people with the condition they believe they have. Often they diagnose themselves and decide on the proper treatment." Já está a topar a história de se poderem "apanhar" doenças na net, como ironicamente perguntei nos títulos? Já começas a entender como a informação sobre uma dada patologia pode ser perigosa? Que terá isto a ver com Salazar, santo Deus?
Lá que o Professor Boss se julgue mais informado que os especialistas e com acesso a uma qualquer fonte de verdades inquestionáveis, é problema dele. Que tu embarques nessa parvoíce, sem acrescentar qualquer argumento que se veja e mesmo sem revelares onde estarão as passagens que julgas terríveis, isso já é problema meu, infelizmente.
Pegando na frase do Zé Mário, não carecia de qualquer "solidariedade intrabloguística"; sou crescidinho e sabia muito bem que a patrulha dos guardas do templo me ia cair em cima a propósito daquele post. E nunca te pediria que fosses capaz de "esconder as nossas divergências".
Mas, e aqui está o busílis, deste-te ao trabalho de escrever um longo texto para me atacares sem sequer te dares ao trabalho de esclareceres e explicitares essas divergências. E isso, para mim, é totalmente inaceitável.
É que, num post com 679 palavras (e que era apenas um terço de uma série), apenas causam engulhos as 75 que se referem ao fenómeno do transexualismo (isto se ignorarmos a irritação causada sempre que se refere a loucura do "bug chasing"; reacções que me fazem lembrar quem berra "anti-semita" a cada crítica a Israel que se faz ouvir...). Mas bem que posso esperar sentado que expliques ao certo com o que é que discordas tão visceralmente, não é, Filipe?
É verdade que já comentei posts teus expressando grandes discordâncias. Mas nunca, nunca seria capaz de fazer o que agora fizeste: colocar-me do outro lado da barricada em relação a ti, sem sequer me sentir na obrigação de explicar porquê.
Como já disse, considero isso inaceitável. E, não querendo prolongar esta dissensão interna de forma feia e estéril, tomo já mesmo a única atitude que me parece possível: suspendo aqui e agora a minha participação no BdE.
Fica bem.
Publicado por: Luis Rainha em janeiro 20, 2005 12:17 PM
Como é que dizia o Voltaire? "Não concordo com uma única palavra do que disse, mas defendo incondicionalmente o direito de o dizer"
Publicado por: parca em janeiro 20, 2005 12:18 PM
Inaceitável a tua atitude, Filipe. Perfeitamente descabida.
Publicado por: Monty em janeiro 20, 2005 12:24 PM
É que por mais que leia e releia o teu post, não consigo perceber a teleologia do dito. Serviu para quê? Para obrigar o Luis a tomar a posição que agora tomou?
E desculpa que te diga, Filipe, mas aquele final ("Pensa bem nisto tudo, e se - sublinho o "se" - achares que tens algo a acrescentar ou a esclarecer, não tens nada de te envergonhar") foi um perfeito atestado de incapacidade e incompetência passado ao Luis. Parecia mesmo que lhe estavas a mostrar a porta da rua. Eu sei que és ingénuo, mas não acredito que sejas tanto, caramba.
Isto não tem nada a ver com o post do Luis (que eu detestei), claro, propositadamente provocatório, como só o Luis sabe ser. Terá a ver com quê, Filipe?
Publicado por: Monty em janeiro 20, 2005 12:39 PM
Filipe,
Já que falas no assunto, recomendo-te um regresso a este post. Isto, se estás interessado em perceber as diferenças entre criticar e mandar bocas. A primeira acção implica referir pontos específicos, contra-argumentar; a segunda, pelo que vejo, apenas exige falta de elevação.
Publicado por: Luis Rainha em janeiro 20, 2005 12:52 PM
Pronto, já percebi a motivação do Filipe. O Francisco Frazão também se http://bde.weblog.com.pt/arquivo/060905.html#comments ">indignou com as minhas "afirmações homofóbicas". Vai daí, angustiou-se: "Não sei o que é que o meu nome está a fazer no cabeçalho."
Sossega. Já podes ficar com o teu nome orgulhosamente alcandorado por tais elevadas paragens, longe do "preconceito mais rasteiro" (outro que não acha necessário explicar-se): o meu é que vai sair de lá. Continuação de bom trabalho por aqui, é o que te desejo, Francisco.
Publicado por: Luis Rainha em janeiro 20, 2005 01:07 PM
É uma pena que a brigada do politicamente correcto e um idiota útil tenham colocado as malas do LR à porta (para tolerância democrática não está mal...e falam eles de preconceitos!!!)
LR, não esperes a vaga de fundo, põe-te mas é a escrever, que a malta agradece. A sério
Publicado por: Diogo em janeiro 20, 2005 01:11 PM
1. Estou com o Luis Rainha. Nao percebo a tempestade que alguns levantaram. O texto tem algumas partes discutiveis, mas so' isso. Os gays e os esquerdissimos que se revoltaram nao possuem a menor ideia do que e' a liberdade que invocam.
2.O Filipe Moura nunca escreveu um texto de jeito. Nem um.
Publicado por: Daniel em janeiro 20, 2005 01:28 PM
O que é que eu vou escrever aqui? Que acho que os dois (Luis e Filipe)tem razão.
Oh Luis, a tua trilogia faz sentido, dá para perceber realmente que o que te levou a escrever aquilo tudo foi a parte dos amputados. A mim faz-me uma certa espécie que a internet surja como veículo de sugestão para tal comportamento e parece-me que a ti também.
Mais um exemplo de contágio semantico são as famosas crinacinha hiperactivas: não há mamã do sec XXI que não se queixe de que o seu rebento é hiperactivo só porque se recusa a ficar quietinho enquanto a mamã faz as comprinhas. O mairo problema disto tudo é, a meu ver, que quando o caso é realmente grave, não se lhe dá a devida atenção.
Tivesse sido este o teu assunto e ninguém se chateava. Agora ir mexer em assuntos de homossexualidade é detonara bomba, não importa se se diga bem ou mal (o que quer que seja bem ou mal, para o caso).
On top of that, não é difícil ler no que escreves que "sem ninguém ter informação nenhuma é que estavamos bem". Eu acho que percebi onde querias chegar, mas acho tão grave o acesso descontrolado á informação disponível na web como a maior parte, se não toda, dos Jornais Nacionais da TVI.
Mas sejam crescidinhos, e deixem-se de fitas um com o outro.
behave
Publicado por: Joana em janeiro 20, 2005 01:29 PM
Há gays normais da cabeça? Há, claro. São a maioria. E há gays passados da cuca? Também há, e são sobretudo os que ditam normas.
Que o Luís Rainha se sinta infeliz com intervenções politicamente correctas, percebe-se, e percebe-se muito bem.
Mas não é caso para desistir, meu caro. Ias dar-lhes dar mais essa vitória? Take it easy, Luís.
Publicado por: fernando venâncio em janeiro 20, 2005 01:55 PM
Mas quem é o Francisco Frazão?
Olha lá Luis, porra, liga lá a porra do télélé ou vai ver o teu mail, que preciso de falar contigo sobre assuntos bem mais agradáveis.
Publicado por: Monty em janeiro 20, 2005 02:03 PM
O Luís - simpático - não disse, mas importa dizê-lo: esses gajos da «barebacking» são uns filhos da puta acabados, que se impunha perseguir judicialmente. Sem contemplações. Defendê-los, mesmo só «compreendê-los», é igual à defesa, ou à «compreensão» por aquele senhor no Vaticano, que proíbe o preservativo. São, uns e outros, criminosos.
Publicado por: fernando venâncio em janeiro 20, 2005 02:05 PM
Filipe, nunca escreveste nada decente neste blog. Só aquelas coisas inúteis sobre as conferências a que foste e mais nada. Ainda por cima num mau português. Este teu post roça o limite do ridículo. Só pode ter sido escrito por alguém insuflado, que tem um ego alimentado não se sabe bem pelo quê. Pela escrita não é, claramente. Por isso a única atitude séria a tomares será saíres também do blog.
Publicado por: HP em janeiro 20, 2005 02:11 PM
Estou com o Pedro Vieira, 1º comentário, ao lembrar que é de polémicas que se faz a animação dos blogues vocacionados para a discussão (ou qualquer outra comunidade, "virtual" ou "real", utilizando outros formatos).
Li a trilogia do Luís na diagonal, pois a temática não me interessa o suficiente para o gasto de atenção requerido a ler um amador sobre o assunto. Para mais, a linha de raciocínio do Luís, na minha opinião, desembocava em algo banal: "Saber, por vezes, só dá poder às zonas menos salubres das nossas mentes. ", onde se tratava com vulgaridade o conceito de "saber" e se postulava uma moral da patologia arbitrária e confusa - embora a tese de ser a informação uma fonte do "mal" pudesse suscitar relevantes discussões, caso o caminho trilhado pelo texto tivesse sido outro.
Sei que acomplexidade dos temas aludidos é tal que nem os especialistas se podem considerar imunes à reacção emocional, corporativa, política; quanto mais para um maduro qualquer que escreve com a diletância típica em blogues. Mas não é essa a questão que importa mais.
Importa é aconselhar os envolvidos (ao limite, toda a equipa do BdE) a irem jantar juntos, regarem de vinho alentejano o repasto e do alto da embriaguez aceitarem as evidências: não se lava roupa suja em público; a palavra escrita não deve substituir a palavra cara-a-cara; um blogue não é um Diário da República; todos temos direito à ambiguidade e ela recomenda-se; a vaidade do animal humano é apenas um estado transitório na evolução cósmica.
O Filipe Moura pode ter sido, mais uma vez (palavras dele), desastrado - mas ele fez bem em tentar proteger a integridade da comunidade, tem mérito e sentido.
O Luís Rainha pode estar a ser, e até com o apoio de vários, galhardo na demissão - mas ele falha a oportunidade de estabelecer e reforçar laços de compreensão, os quais são objectivo nobre da comunicação. Falha por se concentrar na espuma, esquecendo o mar que renova pelo movimento de correntes, ondas e marés.
Meus amigos, há vida fora da Internet. E hoje está um belíssimo dia de Janeiro primaveril.
Publicado por: Valupi em janeiro 20, 2005 02:23 PM
primaveril o caralho. Havias de estar aqui e sentir este briol nos ossos que se te ia logo a ideia da primavera.
Publicado por: Monty em janeiro 20, 2005 02:28 PM
Txiiii! Como isto anda. Será melhor que o bde passe a ser como a missa: todos os dias umas postas sobre assuntos previamente aprovados, e que aparecerão ciclicamente no blog. Assim evita-se a abordagem de questões sensíveis. Os papas do blog é que definirão o que é ou não aceitável (aliás, nesse ponto já se adiantaram).
E eu, também tenho que sair do meu blog se não fizer a continência a todos os lobbies que me apareçam?
Publicado por: zangalamanga em janeiro 20, 2005 02:36 PM
Para aumentar o granel, já cá faltava este Professor Caga-Sentenças Valupi!
Publicado por: Area51 em janeiro 20, 2005 02:36 PM
Meus caros,
Arrependo-me da frase sobre o nome no cabeçalho, não porque não a ache justificada mas porque não a devia ter feito em jeito de ameaça.
Se antes não me apeteceu explicar-me agora acho que tenho essa obrigação. Escrevo pouquíssimas vezes neste blogue, mas gostava de pensar que o podia fazer sempre que tivesse vontade. E o post em causa do Luis fez-me perceber que agora, mesmo que tivesse vontade, não o ia fazer. Por desconforto inultrapassável. Se concordo e gosto da grande maioria das coisas que se escrevem neste blogue há algumas que me fazem saltar a tampa. Às vezes de forma produtiva, como sobre o "The Village", outras levam-me a discussões estéreis nas quais preferia não me ter metido. Esta era uma delas. Para mim, foi a segunda vez que o Luis Rainha fez afirmações homofóbicas. Quando foi das "bichonas", só eu e o ZeroAesquerda nos indignámos; a maioria dos outros comentadores ficou, compreensivelmente, do lado de um blogger que à parte isto merece sem dúvida respeito e admiração. Desta vez, houve muitos mais que reagiram e repetiram à exaustão as frases muitíssimo duvidosas do Luis Rainha. Pensei que era demasiada coincidência e, como diz o Luis, "angustiei-me". Era mesmo questão da "esquerda" no nome do blogue. Já não era um pormenor, eram dois pormenores, daqueles que marcam o espaço se os outros colaboradores não reagirem de imediato. O meu cansaço (a minha angústia) deveu-se mais à ausência de reacção dos outros do que à tirada do Luis. Aliás, fui injusto, porque o Filipe já tinha esboçado uma resposta conciliadora. É que da outra vez senti-me isolado na minha posição, lendo um acordo tácito nos silêncios (ou equivalente) dos restantes. Achei desta vez que era essencial uma clarificação e julgo que foi isso que o Filipe quis fazer. Acabou por se meter em mais uma "alhada", mas quem o ataca aqui fá-lo mais em defesa do Luis e fechando os olhos à situação concreta. É um post honesto, tanto assim que estou aqui a tentar sê-lo o mais possível (devo-lhe isso). Meus caros: ataquem-me agora a mim enquanto vou ali tratar de uns assuntos. Logo volto.
Uma palavra então sobre o post inicial do Luis. [Não me apetecia meter-me nisto, não queria perder-me em detalhes sobre amputações e bug chasers, o essencial não é isso e o Luis gere a argumentação com tenacidade e habilidade - em volta dos detalhes.] O parágrafo onde leio preconceito é este:
"O Distúrbio da Identidade de Género, ainda considerado doença pelo DSM – aliás, como o travestismo –, é apresentado, em sites como este ou em infindos quiosques de pornografia, como algo de perfeitamente "normal" e "saudável". Assim, indivíduos com as mesmas patologias podem agrupar-se e reforçar mutuamente as suas inclinações, que de outra forma talvez nunca assumissem grande importância."
As palavras-chave são as que estão entre aspas, que revelam o ponto de vista de quem escreve. Um transgender não é à partida uma pessoa doente. É alguém cujo género não coincide com o sexo. Não tem (e muitas vezes não quer) ser operado para fazer uma mudança de sexo. É mais uma questão de papel social, do modo como se é visto ou como se quer ser visto. O género é uma "performance", o sexo é biológico. Transformar o transgenderismo numa doença (algo de não "saudável") é anular esta diferença. É querer que haja apenas duas caixinhas de papéis sociais, a masculina e a feminina, os carrinhos e as bonecas, como se a biologia determinasse tudo. É este o preconceito que leio na frase do Luis, e é perigoso porque provoca reacções do mais rasteiro: é ler os comentários favoráveis ao seu post. Até logo.
Publicado por: Francisco Frazão em janeiro 20, 2005 03:05 PM
Pfff o que para aqui vai. Duas notas apenas:
1) O João Paulo é do PortugalGay.PT e não da Opus Gay.
2) Podem não gostar de travestismo neste blog, mas no drama-queenismo são imbatíveis, haja pachorra!!!
Publicado por: Boss em janeiro 20, 2005 03:24 PM
Pois é, Francisco. Atendo-me à tua crítica do meu post, digo-te o seguinte: claro que um "transgender não é à partida uma pessoa doente". O que escrevi (mais uma vez) foi sobre o "Distúrbio da Identidade de Género" que, esse sim, está perfeitamente catalogado no DSM-IV como doença que, no limite, poderá recomendar um procedimento cirúrgico. Não escrevi sobre Trangenderismo em geral.
Assim, quando escreves "transformar o transgenderismo numa doença (algo de não ‘saudável’) é anular esta diferença", estás a colocar na minha boca uma generalização que eu não subscrevi. Como o Boss, confundes um distúrbio clínico bem definido com o tal fenómeno generalizado que até engloba "uma boa percentagem dos homens portugueses por alturas do Carnaval". Daí eu ter falado, no post seguinte, em "muitos indivíduos"; nunca tomei a parte pelo todo, como verificarás se fores reler estes textos.
Publicado por: Luis Rainha em janeiro 20, 2005 03:34 PM
Só me ocorre dizer duas coisas muito simples:
- que gosto, gosto muito, com amizade do Luís e do Filipe;
- que os aprecio intelectualmente, sobretudo nos diálogos em que discordamos e esgrimimos argumentos;
- que o Bde é suposto ser um espaço de liberdade de expressão, até pra um gajo cometer erros (quando os comete, o que é sempre discutível.
Não é certamente um espaço onde seja suposto um visitante de esquerda chegar aqui e achar que é suposto pela maneira como ele vê a esquerda:
- que se diga e pense de determinada maneira, por uma presuntiva bitola da tolerância ou da intolerância;
- segundo um determinado quadro de valores dogmáticos a aguentar em bloco e defender em bloco;
- sem qualquer espaço para o rasgo intelectual individual;
- sem espaço até para o sarcasmo, sem espaço para a hipérbole, sem espaço para a discordância mais acesa e mais argumentada.
Cada vez mais me convenço, como gajo de direita que sou, que existem mais maus fígados entre os blogues da malta de esquerda, mais dogmatismo pela correcção do pensamento, menos bom humor, menos tolerância radical, do que existe nos blogues de direita ou nos blogues plurais que não se sujeitam a essa distinção.
E agora, um desabafo final: o Luís é 50% das razões que me levam a visitar o Bde diariamente. Porque não é um intelectual plebeu: não é um tipo previsível e consensual, que marre de lado ou a favor dos ventos mais fáceis.
Um abraço ao Luís e ao Filipe.
Disse.
Publicado por: gibel em janeiro 20, 2005 03:37 PM
Decidi não me meter nesta discussão porque havia/há uma muito mais interessante a decorrer em baixo, que mete arte e ciência. Só que, perante esta ameaça do Luís, sinto que tenho que escrever qualquer coisa sobre o assunto.
Primeiro ponto, li os posts e não me incomodaram por aí além. Os dois primeiros não incomodam e o terceiro só tem algumas passagens que podem incomodar pessoas. Que o Luís faz essencialmente referências parece ser irrelevante para muita gente: por uma lado até o pode ser, uma vez que não dá passagens de estudos que acham muito saudaveís estes casos, mas não se pode colocar o assunto de forma tão simplista.
E a forma simplista é ignorar o contexto em que os posts são escritos. Começa pelo título, que faz uma interrogação, não uma afirmação. Depois, o mesmo título refere a "Internet", o que remete imediatamente para um espaço de partilha de ideias, conhecimentos e experiências. Só depois segue por aí fora. Fala de doenças do foro psicológico que encontram local de debate e de "explicação contextualizada" na internet. Entre elas o Luís falou de amputados, mas também de "barebacking" e de transgenders.
Quanto ao primeiro não restam dúvidas para ninguém que tem de ser uma doença, não é crível que alguém saidável sinta que quer perder uma parte da sua anatomia.
O segundo caso já causou problemas. O Luís falou de gays que praticam o "barebacking" e a comunidade gay ficou irritada com o assunto. Talvez tenha razão, afinal, se há também muito heterossexual a praticá-lo, dever-se-ia fazer referência a isso. Pessoalmente não o sabia, quando soube do fenómeno pela primeira vez foi pelo lado da comunidade gay, num artigo de um jornal ou revista (não me recordo qual). Se o Luís também não o sabia (e eu estou disposto a dar-lhe esse benefício da dúvida) temos um caso de um erro. Um erro ainda não é delito de opinião, pois não? E mesmo que o seja, um delito de opinião não é delito de opinião, ou pelo menos não o deveria ser. Seja como for, não é com um berro que se resolve o assunto e foi essa a forma que apareceu para discutir os posts.
Quanto ao trangenderismo, falta saber uma coisa: se o Luís acha que é doença. O seu texto faz passar essa ideia. Se acha, temos então uma situação simples: diferença de opiniões. Ainda muita gente o achará, não será só o Luís ou qualquer outro autor que ele cite. Eu acho que não o é, mas não estou em condições de discutir o assunto de forma científica, sou leigo na matéria. Aliás, se há coisa que me aborreceu foi a forma como o Boss reagiu. Ao contrário do Luís, tenho apreço pelo Boss, com quem discuti algumas vezes nas várias caixas de comentários da blogosfera. Não esperava, contudo, esta reacção. Apontar para a definição lata do trangenderismo/transsexualismo é tapar o sol com uma peneira, qualquer pessoa sabe do que falava o Luís. Por outro lado, uma vez, numa discussão no Barnabé, ele aceitou a posição de um outro comentador que, educadamente, lhe fez ver que nada tinha contra gays mas que lhe fazia impressão ver um casal de homens a trocarem carícias em público. Esta posição dele perante o Luís foi talvez um pouco precipitada.
Chegamos agora ao Filipe. Não vejo qual a confusão entre o Luís e o Filipe. O que o Filipe tentou fazer foi louvável, foi demonstrar o seu apreço pelo Luís mesmo quando discordava do assunto. Se não o fez de forma correcta é assunto para os dois, não necessariamente para que um, outro ou ambos deixem de escrever onde quer que seja. Um blogue colectiva deve ter diversidade de opiniões, caso contrário mais valia assinarem todos sob o mesmo nome. Se o Filipe não fundamenta as suas objecções ao texto - e acho que não precisa necessariamente de o fazer naquele post, as divergências estão implícitas e, da mesma forma que o Luís remete para o autor referido, o Filipe remete para os comentários do leitor joão Paulo - então o Luís deve simplesmente pedir-lhe que o faça e dar-lhe tempo para o fazer. Não vejo nesta polémica toda razão para tanta cabeça quente.
Desculpem o texto longo e fica o pedido a toda a gente: não deixem de escrever, deixem os nomes no cabeçalho, conversem e voltem à vaca fria. pelo meio sigam o conselho do Valupi e metam-se a comer e beber juntos, apenas recomendo antes um bom queijinho com vinho do Dão.
Abraço a todos
Publicado por: João André em janeiro 20, 2005 03:46 PM
E correndo o risco de repetir a pergunta de outro comentador: Quem é o Francisco Frazão?
Afinal o Bde é o que se constrói diariamente pelas pessoas que efectivamente o fazem ou é a porra de um cabeçalho? Eu não venho cá pelo cabeçalho!
Publicado por: gibel em janeiro 20, 2005 03:47 PM
Francisco,
Fazendo também eu o exercício de releitura que te recomendei, reparo na proximidade infeliz de uma frase sobre a "comunidade transgender" e outra sobre o tal "Distúrbio da Identidade de Género". Se dei a ideia de estar a encarar como equivalentes as duas coisas, peço desculpa pela inabilidade.
É que, tendo lido a entrada do DMS-IV ("para que este diagnóstico seja feito, deve haver evidências de sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo", entre outrass passagens esclarecedoras) ficou para mim logo claro que isto não englobava todas as pessoas em que, como dizes "o género não coincide com o sexo".
Publicado por: Luis Rainha em janeiro 20, 2005 03:53 PM
Caro Luís Rainha
1) gostaria de poder estar ao pé de si para que, com a pontinha dos dedos, pudesse fazer cócegas no seu queixo e dizer: bilu-bilu.
2) os seus «posts» e os seus «comments» são de uma absoluta infantilidade. Só espero é que seja um homem de palavra e não faça como Santana Lopes que governa mais quando está demissionário do que estava na legítima (?) posse do principal cargo do governo. Demita-se, portanto, do «blog de esquerda».
3) a sua «homofobiazinha» ou «transfobiazinha» não está somente patente naquilo que escreveu sob o título de «Apanham-se doenças na net», está também implícito quando, nos seus «comments», refere sistematicamente que tendo tocado neste assunto (homossexualidade, transsexualidade) ofendeu um determinado grupo de pessoas (a que grupo de pessoas se está a referir?) e na «vaca sagrada» desse mesmo grupo. Quem lhe disse a si, e aos seguidores da mesma ideia, que eu (apesar de nunca ter sido mencionado o meu «nick name») sou homossexual? Será que preciso de ser tudo aquilo que advogo? Pelos vistos a resposta é afirmativa para Luís Rainha. Põe as coisas de um modo maniqueísta: quem não está de acordo com o que eu digo está contra mim! Mais, quem está contra aquilo que escreve, está dentro de um «determinado grupo» que se exalta apenas quando está em cauda a «sua vaca sagrada», passando-lhes um atestado de menoridade intelectual, ao qual não escapa sequer o colega de serviço (neste caso Filipe Moura também será homossexual ou transsexual!), já que não se apoiam num estudo de alta fiabilidade científica, como era, aparentemente, o seu caso. É momento para dizer que com amigos como você quem quer inimigos.
4) não vou entrar naquele jogo retórico de que, apoiados no «cientismo», se cometeram as maiores barbaridades da história ( o Holocausto, os 70 anos de comunismo soviético, and so on, só provam isso mesmo). Mas o que Luís Rainha não compreende, e vai sair sem compreender porque é incapaz de refectir neste momento, é que não estava em causa o tal relatório científico, mas a extrema ambiguidade dos seus «posts», a tremenda misturada de ideias, a incapacidade de entendimento de palavras que constituem insustos para o tal «grupo» que refere.
5) num país onde nunca se discute o essencial, e permitam-me que ponha este tema (a sexualidade) à frente de discussões sobre arte, as conclusões a que Luís Rainha chega, são de tal ordem «cultas» que parece que vive na Suécia (ou até mesmo em Espanha). Este tema só nos é melindroso porque a maioria da população é ignorante e homofóbica e não sabe discernir o que é uma doença do foro psiquiátrico de uma gripe. Como pode achar o Luís Rainha que o seu «post» alguma vez passaria como algo inócuo? Como pode o Luís Rainha pensar que ao usar a palavra «doença» para definir, indistintamente, fenómenos diversos poderia passar sem uma palavra de contrariedade?
6) enfim, desejo-lhe então felicidades na sua nova vida «bloguitíca», porque já o estou a ver com muito sucesso e com muitos seguidores daquilo que escreve; naturalmente faça-o sem possibilidade de comentários que é para não se ver a braços com críticas, muito menos «de grupo».
Publicado por: hetero_doxo em janeiro 20, 2005 03:56 PM
Sr. Doxo,
Mas quem é que estava a falar consigo ou de si?
E quem é que afirmou que esse tal "grupo de pessoas" teria de ser "homossexual"? Vá lá agitar os seus fantasmas à frente de outro qualquer, por favor.
Publicado por: Luis Rainha em janeiro 20, 2005 04:00 PM
Que gente tão mal disposta, tão fundamentalista, tão intolerante. Às vezes não há pachorra para os guardiões das minorias. Com tanta necessidade de encontrar os tais preconceitos passaram ao lado da questão central dos textos,e por acaso até creio que podia dar uma discussão interessante. Paciência.
Quanto aos companheiros, estás bem servido. Que pena
Publicado por: ic em janeiro 20, 2005 04:07 PM
Grande Francisco Frazão! Temos homem!
Escreveste mais neste comentário que o ano todo no Bde! O que nós temos perdido!
Publicado por: gibel em janeiro 20, 2005 04:18 PM
É impressão minha, ou este hetero doxo passou uma vez na vida pelo cruzamento com a Rua da Inteligência e nunca mais voltou ao bairro?
Publicado por: Jorge em janeiro 20, 2005 04:40 PM
Francisco Frazão:
Quem és tu? Já por aqui anda há um ano e nunca te vi, pá. O BdE é o Luis, o Filipe, o Zé Mário, o Tcher, e mesmo os outros, os que escrevem pouco.
Mas não os que não escrevem nada e quando escrevem vomitam veneno para cima dos outros que mantém o blogue aqui, fresquinho para tu leres - é que isto de ter um blogue dá um trabalho do caralho, meu.
Se isto não bastasse, que basta, o BdE não és tu, que não te reconheço o estilo. Porque não aproveitas ali o Doxo e fazes um blogue com ele, pá? O estilo parece ser aproximado.
Publicado por: Monty em janeiro 20, 2005 05:01 PM
Realmente, tem um séquito bem interessante sr. Raínha (no caso do «jorge» pode mesmo afirmar-se que gordura é «inteligentura»)! Pelo teor da sua resposta não preciso mesmo de dizer mais nada!
Publicado por: hetero_doxo em janeiro 20, 2005 05:35 PM
Luis,
Antes de chegar ao fim dos comentários, pensava precisamente chamar-te a atenção para a proximidade das frases onde deslizas do transgenderismo para o transexualismo.
Acho que o problema principal são essas oscilações, que por vezes têm a ver com excessos retóricos. Se no primeiro post das doenças da net és muito cuidadoso com a transitoriedade culturalmente determinada do que é ou não doença, no segundo falas de um "manancial inesgotável de taras" - foi-se a cautela, transbordou o retórico copo. E o terceiro post surge como ilustração desse mesmo manancial, espécie de catálogo oitocentista que mistura tudo, (quase) sem salvaguardas. Em suma: consegues argumentar recorrendo ou ao enquadramento global dos três posts ou esmiuçando o pormenor da frase em causa. Mas se o leitor viajar entre os dois níveis, a tua posição torna-se insustentável. O problema, para mim, é que já tinha visto isto a acontecer na polémica anterior. O quadro da "transfobia", que não sei se está no DSM, aplica-se às tuas frases tal como as li na altura e como as leio agora. São juizos indutivos, mas um mais um já faz dois casos... É só isto.
Publicado por: Francisco Frazão em janeiro 20, 2005 06:21 PM
Mas vocês não podem PARAR de discutir isto aqui? Mandem mails, messenger, telefonem-se, qualquer coisa. Mas acabem com este espectáculo TRISTE, DEMASIADO..
Publicado por: HP em janeiro 20, 2005 06:36 PM
Seu HP,
Incomodado? Vá dar uma voltinha. O Valupi disse que o tempo, aí na pátria, está primaveril. Aproveite.
Isto é para pessoas com algum estômago.
Publicado por: fernando venâncio em janeiro 20, 2005 06:48 PM
Francisco,
A frase que citas do segundo post, é como segue: "E hoje, com um manancial inesgotável de taras, comportamentos auto-destrutivos e novas modalidades de loucura ao alcance de um click, que inauditas epidemias estarão a incubar nos meandros da Web?"
Repara, por favor, que tratei de ilustrar as tais "taras" com um link, que aliás nada tem a ver com sexo.
Que tenhas deduzido que o terceiro texto da série seria a ilustração desse "manancial", é uma confusão que eu talvez tenha inadvertidamente provocado, mas não é afirmação de todo correcta. Por sinal, até só referi o "Distúrbio da Identidade de Género" porque Carl Elliot e uma autora transgender o apontam como tendo paralelos com a BIID, que era mesmo o meu "alvo". Fi-lo reforçando as cautelas expostas no primeiro post (onde deixei claro que até a homossexualidade já foi encarada como "doença") com o uso da palavra "ainda".
Se queres que esclareça a minha opinião pessoal, não acredito de forma alguma que todo o pessoal da comunidade transgender esteja doente; mas não vejo qual o problema de aceitar que alguns indivíduos caem no quadro descrito pelo DSM-IV, necessitando até, nalguns casos, de uma intervenção cirúrgica.
Obrigado, sinceramente, por expores - ainda que só depois de a isso instado - as tuas discordâncias de forma frontal e leal.
Publicado por: Luis Rainha em janeiro 20, 2005 06:56 PM
Estou a gostar do rumo da conversa. Meus senhores, está a fazer-se política.
E aqui vai uma provocação simpática para o Luís Rainha: compadre, gosto de te ver no planalto onde te consegues fazer ouvir. Chama os outros para aí também, ou vai ter com eles.
Não está em causa obedecer à mania (fraqueza desgraçada) de fazer as pazes com tudo e com todos, antes o libertar a gana para o bom combate. Pois uma coisinha é certa, a de que os direitos para uma orientação sexual livre são matéria aceite e gradualmente instituídos por esse mundão afora. Havendo, ainda e sempre, muito por fazer, já ninguém pára esse movimento.
Concomitantemente.... colhe resistir às "vontades de poder" que habitam em todos nós, e, portanto, nos até há pouco perseguidos e ofendidos. Está em causa permitir o eventual erro (se é que existiu, pois o Luís diz que não e argumenta estar do lado da interpretação) em prol da liberdade de expressão. Nisto, estamos todos unidos.
Publicado por: Valupi em janeiro 20, 2005 08:06 PM
Eu fiz quase um voto de não me envolver nesta discussão, porque me tinha envolvido muito na anterior e não queria que transparecesse a ideia errada de que tenho uma embirração ou inimizade pessoal com o Luís Rainha. Isso não é verdade, não o conheço pessoalmente e, pelo que vou acompanhando aqui no Blogue, acho-o uma pessoa bastante estimulante do ponto de vista intelectual e, de um modo geral, feliz naquilo que escreve e na forma como escreve. O que se passa é que nesta questão em particular discordamos muito. O Rainha parece-me ter uma visão demasiado conservadora no que a este assunto diz respeito. O problema com os transgenders é de ordem social. A sociedade aceita individuos com comportamentos masculinos ou femininos e nada pelo meio. Os transgenders ocupam precisamente esse espaço pelo meio. Há uns em que as pressões de uniformização social são tão fortes que são obrigados a optar por um sexo ou por outro, de maneira a enquadrar os seus comportamentos com os rótulos que já existem. Falar de doença do foro psiquiátrico nestes casos é errado. O que existe sim é uma doença social que origina estados depressivos, que só encontram regressão em operações de mudança de sexo. Não se trata de realização só pessoal, mas sim de tentar um enquadramento social aceitável. Comparar estas operações com as outras (as de amputação de partes do corpo), parece-me errado. As motivações são muito diferentes e os resultados também. Num caso visa-se a integração numa sociedade quadrada, que não aceita bem a diferença. No segundo caso, a motivação já é de ordem individual e de ordem psiquiátrica. Retomando o que disse nessa outra discussão, o que está profundamente errado é criticar o "comportamento de bichonas" e não aceitar esses comportamentos como normais e potencialmente construtivos para o ser humano.
Publicado por: ZeroAesquerda em janeiro 20, 2005 09:10 PM
resumo:
o filipe moura ficou incomodado com o texto mas não sabe bem porquê (cada um tem a sua opiniao, o Luis é um gajo porreiro, a esquerda é plural etc etc)
o francisco frazão está vivo
o luis rainha diz alguns grandes disparates mas escreve também coisas bem acertadas no artigo em causa. ninguém quer saber. as minorias revoltam-se em tom menor. os gays saltam para a caixa dos comentários prontos para atacar os fantasmas de sempre, com comentários disparados em modo automatico sem atender ao contexto das palavras-gatilho: "doença", "transgender" ...
o luis rainha enrola-se nos seus proprios argumentos. complica o que era claro. atrapalha-se. confunde quase tudo. às vezes é blá-blá-blá outras nem por isso, no entanto, todavia.
doentes somos todos e não é pouco
Publicado por: D em janeiro 20, 2005 09:13 PM
Bom, depois de ler todos os posts e respectivos comentários sobre a implícita "heresia" como praticamente lhe chamam ao longo de bastantes comments, tenho a dizer que em minha opinião que estou perfeitamente solidário com os textos do Luis Raínha e do José Mário, eles sim, os verdadeiros motores deste blog, eles sim os individuos que fazem com eu e muita gente visite este blog diáriamente.
É lamentável que se tentem inverter as posições sistematicamente, haja paciência, a falta de seriedade e de argumentação é atroz.
Onde raio está escrito que a esquerda seja ela qual for tem de se posicionar toda na mesma coordenada?
Fala-se em Homofobia e outras cenas que taís, entendo que muita poluição se fez também aqui nessa matéria, muita gente vem aqui afirmar-se tolerante com uma data de cenas, mas, provavelmente no dia-a-dia terá posições bem diferentes.
Sou heterosexual assumido sem tretas nenhumas, tenho amigos homosexuais há muitos anos, aliás parte deles amigos de infância, não tive qualquer tipo de pensamento ou posição homofóbica, mas, não consigo tolerar, nem num homem nem numa mulher comportamentamentos perfeitamente desenquadrados, não falo do socialmente correcto, estou-me nas tintas para isso, falo de comportamentos incomodativos por parte de alguns homosexuais que mais não fazem do que se exibir como se precisassem de afirmar sei lá o quê..
Já estive em diversas festas gays, sem qualquer tipo de prurido ou coisa que lhe valha, as pessoas devem é respeitar-se, respeitar as liberdades individuais. Se elas forem respeitadas, provavelmente muitas situações não aconteceriam como esta que assistimos neste blog por causa de 4 "posts" do Luis.
A ideia com que fiquei é que de facto os intolerantes e sim os verdadeiros homofóbicos foram os autores de "n" comentários que li aqui.
Haja paciência, de resto o monty, o gibel já falaram o suficiente sobre a matéria.
Um Abraço Luis, e manda às urtigas a falta de camaradagem e solidariedade de alguns..
Não em nome de consensos, mas em nome da verticalidade com que nos tens habituado nos teus textos.
Publicado por: bin_tex em janeiro 20, 2005 09:35 PM
Bem, a quem me chamou "idiota útil" gostaria de responder que "idiota" até talvez seja; "útil", já duvido muito, mas aceito; agora, "idiota útil" é que não sou e nem nunca fui. Sempre assumi, e assumo, tudo aquilo que aqui escrevi.
Luís, se eu não fui mais explícito nas minhas críticas foi porque, apesar de não parecer pela hora a que foi publicado, aquele texto ter sido escrito a horas bastante impróprias. (Não és só tu que, se calhar, passas demasiadas horas agarrado a esta coisa.) Se não foi logo publicado, às horas impróprias, foi porque o servidor weblog, para não variar, estava em baixo. E se só te respondo agora, é porque durante o dia sõ posso eventualmente responder a comentários rápidos, e não elaborados, como este tem de ser.
De qualquer maneira, deixei bem explícito que o que eu tinha a criticar tinha sido já bem apresentado pelo João Paulo, que afinal é do PortugalGay e não da OpusGay e que eu nunca vi mais gordo. Que fique também claro que não te critico por abordares estes temas: como diz o Jorge Candeias, eu também sou contra tabus. Agora, especialmente com temas delicados, tem de se ter muito cuidado com o que se afirma. Sumarizemos então.
As críticas começariam logo na associação do "barebacking" a homossexuais, mas aqui, sim, parece que reconheceste o erro.
Eu estudei Saúde no secundário, Luís. E a primeira definição que se dava era justamente a de doença (e saúde: ausência de doença). Era a definição mais actual, estabelecida pela Organização Mundial de Saúde. Já nessa altura te garanto que o travestismo, por si só, não se encaixaria na definição de doença. Desde então - e estamos em pleno séc. XXI - com certeza que nessa matéria não se regrediu. Eu não andei a ler todas as tuas hiperligações, mas a afirmação que fazes de que o travestismo (em geral) é reconhecido como doença pela DMS foi desmentida pelo João Paulo (que sempre me pareceu, para além de um comentador de boa fé, como reconheces, alguém que sabia o que dizia), que esclarece o único caso em que tal é verdade (e que, embora não tenha ido confirmar, se encaixa no que aprendi...) Esta diferença entre o que afirmas e o que afirma o João Paulo não é nenhuma "minudência", e deita por terra grande parte do que dizes no texto original. Pois nos comentários continuas a não ver essa diferença e a afirmar o travestismo como doença.
Depois há a questão peregrina da associação entre a apotemnofilia e o desejo de mudar de género, defendida "por especialistas como Carl Elliot" (conhece-lo de onde?). Luís, se queres defender um tema, das duas uma: ou és tu especialista da matéria, ou se não és vais-te informar bem, e então convém que o que defendes seja mais ou menos unânime entre os especialistas. Ora, não parece ser esse o caso da ideia que defendes. E sempre que alguém te atacava esse ponto de vista, lá vinhas tu sempre com a cassete dos teus doutores (é aqui que eu me referia a repetires ideias que não são tuas). Tu e os teus doutores fazias lembrar o Kramer e os amigos que lhe ligavam de madrugada ou o Artista Bastos e os antifascistas que só ele conhecia... De resto, como te lembrou o João Paulo, o César das Neves também é doutor. Resumindo: repetias sempre a mesma ideia e não conseguiste fazê-la passar. É isto que eu tinha a dizer do teu texto.
Rapaz, a medicina não é nenhuma ciência exacta, há muitos efeitos a ter em conta que é difícil identificar separadamente. Eu não ponho em causa o Dr. Carl Elliot, mas não sendo médico não defenderia assim com unhas e dentes um artigo (há tantos artigos! - e isto também vale para as ciências exactas!) que não venha nos compêndios.
Há ainda a questão de me acusares (tu e mais leitores) de te terem "mostrado a porta". Epá, eu não te exigi nada, e nem tenho o direito de exigir seja o que for. No fundo o que te dizia com aquele SE a negrito era que não concordava contigo, e que se não te explicasses melhor, que guardasses as tuas opiniões para ti, no sentido que eram só tuas (eu, pelo menos, não as subscrevia). Trata-se de manifestar uma discordância (exactamente o que me fizeram com o "affaire judaico"); julgo que tenho esse direito, e nunca entendi isso como um "ultimato"! Até porque eu não estou, e nem quero ou quererei estar alguma vez aqui no BdE, numa posição de fazer ultimatos.
Depois, ainda há uma questão que eu sei que não gostas nada, que é "como os textos podem ser lidos". Luís, as trapalhadas em que me meti - a última foi a da gralha no DNa - têm sempre a ver com a forma como as coisas podem ser lidas, se forem lidas por quem não te conheça ou não conheça o blogue. Epá... as coisas são o que são. Disto o Zé Mário falará melhor, mas não creio que quem entre no blogue e dê com o teu texto (3) fique com muito boa impressão. Mas, repito, isto é com o Zé Mário.
Face a tudo isto, quero-te pedir que reconsideres a tua decisão de suspenderes a tua participação. Espero sinceramente que voltes atrás.
Finalmente, gostaria de apelar à desdramatização (agora falando a três com o Luís e o Francisco). Situações semelhantes a esta que estamos a viver no BdE já aconteceram no "Afixe", no "Blasfémias", no "Renas"... É normal que sucedam em blogues colectivos com polémica. E resolveram-se. Só não sucedem no Barnabé porque os seus autores se conhecem quase que desde o infantário. Algum dia haveria de suceder ao BdE. Como diria o Artur Jorge, é "perfeitamente normal". Estou certo de que também se há de resolver bem, com TODOS, como nos outros casos que referi. "Na Gália, tudo acaba em cantigas."
Um abraço forte para vocês, que estendo ao Monty, ao Gibel, ao João André, ao Valupi...
Publicado por: Filipe Moura em janeiro 20, 2005 10:14 PM
ZeroAesquerda, é verdade que a sociedade tende a impôr um grau elevado de normalização, mas já não é verdade que seja essa a motivação que leva às operações de mudança de sexo. Em primeiro lugar, porque a normalização socialmente imposta não se resume ao comportamento sexual ou de género, e nem sequer é uma coisa determinística e gravada em pedra, antes se espalha por uma série de ramificações frequentemente contraditórias. E em segundo porque há pessoas a viver vidas com uma identificação de género oposta ao seu sexo biológico e que não passaram (nem querem passar) por operação nenhuma. O segundo ponto, penso, é suficientemente claro, mas relativamente ao primeiro, um par de exemplos para se perceber melhor:
Há tempos, o Luis Rainha foi crucificado pelos patrulheiros do politicamente correcto por se atrever a manifestar o seu desagrado pessoal face a comportamentos exibicionistas de "bichona". A normalização social que esses patrulheiros do politicamente correcto tentaram impôr nesse caso concreto foi a proibição do direito que cada um de nós tem de não lhe agradarem determinados comportamentos, sem que isso implique uma qualquer "fobia", ao mesmo tempo que a rotulagem de homofobia foi instantânea. Ou seja: naquilo que é aparentemente uma reacção contra uma normalização social discriminatória, esta malta procura impôr uma outra normalização, uma que agrade mais à sua visão do mundo, mas que acaba por ser tão discriminatória como a original: quem se atreve a não seguir linha a linha a sua própria ortodoxia é imediatamente rotulado e insultado.
Outro exemplo, só aparentemente diferente: há uns anos largos, deixei crescer o cabelo e passei a usá-lo preso em rabo de cavalo. Imadiatamente houve quem, mesmo dentro da minha família, se convencesse de que me tinha "invertido" (sic). Ainda hoje, depois de tantos anos em que homens de cabelo comprido são uma visão minoritária mas relativamente comum nas nossas ruas, ainda me aparece a ocasional boquinha. É que segundo a normalização social em certos grupos, é suposto que os homens usem cabelo curto...
... tal como a normalização social em outros grupos obriga a que ninguém se atreva a manifestar desagrado perante certos comportamentos - desde que esses comportamentos não sejam condenados pelo grupo, claro está. O fenómeno é idêntico: um misto de tendência normalizadora, de intolerância e de incompreensão de alguns dos mais básicos mecanismos que nos levam a gostar ou não gostar uns dos outros.
Eu cá, perante os tipos que chegam a conclusões patetas a partir do meu cabelo comprido, encolho os ombros. E o cabelo comprido continua cá, umas vezes com barba a acompanhar, outras sem. E encolho os ombros porquê? Acho mais lógico, razoável e inteligente não gostar de alguém por causa do seu exibicionismo do que por causa do seu penteado, porque acho mais lógico, razoável e inteligente gostar ou não das pessoas devido aos seus comportamentos do que devido à sua aparência, mas se alguém não gosta de mim por causa do meu cabelo comprido está no seu direito. Também está no seu direito achar que sou gay por usar o cabelo comprido, tanto como eu estou no meu direito de achar esse alguém estúpido.
É isto que significa uma palavra tantas vezes mal usada: tolerância. Tolerância perante o que nos agrada mas, muito mais importante do que isso, tolerância perante aquilo que não nos agrada.
Publicado por: Jorge em janeiro 20, 2005 10:28 PM
Como disse num comentário curtinho no 3º post do LR, esta polémica passou-me ao lado. Apesar de quase todos os dias vir ao BdE, faltou-me mesmo o quase Tinha lido os 2 primeiros posts, os que não causaram questão, e até tinha ficado à espera da continuação. E, ou é por hoje já estar um bocado cansada, e pouco lúcida, ou não vejo o motivo de tanto alarido. Realmente não gostei do 3º post como costumo gostar de tudo o que o Luís escreve, mas porque o achei um pouco confuso e a querer meter lá muita coisa. Mas, exactamente porque tinha lido melhor os 1ºs, tinha presente que ele tinha dito que, nestas coisas, o que era verdade numa certa época já não o era numa outra, e até tinha citado vários exemplos. Como eu tinha isso como base, li o que ele escreveu sempre sob essa luz. E fiquei mesmo admirada com pessoas que começaram a discutir “lendo” coisas que ele não disse. Ou pelo menos tirando conclusões. Ao contrário do Luís até gosto do Boss, mas também me pareceu que ele viu escritas duas ou três palavras que ressaltaram de todo o texto, e foi reler tudo o que lá estava à luz dessas palavras.
Sinto o que já alguém aqui disse. O Luís Rainha é uma enorme fatia do BdE. Para mim, e creio que para muitos, este Blog são uns 4 ou 5 nomes. Uma vez escrevi no Afixe, um texto mais ou menos piegas onde dizia muito sinceramente porque gostava deles. Parecem-me insubstituíveis. Não quero ofender, mas o Francisco Frazão parece-me “substituível”, até por um espaço em branco. Nunca se deu pela sua presença, não se iria dar pela sua ausência. O Luís sim. O BdE não seria o mesmo sem ele. Sem as suas provocações. Sem o seu humor. Sem os seus conhecimentos. Sem a sua escrita.
Enfim, vocês é que sabem.
Publicado por: Emiéle em janeiro 20, 2005 11:22 PM
Caro Filipe Moura, às vezes dá-se de caras com os seus textos e também não se fica com grande impressão do blogue. Muitas vezes, até.
Publicado por: D em janeiro 20, 2005 11:43 PM
Palmas!!
Publicado por: hetero_doxo em janeiro 21, 2005 12:02 AM
Barebacking é uma actividade praticada por estúpidos. Heterosexuais e homosexuais.
Vestir-se de uma maneira geralmente usada pelo sexo oposto é uma actividade praticada por excêntricos e/ou exibicionistas (foliões carnavalescos não deixam de ser exibicionistas). Heterosexuais e homosexuais.
Por outro lado quem tem necessidade de uma cirurgia para mudança de sexo é doente - da mesma maneira que o é quem corrige cirurgicamente o nariz - tem ou julga ter um problema que necessita de intervenção médica.
Quanto à malta que deseja ser amputada, estamos perante doentes muito estúpidos
Finalmente lembrem-se todos que o mundo não rebenta porque se escrevem umas parvoices na rede.
Quem não gostou do post do Rainha, encare-o como uma piada. E quanto ao Rainha, deixe-se de atitudes à Santana e volte a escrever. Rainha, defendeas tuas ideias como um macho raçudo e deixa de ser maricas.
P.S.: acima macho raçudo tem o sentido de homem corajoso e maricas tem o sentido de medroso. Deixem de ser PC (em ambos os sentidos)
Publicado por: Nuno Anjos em janeiro 21, 2005 01:06 AM
Jorge, a tua argumentação é um pouco tortuosa e nem sempre tive a certeza de que tivesses lido com atenção o que disse no meu comentário. O apelo que fazes pela tolerância é o que eu faço também. Apenas penso que o teu conceito de tolerância aceita estas intoleranciazinhas e o meu não. Eu acho que nenhum tipo de comportamento não destrutivo deva ser discriminado ou visto com maus olhos ou considerado doença. E luto, mas com as minhas forças todas, contra esse modo estreito (arcaico)de ver e rotular o outro.
Publicado por: ZeroAesquerda em janeiro 21, 2005 03:04 AM
"há pessoas a viver vidas com uma identificação de género oposta ao seu sexo biológico e que não passaram (nem querem passar) por operação nenhuma."
Sim, verdade. Mas o que é que isto te diz? Diz-te que há pessoas doentes e pessoas não doentes entre os trans-genders como quer o Rainha? Ou diz-te que apenas há pessoas diferentes, umas que têm força suficiente para enfrentar a normalização social e outras que não?
Publicado por: ZeroAesquerda em janeiro 21, 2005 03:14 AM
ZeroAesquerda, a questão é que o teu raciocínio te leva por ratoeiras chatas. Por exemplo: que diabo vem a ser "comportamento não destrutivo"? O César das Neves e os que pensam como ele argumentam, e com alguma legitimidade, que a destruição de todas as hipóteses de reprodução biológica, seja por via fisiológica, seja por via comportamental, é um comportamento destrutivo. É precisamente este argumento dos comportamentos destrutivos que justifica grande parte dos verdadeiros discursos homofóbicos que se vê por aí. É uma ratoeira ou, na melhor das hipóteses, um não-argumento.
Outra: como justificas tu que se pratiquem actos médicos em pessoas saudáveis? Que justificação pode haver para se receitar medicamentos, tratamentos ou até intervenções cirúrgicas a pessoas saudáveis?
Tal como disse no meu primeiro comentário a este post, estes assuntos são tudo menos simples e se há alguma coisa que se pode dizer com toda a certeza sobre eles é que todas as respostas simplistas que se lhes dá são erradas. Um transgender é doente? Como disse nesse mesmo comentário, não sei. Mas já agora, deixem-me dizer também o seguinte sobre o que é ser doente:
Eu tenho pé de atleta. Como saberão, é uma micose que ataca frequentemente os pés e, menos frequentemente, outras partes do corpo. Também tenho uns quantos dentes cariados e outros que já entregaram a alminha ao criador, substituídos por uma prótese. Tenho uma deficiência visual que me obriga a usar óculos. Tenho caspa. Tenho uns dez quilos a mais. Provavelmente terei mais umas quantas patologias mas, em geral, sou um tipo saudável. Porquê? Porque não tenho nenhuma doença grave, o que faz com que funcione normalmente em sociedade. Mas tenho várias doenças crónicas que ou são ou poderiam ser tratadas. Ou seja: se a minha saúde for encarada sob o ponto de vista das minhas patologias, sou um doente.
Um doente não é um coitadinho que merece ser tratado com especial deferência e que é incapaz de se desenvacilhar sem ajuda. Doentes somos todos nós. Por vezes as nossas doenças são invisíveis, outras vezes são visíveis, umas são mais incapacitantes, outras são-no menos ou nada, mas de uma forma ou de outra a doença não deveria ser um estigma. Se (e repito se) o distúrbio de género for uma doença, é só mais uma e não deve ser nenhum bicho de sete cabeças. O verdadeiro problema está em quem não encara essa doença, se for doença, com a mesma naturalidade da caspa.
Publicado por: Jorge em janeiro 21, 2005 11:48 AM
"Desenvacilhar"?! Eu escrevi "desenvacilhar"?! Ai!...
Publicado por: Jorge em janeiro 21, 2005 11:49 AM
Jorge,
Sobre os comportamentos não destrutivos já tinha escrito na outra discussão. Entendo por comportamentos não destrutivos os comportamentos e atitudes que não atentam contra nenhum aspecto da integridade do outro. Por exemplo um comportamento destrutivo que foi falado nessa outra altura foi o do pessoal das tunas, dos hooligans, etc. Um exemplo de comportamento não destrutivo (e que pelo contrário pode ser construtivo, repito) é o comportamento dos transgenders. Os primeiros exemplos e os segundos são geralmente condenados pela sociedade, os primeiros bem, os segundos nem tanto. "Como justificas tu que se pratiquem actos médicos em pessoas saudáveis?" Eu já justifiquei no primeiro comentário que deixei aqui. A operação é o remédio possível para uma doença que não é individual mas social.
Publicado por: ZeroAesquerda em janeiro 21, 2005 12:01 PM
Filipe,
Vou começar pelas tuas críticas ao meu post: a associação do "barebacking" e do "bug chasing" a homossexuais poderá ter sido exclusiva demais, como já o admiti. Mas, francamente, ainda não encontrei sites em que os entusiastas heterossexuais desta loucura se organizem em "comunidades" como a que referi no post. E não esqueças que o dito cujo era precisamente sobre a cristalização de comportamentos tendo como suporte a Net.
O que tu me garantes ou não que encaixa na definição de doença não é nem um pouco relevante, por muitas aulas que tenhas recebido no secundário. E o "travestismo" nem é aquilo que de que está a falar.
O que o João Paulo "desmentiu" foi algo que eu nunca afirmei: que todas as pessoas que não se sentem inteiramente confortáveis com o seu género estão doentes (mais uma vez, o "travestismo", coisa algo diversa, nada tem a ver). Como o próprio citou do DSM-IV, para que haja doença, também se pede que "A perturbação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo". Por isso é que, no post em questão, escrevi "muitos indivíduos" e não usei a palavra "todos" ou construção equivalente.
Carl Elliot foi, durante anos, o único especialista a escrever sobre a apotemnofilia. E reforço o que afirmei: há paralelos entre a BIID, como agora se designa, e o Distúrbio da Identidade de Género. Para começar, porque são ambos dismorfias corporais, uma em que o indivíduo não se reconhece no género que lhe calhou em sorte, outro em que ele não se reconhece na morfologia do seu corpo. Tanto quanto me é dado ver, isto não será 100% unânime para os especialistas cujos trabalhos consultei, mas anda muito, muito perto disso (mesmo que não te "pareça" ser assim). Até, e isto é revelador, no caso da transgender Anne Lawrence, que tem um trabalho intitulado, imagina: "Theoretical And Clinical Parallels Between Body Integrity Identity Disorder And Gender Identity Disorder". No abstract pode ler-se algo como: "BIID appears similar in some ways to gender dysphoria or transsexualism, which is termed Gender Identity Disorder (GID) in the DSM-IV." Mas há mais, muito mais. Começa por procurar informação http://www.autogynephilia.org/NYPt1GIC&BIID_files/v3_document.htm ">aqui. Ou aqui,">http://nypisys.cpmc.columbia.edu/AR2002-03/divs/Biometrics-c.html">aqui, aqui,">http://www.biid.org/BIID%20Basics.htm">aqui, http://www.phil.mq.edu.au/staff/tbayne/amputees_by_choice.pdf ">aqui, http://nypisys.cpmc.columbia.edu/AR2002-03/annualreport2003.pdf ">aqui, ">http://www.overground.be/article.php?code=66&lan=en"> aqui ou http://arjournals.annualreviews.org/doi/pdf/10.1146/annurev.clinpsy.1.102803.144050 " >aqui.
E vê lá que até te ajudo: se queres conhecer alguns argumentos contra o estabelecimento de laços muito estreitos entre ambas as condições, lê http://ai.eecs.umich.edu/people/conway/TS/Bailey/BIID/BIID.html ">isto
Como vês, até me informei bem, e olha que este tema não é um interesse recente da minha parte.
Se a tal "associação" te continua a parecer "peregrina", talvez possas explicar porquê, recorrendo a fontes respeitáveis, não a "impressões" e outras emanações do tantas vezes traiçoeiro "bom-senso". E, já que estarás então com a mão na massa, vê se esclareces o que é que isto tem em comum com as tuas referências pícaras a "cassetes", ao Kramer e ao "Artista Bastos". Talvez julgues que a "medicina não é nenhuma ciência exacta"- se calhar, esse augusto papel está mesmo reservado para a Física-, mas, ao menos, podias ter tido o trabalho de investigar, por tua conta, a veracidade ou a sustentação das minhas afirmações, em vez de alinhares com críticas que entendeste tão mal que até misturas a terminologia nelas presente!
Mas não: ao contrário do Francisco, que acabou por apresentar objecções sobre as quais consigo discorrer, tu limitas-te a falar de "cassetes" e mandar para o ar uns "parece-me" e outras bocas sem qualquer apoio.
De resto, não me mostraste "a porta", nem o afirmei onde quer que seja. Mas também não manifestaste qualquer "discordância". Esta palavra implica um certo cuidado com o que se diz, coisa que não se encontra no teu ataque (que o foi, por muito que o disfarçasses com apelos ao meu arrependimento). É só comparares o que eu fiz no tal "affaire judaico" com a tua conduta de agora: tu, simplesmente, deixaste-te teleguiar pela indignação do Francisco e de um outro comentador e pumba!, trataste de escrever qualquer coisa que garantisse que o BdE não se tresmalhava da matilha do politicamente correcto. Em vez de comentares a tua discórdia, explicando-a de forma coerente e fundamentada.
E continuas muito contente com a tua atitude.
É precisamente com isto que não me apetece mesmo nada a conviver.
Publicado por: Luis Rainha em janeiro 21, 2005 01:20 PM
Zero,
Se bem entendi, a tua tese é que os trangenders não desejam mudar de sexo, antes procuram ocupar um espaço entre os "comportamentos" masculino e feminino. Seria a pressão social a obrigá-los a optar pela cirurgia.
Não digo que tal não seja verdade em alguns casos; mas não acredito que a psiquiatria ande assim tão a leste da verdade quanto a este fenómeno.
Como reza o manual, "Há dois componentes no Transtorno da Identidade de Gênero, sendo que ambos devem estar presentes para fazer o diagnóstico. Deve haver evidências de uma forte e persistente identificação com o gênero oposto, que consiste do desejo de ser, ou a insistência do indivíduo de que ele é do sexo oposto (Critério A). Esta identificação com o gênero oposto não deve refletir um mero desejo de quaisquer vantagens culturais percebidas por ser do outro sexo. Também deve haver evidências de um desconforto persistente com o próprio sexo atribuído ou uma sensação de inadequação no papel de gênero deste sexo (Critério B)".
É destas pessoas que se fala quando se fala de "doença", sobretudo se tal é acompanhado por "evidências de sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo".
Assim sendo, não me parece que a tua tese faça sentido para a maioria dos casos: essas cirurgias só são recomendadas precisamente quando há perigo para a estabilidade mental (e até para a vida) do indivíduo em apreço, caso permaneça agarrado às suas características sexuais originais.
PS: Filipe, deixei aqui um comentário a responder-te que ainda aguarada aprovação.
Publicado por: Luis Rainha em janeiro 21, 2005 01:59 PM
Luis: o que é isso do "aguardar aprovação"? Está tudo maluco, ou quê?
Publicado por: José Mário Silva em janeiro 21, 2005 02:08 PM
ZM,
No "Status", surge como "pending".
Estou aqui assoberbado de trabalho e sigo dentro de minutos para uma reunião; só bem mais tarde é que poderemos falar!
Publicado por: Luis Rainha em janeiro 21, 2005 02:12 PM
OK, fico à espera que me ligues. A ver se desenredamos este novelo.
Publicado por: José Mário Silva em janeiro 21, 2005 02:59 PM
luis
estou contigo
esta polemica é uma imbecilidade e a posição do filipe é, desculpa o termo, uma merda
para quem já deu barrracada pelo seu famoso artigo os judeus controlam os midia, ao bom estilo nazi, deveria ter um pouco mais de vergonha na car
mas....va lá não suspemdas os teus textos ou então funda o teu blog
se não a malta vai sentir saudades dos melhores textos do BDE
o filipe quendo não escreve sobre fisica ou paris não diz nada de jeito
Publicado por: sergio em janeiro 21, 2005 02:59 PM
Luis, não sei o que se passa mas aprovei (à mão...) o teu comentário. Respondo-te mais logo, ok?
Publicado por: Filipe Moura em janeiro 21, 2005 03:03 PM
Zero, então desculpa lá, pá, mas contradizes-te. Se só consideras doença quando existe comportamento destrutivo e entendes por comportamento destrutivo um comportamento ou atitude que não atentam contra nenhum aspecto da integridade do outro, então não compreendo como é que consegues ao mesmo tempo afirmar que os apotemnofílicos são doentes. Um tipo que se procura mutilar não está em nenhum momento a atentar contra a integridade do outro - está apenas a atentar contra a sua própria integridade. Logo, segundo a tua definição - que eu, já agora, não partilho - ele não pode ser encarado como doente nem sequer deve ser visto de forma negativa pela sociedade.
Pela mesma definição, um vândalo que se limite a destruir propriedade também não deve ser visto negativamente pela sociedade, visto que também não atenta contra a integridade do outro - limita-se a partir coisas.
Finalmente, eu não consigo perceber lá muito bem o que entendes por doença social. Referes-te a coisas como as "epidemias" de loucura errante que o Luis referiu nesta série de posts? Ou referes-te a doenças individuais causadas ou potenciadas por características da sociedade?
Se for o primeiro caso, julgo que não se aplica ao transgenderismo (mais uma pequena discordância com o Luis, visto que não me parece que se "apanhe" transgenderismo pela internet); se for o segundo, então a doença é, na mesma, individual. A sociedade nesses casos funciona apenas como o equivalente ao "meio de transmissão" da doença, mas é preciso que haja predisposição para que os indivíduos adoeçam. Numa analogia, nem todas as pessoas expostas a ambientes contaminados com o vírus da gripe adoecem de gripe - é preciso também que os seus sistemas imunológicos estejam suficientemente enfraquecidos.
Publicado por: Jorge em janeiro 21, 2005 05:54 PM
Meus caros.
As agruras do fecho de mais uma edição levam a que só agora tome devida nota do que aqui se passou. Lamento profundamente tanta discórdia e apelo, enquanto “facho” de passagem frequente pelo BdE, que o Luís e o Filipe - aos quais tenho em tanta conta que para mim quase passam por direitistas ;-) - possam conversar calmamente e, dentro do que os políticos chamariam a "salutar divergência de opiniões", continuar o bom trabalho a agitar as águas como até agora têm feito. A bem deste espaço livre que o Zé Mário criou e que todos nós, de forma mais ou menos intensiva, vamos mantendo.
Um bom fim-de-semana para todos.
Publicado por: Leonardo Ralha em janeiro 21, 2005 07:18 PM
Luís, escrever estes comentários dá-me um certo trabalho porque nunca me debrucei sobre estes temas, como tu. Embora compreenda os conceitos, nunca me lembro dos nomes dos "fenómenos". Tenho de estar sempre a voltar ao teu post para fazer "copy-paste", o que dá uma trabalheira do caraças. Mas adiante.
Na questão do barebacking, quem lê o teu texto julga que tal é característico dos homossexuais (mesmo que só de alguns e não de todos), algo que não é verdade e é grave de ser insinuado. Parece-te uma crítica pouco fundamentada? Uma "boca"?
Na questão do travestismo, que como te afirmei, afirmou o João Paulo, afirmou o Francisco, não é EM GERAL uma doença, vejo as frases
«O Distúrbio da Identidade de Género, ainda considerado doença pelo DSM – aliás, como o travestismo –, é apresentado, em sites como este ou em infindos quiosques de pornografia, como algo de perfeitamente "normal" e "saudável". Assim, indivíduos com as mesmas patologias podem agrupar-se e reforçar mutuamente as suas inclinações, que de outra forma talvez nunca assumissem grande importância.»
que poderiam ter sido afirmadas pelo Diácono Remédios ou pelo César das Neves (ou, mais cientificamente, pelo Sr. Prof. Dr. Daniel Serrão). E que tu nunca retiraste. Parece-te uma "crítica pumba"?
Finalmente temos a questão do (deixa-me ir ali à procura do nome), da, aliás, "apotemnofilia". Rapaz, aqui vou ter que ser elitista. Mas a ciência não é e nunca foi democrática, e quem disser o contrário é charlatão.
Em primeiro lugar, registo com agrado que o teu último comentário tem um suporte bibliográfico que o texto do post não tem. E que é lamentável que não tenha. Quando fazes afirmações como as que fizeste, têm de ser muito bem sustentadas. Qualquer leitor do teu texto original que mantivesse a cabeça fria e não se irritasse perguntaria legitimamente: Onde é que ele leu isto? Quem é o Prof. Carl Elliot? Faz o quê? Que artigos publicou?
Dizes que o Prof. Carl Elliot foi durante muitos anos o único especialista a escrever sobre a apotemnofilia. Por isso mesmo, tens de ter especial cuidado. Mesmo quando deixou de ser o único, quem mais trabalha no assunto? E sobretudo como é o seu trabalho aceite pelo resto da comunidade? Vai ver quem ele cita, e quem o cita a ele. São sempre os mesmos, uma "seita", um clube privado? Ou é um sistema aberto, com aceitação exterior? Se for o primeiro caso, então muito pouca importância tem a "aceitação quase unânime" que as teses do Prof. Elliot têm entre os especialistas da matéria.
Pega então em todos os artigos que indicaste sobre a matéria no teu comentário, sff, e vai averiguar o seguinte:
- onde trabalham os seus autores?
- em que jornais foram publicados?
- em que referências se baseiam?
- quantas citações têm?
- qual o factor de impacto dos jornais onde foram publicados?
- quantos artigos têm cada um dos seus autores?
Nas três últimas questões tens um trabalho extra, que é descobrir o padrão para a área científica em questão, para se poder aferir com propriedade, uma vez que estes diferem (e muito) dentro das diferentes áreas (e subáreas) científicas. Não faças como a Sra. Ministra Graça Carvalho, que põe tudo dentro do mesmo saco. Posso eu dar-te uma ajuda agora: o scholar.google.com e o web of science. Para usares este último, porém, tens de ir a um computador instalado num instituto de investigação. Não podes fazer boa investigação a partir de casa. Só um amador...
E não me peças a mim para provar que estás errado, pois para além de ter mais o que fazer do que andar a seguir os teus links todos (e muito tempo tenho eu perdido com esta questão), quem fez as afirmações foste tu. O ónus da prova é todo teu. E repito: especialmente para uma questão tão controversa (mesmo em termos científicos - esquece as questões de "PC" agora), esta informação deveria ter sido toda apresentada à partida.
Poderás perguntar-me: mas não basta apresentar um trabalho científico publicado? Tem sempre de se apresentar todos estes pormenores? E eu respondo: para ti não basta; tu tens. E explico-te porquê: que eu saiba tu não és um especialista na matéria, e o que apresentas, mesmo que bem intencionado, como ponto de vista "científico" pode ser na realidade um ponto de vista parcial. Se fosses de facto um especialista na matéria, capaz de olhar para este assunto com um horizonte de 360 graus, saberes distinguir bem o que é aceito por uma comunidade (e não "pelo prof. X e pelo prof. Y") do que é só uma hipótese e do que é mera especulação ou errado, se estivesses nesta situação, repito, aceitaria o que escreveste. Assim, não. Em última instância, se calhar (e aqui não posso afirmar isto definitivamente, porque não sei nem a tua formação, nem a pesquisa que fizeste em pormenor), SE CALHAR, repito, simplesmente não tens autoridade científica para escreveres o que escreveste. Se tiveres algum diploma em psiquiatria que eu desconheço, peço-te desde já desculpa.
Uma alternativa teria sido teres discutido tu com um desses especialistas, que considerasses sério e isento, e que te guiasse a pesquisa. E que lesse os teus textos e os comentasse. Assim, não... Os estudantes têm orientadores de doutoramento e examinadores, qualquer investigador tem árbitros científicos antes de publicar no jornal, e depois há o sr. Luís Rainha que no "Blogue de Esquerda" escreve umas coisas. Bem sei que isto é "só um blogue", mas que felizmente é visto como um "blogue de referência" (li isto não sei aonde; não sou eu que o digo). Eu gosto que seja visto como um blogue sério, no sentido de credível (não de sisudo). Já te comparei ao Kramer e ao Bastos (e esqueci-me do Peninha, ainda mais adequado), mas a melhor analogia para a tua situação é mesmo a do "Aprendiz de Feiticeiro".
Há ainda a questão de interpretares o meu texto como um "ataque" pessoal. Bem, eu tive o cuidado (e principalmente porque te conheço) de te defender de todos os ataques ignóbeis, pessoais, de que tinhas sido vítima. Tal como, aliás, me fizeram (tu e os outros membros do blogue) na "crise judaica". O "ataque pessoal" não pode ser por aí.
Falas que te mandei umas "bocas". Bem, umas "bocas" é o que o teu texto é, ou pelo menos é assim que eu o vejo. Umas "bocas" provocatórias escritas por alguém que até nem é homofóbico (outros textos teus demonstram-no), que até é um gajo porreiro e tal, mas que gosta mesmo de provocar as pessoas. (Estes são os primeiros juízos de valor e carácter que faço a teu respeito.) Eu, que também adoro uma boa provocação (é o que faço mais aqui e não só), espero sinceramente que continues a fazê-las aqui. Mas que, da próxima vez, tenhas mais cuidado. Especialmente, se for em assuntos deste melindre.
Publicado por: Filipe Moura em janeiro 21, 2005 07:31 PM
Luis, queria chamar a tua atenção para o último comentário do Jorge, que li agora, quando ele diz que dizes que "se apanha transgenderismo pela internet". Nota que quem diz isto é o Jorge Candeias, que a gente conhece, que escreve por vezes e comenta muito no BdE, que é um comentador bem intencionado e que não é parvo nem nada. Estritamente, onde dizes isso que ele escreveu? Em lado nenhum. Mas o Jorge leu isso. E outros comentadores leram-no (já houve outro comentador que afirmou isso algures e tu desmentiste-o).
Serve isto para te demonstrar a primeira crítica que te fiz ao texto, logo ao princípio: que está mal escrito (desculpa, mas é assim), que é dúbio, ambíguo, muito pouco claro. Está cheio de analogias, mas que só ficaram claras na tua cabeça (e se é que estão). Isso é mau, especialmente num assunto deste melindre. Eu, que te conheço, não percebo onde queres chegar (agora acho que percebo: querias era provocar a malta). Outras pessoas, naturalmente, interpretam-no muito mal.
Publicado por: Filipe Moura em janeiro 21, 2005 07:47 PM
Bem, a bem dizer o que eu escrevi foi uma pequena ironia. Eu não acho que o Luis tenha escrito isso. Não exactamente, pelo menos. O que ele escreveu é que a existência de grupos de suporte ou autosuporte podem reforçar e legitimar tendências e/ou patologias pré-existentes. Mas também concordo que o modo como ele pôs as coisas não foi nada claro. Não chamaria aos posts mal escritos - pelo contrário - mas este último não foi claro. A ironia ia por aí.
Publicado por: Jorge em janeiro 21, 2005 08:20 PM
Quando eu dizia mal escrito era nesse sentido, de pouco claro. Que o Luís escreve bem, não há dúvida.
Publicado por: Filipe Moura em janeiro 21, 2005 08:27 PM
Jorge,
vamos lá ver se nos entendemos de uma vez. Não me contradigo nada, apenas tens de demorar um pouco mais na leitura dos comentários. No primeiro comentário que aqui deixei distingui entre problemas psiquiátricos, nos quais situo a apotemnofilia, e problemas sociais, nos quais situei os tais comportamentos destrutivos e não destrutivos (ou construtivos). O transgenderismo está no lado dos comportamentos sociais não destrutivos e potencialmente construtivos. Entendes? Espero que notes que vejo a apotemofilia e o transgederismo em lados completamente opostos. Como disse, ambos têm motivações e resultados diferentes. [provavelmente foi ter usado o simile da doença/remédio para falar dos tais problemas sociais que te baralhou; a discussão já anda às voltas com doenças e doentes e uma provocação mais só veio trazer confusão]
Publicado por: ZeroAesquerda em janeiro 21, 2005 09:04 PM
A tua comparação do transgenderismo com uma gripe é particularmente infeliz, deixa que te diga. Porque os teus comentários são cheios de paradoxos. Primeiro vinhas falar de um tolerância tão tolerante, que chegava a ser tolerante com a própria intolerância. Depois dizes que discordas do Luís quando ele diz que o trangenderismo se apanha na net e logo mais à frente dás a entender que esta tendência se propaga como um vírus, que tem de haver propensão de um corpo e outros disparates. Então, amigo?
Publicado por: ZeroAesquerda em janeiro 21, 2005 09:09 PM
Bom, já vi que não percebeste. Praticamente nada no meu último comentário é opinião minha - é simplesmente levar o que tu escreveste às suas conclusões lógicas, com as quais eu não concordo. É um método de raciocínio que se usa tanto, quer em ciência, quer em retórica, que até tem nome: redução ao absurdo.
Pensei que isso fosse claro - pelos vistos enganei-me.
Mas adiante.
Perguntas-me se entendo. Tenho de dizer que não, não entendo, lamento. Não entendo em que é que te baseias para pôr a apotemnofilia e o trangenderismo em lados opostos, por exemplo, ainda não entendi o que vêm a ser esses problemas ou doenças sociais de que falas (muito menos em que te baseias para falar em problemas e doenças sociais) e continuo sem entender que lógica usas quando separas problemas psiquiátricos de "comportamentos construtivos ou destrutivos", quando é, julgo, sabido por todos que aquilo a que se chama problemas psiquiátricos tem tudo a ver com o modo como a classe médica e a sociedade vê determinados comportamentos. Especialmente nos casos em que ainda não se encontrou uma causa física, um dano neurológico específico, que explique o problema ou a fuga à "normalidade" (que é o que acontece ainda com uma boa maioria das doenças psiquiátricas - consequência de não ser possível, sem violações gravíssimas da ética, a experimentação nessa disciplina científica específica).
Publicado por: Jorge em janeiro 21, 2005 10:23 PM
Luís Rainha,
Entendeste bem, sim. Até que enfim, haja alguém. Já pensava que tinha escrito noutra língua. Eu não faço a mínima ideia se isto que eu defendo é aplicável a todos os casos. Acho que ninguém pode ter a certeza. Só se a sociedade mudasse profundamente de mentalidades e deixasse de exercer esse peso de normalização sobre o indivíduo é que saberíamos se mesmo assim ainda haveria operações de mudança de sexo e (talvez) por que razões. Tal como as coisas estão, eu escolho esta como a resposta mais certa. De resto, é consabido, a psiquiatria trabalha a favor da normalização social, a favor da integração do indivíduo na sociedade que temos e não me admira muito as afirmações que surgem nesse manual.
Publicado por: ZeroAesquerda em janeiro 22, 2005 02:29 AM
Jorge,
É provável que a escolha de palavras para as ideias que procurei exprimir não fosse a mais adequada e por isso convido-te a ler a outra discussão para que entendas bem em que sentido estas palavras foram e são usadas. O que tento dizer repetidamente é que a apotemnofilia parte de uma motivação individual (espero concordar contigo quando afirmo que a sociedade não exerce qualquer pressão para que as pessoas cortem pedaços do próprio corpo). A operação de mudança de sexos é resultado, no meu modo de ver as coisas, de uma pressão do colectivo (da sociedade organizada) sobre o indivíduo. Isto porque o colectivo organiza e estigmatiza. De um modo geral, a sociedade condena o comportamento dos transgenders. Este comportamento, no meu ponto de vista, não é destrutivo, no sentido em que não lesa ninguém, apenas existe. A sociedade parece condenar com a mesma indignação estes comportamentos e outros, que são destrutivos, no sentido em que lesam os outros (e as respectivas extensões semânticas de cada um - aquilo que chamou de "coisas" podem ser muito importantes para alguém, pelo que violar essas coisas é o mesmo que violar a integridade física desse alguém). Resumindo: no meu ponto de vista, os apotemnofílicos são doentes e os transgenders são vítimas de uma doença que não é deles mas da sociedade [por doença da sociedade entendo aqui mal social, no mesmo sentido em que o racismo é um mal social e a homofobia outro mal social].
Publicado por: ZeroAesquerda em janeiro 22, 2005 03:08 AM
Era para não me meter, mas só vou dizer uma coisinha:
Filipe Moura disse:
"Pega então em todos os artigos que indicaste sobre a matéria no teu comentário, sff, e vai averiguar o seguinte:
- onde trabalham os seus autores?
- em que jornais foram publicados?
- em que referências se baseiam?
- quantas citações têm?
- qual o factor de impacto dos jornais onde foram publicados?
- quantos artigos têm cada um dos seus autores?"
O Filipe baseia o seu julgamento aos artigos que o Luís Rainha menciona, num dos mais injustos sistemas de julgamento que existe hoje em dia: o que exclui o que não está de acordo com aquilo que os júris de papers (saliento júris e não os pares, pois no fundo, a vida de um cientista está dependente de um júri e a sua posição subjectiva e não dos pares, afinal) aceita como devendo ser publicado, ou seja, tudo aquilo que não obedece ao mainstream científico.
Fale com aquele rapaz que tentou publicar um artigo na Nature, trabalha em Londres e desafia a relatividade. Pergunte-lhe como foi tratado por pensar de outra maneira.
Posso-lhe também contar de outros casos em que, por exemplo, papers sobre astronomia de infravermelho altamente específica é avaliada negativamente por uma cientista (juri) que apenas estudou centauros e asteróides na vida...
Além disso "Onde trabalham os seus autores" e "quantos artigos têm os autores"? Não vejo, sinceramente, o que tem a ver o sítio onde se trabalha com aquilo que se produz, ainda por cima na era em que os cientistas se deslocam para N lugares para realizar o seu trabalho. E quanto a alguém que tem trabalhos morosos que não lhes permite publicar 12 papers por ano?
Desculpe que lhe diga, mas é por estas e por outras que a ciência está como está... Falo da ciência pura, não dos derivados. Tudo o que não é mainstream e que não diz "sim senhor" a tudo o que é aceite, é lixo ou posto em causa muitas vezes sem sequer se ver os fundamentos.
E não perca tempo a avaliar a minha credibilidade. Trabalho no Observatório Astronómico de Lisboa e estou prestes a publicar o meu primeiro paper. Não sou de levar em conta, portanto.
Publicado por: Necrophorus em janeiro 22, 2005 06:56 AM
Filipe,
1- Em parte alguma escrevi ou insinuei que o "barebacking" é "característico" dos homossexuais. Nem o César da Neves de tal se lembraria. Mas, tanto quanto me é dado ver, os sites dedicados a esta prática têm mesmo como alvo exclusivo os homossexuais masculinos; é era desta "propagação" pela net que o post falava. Nunca, claro está de comportamentos "característicos". Para quem defende tanto o rigor, tens uma forma peculiar de usar o Português...
2- Mais uma vez, não é de "travestismo" que estamos a falar. E continuas a confundir tudo: o Distúrbio da Identidade de Género é SEMPRE considerado doença se os critérios especificados no DSM se verificarem. E é isso que ainda podes ler no post em questão.
3- As tuas exigências de rigor bibliográfico são simplesmente patéticas; não conseguias arranjar melhor suporte para a tua provocação da "questão peregrina da associação entre a apotemnofilia e o desejo de mudar de género" do que esta tontice? Não te parece que basta citar especialistas de universidades com alguma reputação (e do New York State Psychiatric Hospital) para te demonstrar que não se trata de uma ideia "peregrina" que me assolou o espírito, mas sim de um ponto de vista partilhado por muitos especialistas? E olha que até te indiquei uma reação negativa do tal "resto da comunidade"...
4- A questão do "Aprendiz de Feiticeiro" tem também a sua pilhéria. Presumo que, a partir de agora, te vais circunscrever ao único domínio em que tens autoridade, a Física, para escrever aqui, nisto a que pomposamente chamas "blogue de referência" (santo Deus!)...
5- Comentas noutro post que "eu não chamei ‘homofóbico’ e nem nada que se parecesse ao Luís e demarquei-me claramente de quem lhe chamava fosse o que fosse." Interessante. Olha que até tinha focado com ideia que subscreveste, sem ressalvas, as críticas do João Paulo. Sim; o tal que me tem como alguém que almeja impedir a "felicidade/bem estar dos outros" e que me acusava de amplificar tendências de "homofobia e transfobia"...
Publicado por: Luis Rainha em janeiro 24, 2005 03:54 PM
Reparo agora numa outra coisa interessante: o teu último comentário tem 1147 palavras. Gastas 774 a dissertar sobre a epistemologia problemática de algo que não fiz: a tal "questão peregrina da associação entre a apotemnofilia e o desejo de mudar de género". "Associação"? Onde? Aqui: "E há outros tipos de Distúrbio Dismórfico Corporal, ainda mais perturbantes"?
Isto é que é a fortíssima "associação" que tanto abominas?
Publicado por: Luis Rainha em janeiro 24, 2005 06:41 PM
Necrophurus, esse será um tema muito interessante a debater. Talvez mais tarde, mas não agora (não tem directamente a ver com este assunto). Se eu decidir escrever sobre ele, conto contigo para o debate, hã?
Boa sorte para o teu artigo e um abraço.
Publicado por: Filipe Moura em janeiro 25, 2005 02:30 AM
Luís:
Para começar, é bom ter-te de volta, ainda que por agora só nos comentários. Espero que estejas a recuperar a forma e que voltes "lá acima" para breve.
Ponto 1 - Nunca insinuei que te referias a "todos" os homossexuais. Mas se era assim, por que não escreveste explicitamente o que escreveste aqui, «os sites dedicados a esta prática têm mesmo como alvo exclusivo os homossexuais masculinos», em vez de «multiplicação de festas de "barebacking" em que alguns homossexuais (os bug chasers) procuram infectar-se com o HIV»? Era muito mais claro, não era?
Ponto 2 - Escreves agora que "o Distúrbio da Identidade de Género é SEMPRE considerado doença se os critérios especificados no DSM se verificarem". Então, não é SEMPRE... No texto original escreves o já famoso «O Distúrbio da Identidade de Género, ainda considerado doença pelo DSM...», sem explicitares os critérios em que tal é verdade. Talvez em rigor a página para onde remetes (onde tal é considerado "normal" e "saudável", nas tuas palavras) também devesse explicitar esses critérios, mas o não o fazerem não invalida que tu o fizesses.
Ponto 3 - Não, não me parece. Respondo-te no ponto 4.
Ponto 4 - Ó Luís, por favor. Escrevo e opino sobre política, algo que deve ser democrático, pelo menos desde há 30 anos em Portugal. Também opino sobre futebol, novelas, música... Tudo coisas democráticas.
Confundes aqui ciência com conhecimento científico. Este último deve ser democrático, como todo o conhecimento, toda a cultura, e eu bato-me por isso. A "ciência" que eu referia como não democrática é a actividade. Por muito respeitáveis que sejam os cientistas que referiste (deverias ter referido mais e tê-los identificado melhor), não podes considerar o seu trabalho, que mencionaste aqui, como "conhecimento científico", uma vez que ainda não está decidido, não está "provado". Quando (e se) isso acontecer, uma descoberta dessas, há de vir, sei lá, num "The New York Times". Só nesse caso é que poderias escrever o texto que escreveste de uma forma minimamente fundamentada. Até lá, é especulação. E logo com o tema que é...
Luís, nas tuas defesas era recorrente ou citares o teu profe, ou dizeres que "não era isso" o que tinhas escrito. A quantas pessoas diferentes tiveste que dizer que "não era isso" que tinhas escrito? Está certo que várias dessas pessoas já teriam se calhar à partida vontade de tresler o que escreveste (pelo menos, revelaram má vontade nos comentários). Mas não todas. Continuas a dizer para as pessoas "lerem bem" o que escreveste, mas quantas pessoas já te disseram que não percebiam a ideia do texto e que o achavam confuso (eu disse-te isso logo no comentário original)? Até quando vais achar que tu tens razão e os outros estão todos errados?
Ponto 5 - Aqui cometi um deslize, mas não foi intencional. Concordo com os argumentos que o João Paulo apresentou em geral, mas não subscrevo os ataques pessoais que ele te fez (creio que nos primeiros comentários). Esqueci-me desses ataques quando escrevi o que escrevi. Reafirmo: condeno todos os ataques pessoais que sofreste. Pelo que li de ti até hoje (e foi muito) creio que não és homofóbico e desejas a felicidade de toda a gente. Suspeito que a tua única motivação para escreveres este texto foi só "provocares a malta".
E agora, desculpa mas estou um bocado cansado. É da hora.
Publicado por: Filipe Moura em janeiro 25, 2005 02:31 AM
Filipe,
Ponto 1 – Usaste a palavra "característico". Isto corresponde a um conceito que não empreguei. Quanto à pergunta: não, não era. Era igual, a não ser para quem tivesse mesmo vontade de tresler.
Ponto 2 – O que escrevi "agora" é igual ao que escrevi na altura: «O Distúrbio da Identidade de Género, ainda considerado doença pelo DSM...». Os critérios estão explicitados no link que ali deixei para o DSM. Continuas a não perceber o fundamental: claro que só há doença se os critérios forem maioritariamente satisfeitos. Só existe "Distúrbio" onde há patologia. Tal, passe o paralelo, como só existe "Tuberculose" se determinados critérios forem satisfeitos, o que não invalida que "tuberculose" seja sempre nome de doença. Quanto ao resto, não mistures tudo outra vez, por favor: "(onde tal é considerado "normal" e "saudável", nas tuas palavras)" – que tem isto a ver com o DSM, santo Deus? Não reparaste que aí estava a falar de sites que nada têm de científico?
Ponto 4 – Nem sei que te diga. Ali em cima, tentas refutar o DSM com umas vagas recordações de aulas no secundário. Para mim, as exigências de rigor científico são ciclónicas. Não te afirmei se algo estava ou não provado; só afirmei - e mantenho - que, ao contrário do que julgas, não é "ideia peregrina" minha encontrar paralelos entre os dois fenómenos em apreço. É uma noção corrente entre os psiquiatras ligados ao estudo destas condições. Por muito que julgues que podes definir- por critérios de publicação no NY Times? – o que está ou não "provado", essas tuas dúvidas metódicas correm ao lado do problema. Nunca eu afirmei que as duas condições eram "intimamente relacionadas", "iguais", "muito parecidas" ou coisa que o valha.
Não se trata de eu ter razão. Trata-se apenas de estares a argumentar contra afirmações que não estão no post: que o barebacking é "característico" dos homossexuais e que a Apotemnofilia é o mesmo que o Distúrbio da Identidade de Género.
Se são estas as tuas críticas ao texto original, não tens qualquer espécie de razão. Estás errado. "Barking at the wrong tree", em suma. Já apanhei com críticas com sentido e bons argumentos, às quais dei razão. Não é o que se passa aqui, lamento: alguns críticos estão em parte certos, tu estás totalmente errado.
Ponto 5 – Condenas, mas já vais tarde.
Publicado por: Luis Rainha em janeiro 25, 2005 11:21 AM
Luís, acho que deixei bem clara a minha posição quanto a condenar quem te atacava e insultava logo no texto principal. Houve tanta gente a atacar-te que eu nem me lembrei que o João Paulo tinha sido um deles, ao princípio. Tu próprio reconheceste algures que ele tinha argumentos e estava de boa fé. Era com esses argumentos que eu concordava - repara, a única coisa que eu disse a seu respeito foi "aquele que, a meu ver, foi mais consistente na desmontagem dos teus (frágeis) argumentos foi o leitor João Paulo". Referia-me claramente aos seus argumentos, e não aos seus ataques. Pegares numa ponta do que ele disse - com que eu não concordava - e insinuares que eu apoiava tais ataques parece-me injusto.
Quanto ao resto, sinceramente, parece-me que poderíamos ficar aqui semanas a discutir, sem chegar a acordo.
Publicado por: Filipe Moura em janeiro 25, 2005 06:16 PM
Filipe,
Obrigado pelo estímulo e claro que participarei nessa questão, se aparecer.
Publicado por: Necrophorus em janeiro 26, 2005 03:12 AM