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janeiro 19, 2005

LOUÇÃ VS JERÓNIMO

Ontem à noite, na SIC Notícias, o primeiro debate frente-a-frente da pré-campanha, entre Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa, terminou com uma vitória clara do dirigente do Bloco de Esquerda. Nada de surpreendente. Apesar de um quase consenso na análise crítica dos principais problemas económicos e sociais do país, há um abismo a separar os dois homens no modo como falam e nos destinatários escolhidos para a sua mensagem. Louçã tem um discurso articuladíssimo, moderno, apelativo, mediático (adaptado à lei dos «soundbytes»), virado para o futuro e para o eleitorado que pretende ganhar. Jerónimo joga à defesa, recorre aos chavões, ao vocabulário vetusto, à retórica bem oleada (mas previsível) da CDU e parece preocupado apenas em suster o antigo eleitorado, em permanente erosão.
Num debate sem acrimónia e pouco agressivo, onde os dois líderes estiveram mais vezes de acordo do que seria de esperar, Louçã venceu sobretudo no campo da economia da linguagem (coincidente, neste caso, com a «linguagem da economia»). E todos sabemos que é no campo da linguagem que se ganham hoje, para o mal e para o bem, os votos decisivos.

Publicado por José Mário Silva às janeiro 19, 2005 03:04 PM

Comentários

É, o problema é quando por debaixo da linguagem não há nada.

Publicado por: hetero_doxo em janeiro 19, 2005 03:45 PM

Acho que o facto de Jerónimo aceitar debater com Louçã já indicia uma diferença qualquer no Pc. Será a mudança de estratégia do ataque cego (a quem lhe rouba votos) à defesa medrosa para que não lhe roube muitos mais (estratégia das trancas à porta)?

Publicado por: jm em janeiro 19, 2005 03:53 PM

Eu fiquei muito bem surpreendida pelo Jerónimo de Sousa. Simpatizei mesmo com o senhor, acho que fala muito melhor do que o Carvalhas, por exemplo. Ainda não o tinha ouvido, e gostei bastante.

Os jornalistas ainda tentaram pô-los um contra o outro, mas não conseguiram. Foi um debate muito civilizado, em que obviamente houve mais concordância que discordância, e em que a cordialidade e a boa disposição entre os dois foi notória. E eu, eleitora de esquerda, gostei muito dessa boa disposição.

Acho muito bom que ambos percebam que o inimigo é outro, e que às vezes deverá ser possível encontrar pontos comuns e união na esquerda (sem abdicar obviamente daquilo que é diferente no PCP e no BE).

Pareceu-me que apesar de muito curto, neste debate falou-se de muitos mais assuntos e de modo mais sério do que nos debates com a direita mais provocatória e com quem não se consegue discutir (atenção, eu ñao disse toda a direita, disse a mais provocatória, que é coisa que nem sequer depende dos partidos, depende sobretudo de quem é chamado ao debate).

Publicado por: Helena Romão em janeiro 19, 2005 05:01 PM

O discurso do Louça não é adaptado a lei do soundbytes, o discurso do Louça é apenas soundbytes, apesar de toda a adoração do ZM, não passa disso

Publicado por: provocador em janeiro 19, 2005 07:31 PM

Enganas-te, provocador. «Adorar» só a Deus. E Deus para mim não existe.

Publicado por: José Mário Silva em janeiro 19, 2005 07:36 PM

O provocador para alem de surdo é sectário o Louçã foi claro nas prespectivas que o Bloco tem para o nosso país, e aguardo com interesse o debate com o Paulo Portas Lopes e Socrates pois aí a diferença ainda vai ser maior, entre a verborreia mal alinhavada da direita e da pseudo-esquerda e as posições claras do Bloco que até começam a merecer elogios de politicos como Mario Soares.

Porque será que há três dias não se consegue acesso ao site do Bloco será que há falta de argumentos se tenta boicotá-lo

Publicado por: a.pacheco em janeiro 19, 2005 08:00 PM

Isto aqui não se pode dizer mal de Francisco Louçã, haverá sempre um nobre sacrista a defendê-lo. Sem dúvida que Louçã é um mestre na arte do bem falar e de bem comunicar (sobre isso, adiante)e sem dúvida que o BE tem boas ideias (isto é mais importante). O que eu gostava de saber é em diferente o soundbyte de demagogia?
Assim de repente este post parecia quase igual ao que o Luís Delgado ontem disse depois do debate, desculpa lá.

Publicado por: MCG em janeiro 19, 2005 08:22 PM

Não desculpo lá, não senhor.

Publicado por: José Mário Silva em janeiro 20, 2005 01:02 PM

Que propostas? Um puro lirismo. Já vi o Louçã fazer discursos inteiros sem dizer nada. A demagogia dos "soundbytes" contrasta incrivelmente com a palavra confiança inscrita nos seus cartazes. Mas, realmente não é nada de novo, especialmente para o lider político que não teve pejo nenhum em trocar o seu Trotsky pelo Estaline da UDP, só para dar uma ideia de "bolco" ao "Buraco" de Esquerda. Quanto ao Jerónimo, nem vale a pena falar: as suas idéias cheiram tão mal quanto o cadáver do Lenine.

Publicado por: lfpereira em janeiro 20, 2005 05:42 PM

Para ti não existe Deus mas existe Louça,e eu não disse que adoravas Deus mas Louça, isso não foi desmentido.

Publicado por: provocador em janeiro 20, 2005 05:55 PM

"Louçã venceu sobretudo no campo da economia da linguagem"

Infelizmente diria eu. Porque gosto muito mais de ouvir Louçã falar de Economia (finanças, contas publicas, fiscalidade) do que quando escolhe a tal linguagem economizada ( o soundbyte radical).

É que se entramos no louvor ao tal estilo mediatico, "soundbytizado" então teremos que admitir que infelizmente Portas hoje foi melhor que Louçã.

Louça devia apostar mais no seu estilo mais pedagógico e tolerante (todo o bom professor tem uma boa dose de tolerância) do que no discurso radical que faz com que muita gente o confunda coom um extremista demagógico (coisa que não é)

Publicado por: Sacha em janeiro 21, 2005 12:33 AM

Desenvolvo a ideia anterior aqui:

http://abre-surdo.blogspot.com/2005/01/lou-os-debates-e-o-discurso.html

Publicado por: Sacha em janeiro 21, 2005 02:17 AM

OK, provocador, vou ser mais explícito: não adoro Deus, nem Louçã, nem Trotsky. Adoro apenas, e mesmo assim com aspas, Ludwig van Beethoven. Satisfeito?

Publicado por: José Mário Silva em janeiro 21, 2005 08:12 PM

ZM, o provocador não disse que adoravas o Louçã; disse que adoravas "louça". Não gostas de "Vista Alegre"? Eu gosto, e é da minha zona e eu sou bairrista.

Publicado por: Filipe Moura em janeiro 21, 2005 08:22 PM