janeiro 24, 2004

FELGUEIRAS

O acórdão do Tribunal Constitucional que tem como efeito o regresso de Fátima Felgueiras à condição de Presidente da Câmara é, no mínimo, lamentável. Para os senhores juízes, a justiça é cega; por mim, preferia que visse. E que fizesse justiça material, em vez de fazer justiça formal.
Assim, teremos uma foragida (perdão, exilada política) a presidir a uma autarquia, com direito aos correspondentes vencimentos e mordomias.
Esperar-se-ia, agora, que os autarcas renunciassem aos mandatos para provocar a necessidade de eleições intercalares e fazer o que o tribunal superior não foi capaz de alcançar – impedir o insulto que o acórdão consubstancia.
Para isso, era preciso que houvesse vergonha. No país e em Felgueiras. Mas algo me diz que não há.
(JCampos)

Publicado por José Mário Silva em janeiro 24, 2004 02:23 PM | TrackBack
Comentários

A vergonha é vocábulo riscado da política. A ética é a da Teresa Guilherme. A cultura é a do Big Brother. O coktail tinha que resultar nesta merda em que o país chafurda!

Afixado por: Placard em janeiro 24, 2004 07:01 PM

eu ando um bocado fora das realidades mas isto dá a ideia de ser um tremor de terra não?

Afixado por: tchernignobyl em janeiro 24, 2004 07:09 PM

Lamentável é haver pseudo-intelectuais incapazes de interpretarem o óbvio, ou seja, que a justiça está repleta de leis contraditórias que permitem que o absurdo ocorra.
Poderá alguém perceber que um Presidente de Câmara seja afastado das suas funções, recorra dessa decisão e vá parar à cadeia, sem que haja qualquer possibilidade de recurso? Sem conhecer nada do que lhe é imputado? Com a honra manchada na praça pública, quando cabia à justiça e ao legislador criar mecanismos de protecção para que se cumprisse o direito ao bom nome e à liberdade previstas na Lei Fundamental?
Alguém de bom senso moral e intelectual pode contestar este argumento?
Levante-se já quem souber e atire a primeira pedra. O apedrejamento, de resto, já vai a meio!

Afixado por: catarina santos em janeiro 28, 2004 03:20 PM

É uma pena que o brilhante articulista não seja ele importante bastante para ser alvo de uma denúncia anónima que o coloque no role dos "presumíveis culpados",julgados na praça pública à custa das disfunções do sistema e dos abusos de poder de alguns agentes...
De certeza que o seu discurso seria diferente!
Querer passar uma esponja no essencial e persistir em escrever opinião só para se armar em presumível moralista é um absurdo e um insulto em si mesmo!
Faz-me pena!

Afixado por: Eugénio Martins em janeiro 28, 2004 06:29 PM
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