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dezembro 28, 2004

O HOMEM DAS CATACUMBAS

Desculpem a insistência, mas tenho que repetir um apelo que já fiz há alguns dias. Blogonautas do meu país: ponham os olhos no que se está passar nos subterrâneos deste blogue. Pela calada, quase sem se dar por isso, há um debate histórico em curso. Um verdadeiro festim de ideias, altas teorizações e controvérsia. Exemplo perfeito daquilo a que os anglo-saxónicos chamam «food for the mind».
Para os mais distraídos, aqui fica um sumário da coisa:

- Tudo começou no dia 19 de Dezembro, às 20:06, quando o Manel (regressado de um longo silêncio) assinou um pequeno post sobre a anunciada apresentação da «Carmina Burana», de Carl Orff, no Pavilhão Atlântico: «O triunfo da amnésia».

- De então para cá, os comentários sucederam-se a um ritmo alucinante. No momento em que escrevo, são 62.

- O post original tinha pouco mais de 1.500 caracteres. A discussão subsequente já vai em 60.000 (metade dos quais da lavra do Manel, que deve ter escrito mais nesta caixa de comentários do que em todos os posts que publicou até hoje).

- Nomes dos principais intervenientes na polémica: Fernando Venâncio, João Pedro Costa, Zangalamanga, Bernardo Motta, JotaVê e Valupi (nos últimos dias).

- Nível da discussão: altíssimo.

- Pergunta inocente: em que outro lugar (fora da blogosfera) poderíamos assistir a uma troca de argumentos intelectuais tão livre?

- Conclusão provisória: são fenómenos como este — autónomos, imprevisíveis, auto-organizados e fora do nosso controlo — que dão sentido a esta aventura espantosamente gratificante (falo por mim) que é o BdE.

- E agora espreitem o link, que o Manel pode já ter escrito mais uma das suas quilométricas respostas. Ide, ide; e deleitai-vos.

Publicado por José Mário Silva às dezembro 28, 2004 06:54 PM

Comentários

Outra vez?! Para mim nao! Uma coisa que achei piada na altura, era o Manuel dizer, que depois explicaria tudo num futuro post, como se nao tivesse tempo para escrever, mas continuava a fazer comentarios seguidos, do tamanho de posts. Eu que nao sou bloguista e nunca escrevi um post, ate fiquei a pensar que escrever um post deve demorar muitissimo mais tempo que um comentario, e verdade?

Publicado por: luis em dezembro 28, 2004 07:40 PM

Ó Zé Mário, já nos estragaste o arranjinho com esse golpe de projector que nos apanhou em flagrante delito de divagações estético-políticas. Até tenho medo que o Valupi tenha desertado, espavorido e encadeado com tanta luz.
Quanto ao que diz, luis, o primeiro surpreendido fui eu. E expliquei já num dos comentário o que me levou a desistir de um novo post, e a preferir ficar "lá em baixo", num espaço sem rede, em que não há hierarquias entre quem escreve posts e quem comenta. Não que uma coisa seja melhor do que outra, são apenas experiências de comunicação diferentes. E o que é importante é que um blogue como o BdE permita esta multiplicidade de tipos de debate no interior de uma mesma comunidade interactiva, essa que de uma maneira ou de outra, com mais ou menos intermitência, se vai criando em torno desta página que não é só nossa.
Quanto ao tempo que eu levo a escrever um post, luis, sinceramente acho que nem lhe passa pela cabeça. Olhe, experimente perguntar ao Zé Mário e verá o que ele tem sofrido...

Publicado por: Manuel Deniz em dezembro 28, 2004 10:24 PM


Encandeado escreve-se assim, de candeia.
Encadeado, vem de cadeia.

Francamente, Deniz....

Publicado por: edite em dezembro 29, 2004 12:48 AM

Esta agora...
Cara edite, confesso que fiquei sem voz. Não me diga que ignora que não se corrigem os erros ortográficos alheios nas caixas de comentários?! É que faz parte da "netiqueta", como se diz por aí... Estas coisas são escritas a correr, nestas janelinhas tão pouco práticas, que já se sabe como é... ficam sempre umas letrinhas pelo caminho e é uma chatice.
Mas isso não é grave. Pior será se não você não ignora a cibernética cortesia. Porque nesse caso, o tom irónico do seu comentário significa que quer deixar transparecer que nesse meu lapso havia uma intenção qualquer. E está-se mesmo a ver que só pode ser malévola, essa ideia subliminar de “cadeia”. Depois de utilizar um distanciado e altivo “vouvoiement” na minha última resposta na polémica em causa, cheguei ao ponto de querer “algemar” o nosso estimado comentador. Diabo... desta vez é que o Valupi nunca mais me perdoa.

Publicado por: Manuel Deniz em dezembro 29, 2004 03:35 AM

Está tudo perdoado, caro Manuel. Pelo menos até ao Dia de Reis, continuarei com a benevolência e misericórdia só possível na quadra natalícia. É aproveitar!

Pois agora os olhos do mundo civilizado estão todos postos na nossa conversa... Temo pelas consequências, não sei se o povo estará preparado para as revelações...

Zé, parabéns pelo vosso projecto. Gratificante para vocês e para muitos de nós. Diria mais, isto é serviço público. Portugal precisa de mais pessoas com a vossa generosidade, a vossa vontade.

Publicado por: Valupi em dezembro 29, 2004 05:09 AM

Atravessando a douce France, hesitando entre a responsável France Inter e a repousante Radio Nostalgie, leio-vos comovido.

Bom ano. Bons blogueios.

Publicado por: fernando venâncio em dezembro 29, 2004 10:37 AM

Desde que o barnabé ( fechou) este blog está a ter mais visitas , oba. Viva a falta de concorrência.

Publicado por: Luis Gouveia em dezembro 29, 2004 01:20 PM