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dezembro 19, 2004

UM FRAGMENTO

Para assinalar o regresso do co-fundador deste blogue, ainda por cima com um post sobre arte e política (fadado por isso à controvérsia), deixo aqui este fragmento de um dos últimos livros de Gonçalo M. Tavares:

ADORNO

Dizer tudo numa frase, eis a coragem de quem escreve. Ameaçar dizer tudo nas frases seguintes, eis a cobardia. O tédio produz documentos.
Cada objecto tem uma filosofia, e eis o aparecimento dos gestos nos homens. O que surgiu primeiro, o objecto ou o movimento com que o seguras? Antes do verbo, as coisas ameaçavam uma linguagem que o silêncio antigo não poderia fazer. Apesar de tudo, o silêncio tem menos palavras que uma palavra.

in «Biblioteca» (Campo das Letras)

Publicado por José Mário Silva às dezembro 19, 2004 09:02 PM

Comentários

Zé Mário, essa do Adorno agora lixou-me. Com incentivos destes, tenho mesmo que me pôr a escrever mais... ;)

Publicado por: Manuel Deniz em dezembro 20, 2004 01:27 PM

surgiu primeiro o movimento :)

Publicado por: gibel em dezembro 20, 2004 11:16 PM