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dezembro 05, 2004

NA CAMA COM O VAMPIRO

Foi o Francisco José Viegas quem nos apresentou, faz agora um ano. Meio clandestino, trouxe-o comigo do Porto; receoso de ser visto na sua companhia, nem olhei para ele durante o voo. Quando cheguei a casa, escondi-o num armário mofento qualquer. Afinal, não queremos que as visitas vejam algo assim a passear pelo nosso lar, pois não?
Passados uns meses, o malandro foi ganhando coragem. Quando dei por ele, já se tinha infiltrado na casa-de-banho, escondendo-se entre um magote de revistas velhas. Ali, teve tempo para desafiar a minha curiosidade: valeria a pena conhecê-lo? E se eu até acabasse por gostar? Mas este fraco descendente do sedutor Conde Drácula apresentava-se gordo e feioso; quase metia dó, ali abandonado em tão rasteira companhia...
Ontem, acabei por o levar para o meu quarto. E lá comecei a mordiscá-lo.
Não me converti. “A Quinta de Blackwood” é um livro chato escrito numa prosa embrulhada e cheio de coisas como “os meus ouvidos vampíricos”. Continuo sem perceber o sucesso das infindáveis “Crónicas dos Vampiros” da senhora Anne Rice. Para fantástico de pechisbeque, mil vezes o pueril Harry Potter. Ao menos, este não se arma aos cucos.

Publicado por Luis Rainha às dezembro 5, 2004 02:42 AM

Comentários

finalemente encontro alguém que partilha a mesma opinião do que eu!

Publicado por: joao entresede em dezembro 5, 2004 12:56 PM