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dezembro 04, 2004
GRANDE GOLEIRO!
Tenho pena que não esteja online a entrevista ao guarda-redes do Leiria que saiu hoje no “Público”. Comecei a ler tal texto pois o subtítulo falava da “paixão” do jogador brasileiro pela música; parti de imediato à caça de risotas fáceis, antecipando declarações de amor a Roberto Leal ou coisa que o valha. Enganei-me.
Helton sabe o que diz e exprime-se com fluência. A propósito do seu mister – “ajo por instinto, o momento é que tempera os meus reflexos” –, do racismo e, inevitavelmente, das minudências processuais da SuperLiga e quejandos. Quando lhe pedem para escolher entre Pelé e Maradona, responde com ironia certeira: “é como comparar um Picasso a um Van Gogh”. Todos conhecemos muitos políticos que nem por escrito conseguem a articulação de conceitos e palavras que este craque exibe.
Querem ver que vou ter de mudar a minha opinião dos futebolistas em geral? Bem; talvez só em relação aos guarda-redes. É que eles têm uma grande vantagem sobre os demais: não são obrigados a liquefazer o encéfalo dando cabeçadas à bola.
Publicado por Luis Rainha às dezembro 4, 2004 11:09 PM
Comentários
Também li a entrevista: o rapaz não reúne as rigorosas condições intelectuais e mentais para ser jogador de futebol. P'ra favela com ele.
Publicado por: jm em dezembro 5, 2004 09:03 AM
G'anda Helton. E sobre tudo isso, é um guarda-redes fenomenal, como se viu no jogo contra o Benfica.
Publicado por: José Mário Silva em dezembro 5, 2004 09:05 AM
Li em qualquer lado, que o Zidane tem um QI de 160. Claro que ha futebolistas muito espertos, temos o Artur Jorge, o Baia e o Figo tambem falam muito bem, etc. Nao eram os antigos filosofos gregos, participantes e campeoes no Olimpo? Nunca percebi o desprezo que os nosssos intelectuais tem pelo pessoal do desporto (O Pacheco detesta o futebol, deve ter sido um zero da bola, gozado pelos colegas na escola, e ainda tem os traumas!)! Especialmente os de esquerda, que supostamente, deviam tratar toda a gente de igual maneira, nao?
Publicado por: luis em dezembro 5, 2004 05:00 PM
luis,
Eu nunca escondi que gosto muitíssimo de futebol. Já agora, corroboro essa do QI do Zidane. Tenho lá em casa um DVD em que isso fica clarinho como a água. E, para além disso, o tipo ainda é simpático, educado e humilde. Um senhor.
PS- Que nem todos os tipos da bola são pecos, demonstra-o Jorge Valdano, um ex-jogador que foi companheiro de Maradona na selecção argentina e escreve maravilhosamente sobre o futebol a sério. Aquele que está muito acima das tricas clubísticas.
Publicado por: José Mário Silva em dezembro 6, 2004 09:43 AM
Sim, o Hélton é um jogador com os neurónios ainda funcionais.
E como aqui foi dito, não é caso único. Raro, sem dúvida, mas não único. Quem ainda se lembra das entrevistas do Neno, que conseguia ser, na década de 90, praticamente o único futebolista a utilizar palavras de mais de 3 sílabas no seu discurso?
Não é necessário ser burro para jogar à bola. Mas nos últimos anos fiquei com a ideia que ajuda, e muito.
Publicado por: Nelson em dezembro 6, 2004 10:22 AM