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dezembro 04, 2004
A HARPIA
Maria Filomena Mónica aproveita uns centímetros quadrados que o Público lhe confiou hoje – no “Mil Folhas” – para escrevinhar uma feia agressão a Boaventura Sousa Santos. Não; desta vez não se trata de defender a Ciência dos ataques dos bárbaros relativistas. Trata-se... nem sei bem do quê.
Primeiro, MFM anuncia a sua magna descoberta: BSS escreveu poesia. Grosso pecado, claro está. Do alto da sua reconhecida peanha de crítica literária, a senhora é lesta a decretar: “cem anos depois de Cesário Verde ter transformado a poesia portuguesa, o sociólogo de Coimbra ousava oferecer ao público uma série de poemas primários, possidónios e indecorosos.” Depois de denunciada a ousadia, com que o autor apenas “pretende dar lustre aos entediantes trabalhos com que, por esse mundo fora, anda a ganhar o pão de cada dia”, venha o pecado maior.
Claro que MFM fica irritada por ver o sociólogo “subsidiado por organizações supostamente respeitáveis”, fazendo “dezenas de trabalhos em África”, sempre segundo investigações que “estão longe de ser neutras”. Vai daí, há que denunciar esta sinistra operação. O bombo da festa é o último livro do sociólogo; "Conflito e Transformação Social: uma paisagem das justiças em Moçambique".
A seguinte citação é apresentada como prova conclusiva do enviesamento da obra em desapreço: “apesar de o paradigma normativo do Estado moderno pressupor que em cada Estado só há um direito e que a unidade do Estado pressupõe a unidade do direito, a verdade é que, sociologicamente, circulam na sociedade vários sistemas jurídicos e o sistema estatal nem sempre é, sequer, o mais importante na gestão normativa do quotidiano da grande maioria dos cidadãos.” Julgaria eu que nem é preciso conhecer bem Moçambique para calcular que a presença das instituições estatais, em sanzalas a milhares de quilómetros de Maputo, pode por vezes ser bastante ténue, dando azo à invocação de outros tipos de organização mais tradicionais.
Mas não: “pode parecer uma afirmação factual. Mas, subjacente a este olhar, está o desejo de legitimação de práticas legais ‘alternativas’, com raiz numa espécie de colonialismo invertido. Segundo esta corrente, a justiça dos brancos está manchada pelo pecado original do imperialismo; a dos nativos, porque mais genuína, é evidentemente melhor.” Então não leram esta aleivosia nas entrelinhas do parágrafo de BSS? Não? Têm mesmo a certeza? Então, vocês só podem ser como os “professores de Direito”, que ficam calados pois “temem criticar alguém que se refugiou numa disciplina por eles considerada esotérica”. Só MFM tem a coragem de expor a nudez do rei das bruxarias esotéricas.
Esta deselegante exibição de rancor e inveja não “releva de uma qualquer obsessão, causada sabe-se lá por que rasteiros motivos”. Diz a senhora. Quem em tal acreditará?
Publicado por Luis Rainha às dezembro 4, 2004 11:56 PM
Comentários
Desculpem: MFM quê?... Não gastem cera, p.f., não há razão...
Publicado por: Onan em dezembro 5, 2004 03:41 AM
Dantes também me indignava com as pasquinadas desta senhora, mas agora acho-as úteis. Caiu tão baixo e é tão clara (parece que deixou de embrulhar a sua propaganda nas roupagens pseudo-científicas e pseudo-literárias em que é hábil) que toda a gente, ao lê-la, lhe vai descobrindo as «qualidades». Desta vez é o rancor pessoal rasteiro por Boaventura Santos (que não sabe criticar em bases dignas e coerentes) como antes era a indigência mental, a vaidade e a petulência ao nível de um Castelo Branco de quinta, a baixeza e a desonestidade intelectuais (aliás, nela, tudo se mistura, como também em toda a direita,por mais inteligente e aberta que se queira mostrar). É útil lê-la, vai ficando com o rabo de fora...
Publicado por: jm em dezembro 5, 2004 08:58 AM
É um ataque tão descabelado que não vale a pena responder...mas, se não os apresenta no seu currículo, o próprio BSS deve saber como os seus poemas são horríveis (por isso, só o ressentimento de MFM justifica que eles sejam outra vez recordados). Quanto ao suposto argumento "demolidor" de MFM, também não encontro o dito desejo de legitimação de práticas legais alternativas.
...e o que eu não percebo é a reverência que têm por Eça de Queiroz, um escritor sumamente derivativo e epigonal :?
Publicado por: grim em dezembro 5, 2004 10:46 AM
Que BSS seja mau poeta (o que ignoro...) não traz grande mal ao mundo. Já que BSS legitime os poderes fácticos tribais, patriarcais, tradicionais, desde que sejam característicos de culturas do mundo «pós-colonial», é muito diferente. E é mesmo isso que ele faz. Basta lê-lo.
Publicado por: Ricardo Alves em dezembro 5, 2004 11:52 AM
Quanto a MFM, volta a errar o alvo.
Publicado por: Ricardo Alves em dezembro 5, 2004 11:53 AM
Maria Filomena Mónica desde há muito que deixou de seru uma referência por bons motivos; o texto sobre BSS é uma absoluta falta de ética, a que indelizmente ela nos tem habituado.
Publicado por: Carlos Frota em dezembro 5, 2004 04:06 PM
Esta gaja tem uma verdadeira paranóia/ódio de estimação/implicância, o que seja, com o BSS. Penso que está obcecada com ele e deve tê-lo na cabeça todos os minutos da vida, tamanha a quantidade de vezes que o menciona nas suas crónicas. Coitada!
Publicado por: Ana Miranda em dezembro 5, 2004 05:54 PM
Por acaso também me parece que o que a MFM diz "releva de uma qualquer obsessão, causada sabe-se lá por que rasteiros motivos". É uma ideia fixa. E acaba por ter o efeito oposto, parte-se logo do princípio que não tem razão!
De uma forma geral, deixei de a ler há uns tempos porque quase sempre me irritava. E, pelos vistos, fiz bem.
Publicado por: Emiéle em dezembro 5, 2004 06:00 PM
Ó luis, mas qual ataque qual quê. o BBS é uma nulidade, e se você for mexer na nulidade, é uma merda. Se você for mexer bem fundo, aí fica um pouco queimado. Porque abaixo da merdosa nulidade se calhar encontra merdas mais porcas.
Publicado por: Carlos em dezembro 6, 2004 10:02 PM
Carlos,
O homem até pode ser uma nulidade. Mas o que se lê neste artigo da MFM é apenas um ataque mal sustentado, raivoso e cobarde.
Publicado por: Luis Rainha em dezembro 7, 2004 12:53 PM
Nem mais, Luís. Só mesmo MFM para nos fazer estar tão de acordo. Também mandei umas bojardas lá da minha janela e sugeri a BSS que escrevesse uma Ode a Milena.
Publicado por: Tulius Detritus em dezembro 7, 2004 08:57 PM
Essa senhora, que se diz socióloga, escreveu em tempos (1999) um artigo sobre Macau e Hong Kong. Não me vou alongar sobre as asneiras que disse sobre o assunto. Refiro apenas o que ela própria escreveu e que é revelador dos métodos "sociológicos" que usa. Em Hong Kong, ficou instalada no Peninsula Hotel e,praticamente, não saiu de lá. Ficou no quarto a ler os jornais, para "contactar com a realidade local". Saiu do quarto para ir a um restaurante (Felix) no mesmo edificio do hotel e ficou indignada por não a deixarem entrar. E as observações sobre Hong Kong resumem-se à frustração de não ter conseguido entrar no Felix.
Sociologia assim? Qualquer "tia" a pode fazer!
Publicado por: (^_^) em dezembro 11, 2004 06:36 PM