
O regresso de Lhasa não defrauda as (enormes) expectativas de quem se rendeu à beleza estranha de «La Llorona». Cantado em três línguas (castelhano, francês e inglês), «The Living Road» tem lá dentro canções tristes, canções doces e canções desesperadas – além das que são tudo isto ao mesmo tempo. A voz continua uma coisa do outro mundo: mistura de fogo e ar, entre a lava e o basalto. Lhasa canta como quem já perdeu tudo na vida, menos a certeza de que o amor vale todos os sacrifícios: «tuve que quemarme/ pa'llegar hasta tu lado».
Mas nem só de paixão – e das respectivas cicatrizes – se faz o universo desta cantora, filha de pai mexicano e mãe americana. Lhasa de Sela também fala das fronteiras que separam as suas duas pátrias e de quem as atravessa. Leiam (e, já agora, oiçam):
LA FRONTERA
Hoy vuelvo a la frontera
otra vez he de atravesar
es el viento que me manda
que me empuja a la frontera
y que borra el camino
que detrás desaparece
Me arrastro bajo el cielo
y las nubes del invierno
es el viento que las manda
y no hay nadie que las pare
a veces combate despiadado
a veces baile
y a veces... nada
Hoy cruzo la frontera
bajo el cielo
bajo el cielo
es el viento que me manda
bajo el cielo de acero
soy el punto negro que anda
a las orillas de la suerte
queres acreditar que estava mesmo agora a ouvi-lo quando me lembrei de cá dar um salto?
beijinhos ;O)
.......
"
.......
ehehe
Afixado por: Cleo Lynch em dezembro 10, 2003 01:49 AMHello, Cleo. Já tinha saudades de te ver por aqui. Volta mais vezes. Não te acanhes. ;)
Sublime. Mais uma peça que, aliada ao recém-lançado livro de contos de Juan Rulfo "Planície em Chamas", mostra que o México não é só vôos da Yes para Cancún.
Afixado por: Pedro Vieira em dezembro 10, 2003 08:37 PMOlá, há tempos recuperei uma entrevista que efectuei à senhora Lhasa de Sela por altura do lançamento de "la Llorona". Está aqui:
http://cronicasdaterra.weblog.com.pt/arquivo/026535.html
abraços
lr
Afixado por: Yggdrasil em dezembro 10, 2003 10:04 PM