Cá vai então o epigrama do José Miguel Silva:
SUBSÍDIO NÃO, SINECURA SIM
O poeta ministeriável e o ex-intelectual
béu-béu vieram esta semana à banca de cena
defender o liberalismo cultural.
Porque estão fartos, dizem, de subsídios
atribuídos a gente sem talento nem
empresas e quem quiser fazer arte
que a sofra. Pois o Camões o Cervantes
o Van Gogh emagreceram da cal
que o regime amassou e foi
muito bom, deram óptimos cadáveres,
finos como puas; que enquanto o pau
vai e vem folgam as tintas as prosas os poemas
e a arte assim, dizem, é que tem mercado.
Após o que regressaram ambos
aos seus desconfortáveis gabinetes
europeus. Onde, nos longos intervalos
do bocejo político, aproveitam
para dar um novo lanço às respectivas
chefs d'oeuvre: mais um ciclo de sonetos
sobre a arte do soneto vagamente soporífero
ou o nono tomo de uma biografia política
que nem ao biografado interessa.
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Afixado por: online casinos tips em julho 22, 2004 11:53 AM