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novembro 21, 2004

O EIXO MOLE (2)

Provavelmente, o trepidante programa "O Eixo do Mal" justifica aqui os derradeiros caracteres derramados pela blogosfera. Palpita-me que até o canal Gigashopping – que, em simultâneo, estava a vender uma belíssima árvore de Natal cantante - deve ter atraído mais freguesia. E eu nem tinha programado ver de novo tal coisa; mas os cyborgs e zombies dos "Limites do Terror" deixaram-me sem sono. E com vontade de observar mais criaturas estranhas.
Começando pelo apresentador. O homem parecia a Maya com uma overdose de soporíferos: despertava de quando em vez de um transe profundo para dizer umas coisas supostamente assombrosas mas apenas inanes. Começou por me irritar e acabou a fazer dó; mesmo a apresentadora do Gigashopping parecia bastante mais vocacionada para a função. O Pedro Mexia acordou apenas no final do programa, talvez por ter receado que não lhe bastasse franzir o cenho ocasionalmente para justificar o cachet. Ainda teve tempo para apresentar a sua versão da "langue de bois": uma tal "língua de trapos" em má hora inventada. O Daniel Oliveira parecia simplesmente contente de estar por fim ali, na TV, e não descolava os olhos dos seus gémeos em contraplacado que assombravam o cenário. A CFA estava com a corda toda; e isto está muito longe de ser um elogio. Disparando graçolas e apartes a propósito de tudo e de nada, chutando convicções profundas para todo o lado. Se o Batatinha fosse convidado de emergência para substituir o Nuno Rogeiro, o resultado não seria muito diferente. Por fim, o Júdice lá ia tentando dizer umas coisas com sentido, nos intervalos da oxigenada verborreia. Não teve grande oportunidade.
Em suma: uma "Noite da Má Língua" em que os participantes caem na asneira de se levar demasiado a sério. Se trocarem de compère, o programa talvez tenha futuro: no Gigashopping, andam sempre à procura de novos talentos.

Publicado por Luis Rainha às novembro 21, 2004 01:20 AM

Comentários

Não vi o programa, mas pelo teor dos intervenientes talvez tenha sido mesmo assim. Não sei em que sentido P. Mexia terá utilizado o termo «langue de bois» mas, por uma questão de rigor, nunca poderemos traduzi-lo pelo português «língua de trapos». Langue de bois é o lugar-comum rígido e estereotipado dos nossos políticos (e comentadores políticos) ostentado com cagança na televisão e não só...

Publicado por: jm em novembro 21, 2004 09:23 AM

Já sabia que ver TV depois de um jantar bem regado não era bom programa. Escrever logo sobre o assunto, então... Agora, até me custa a crer que o "Eixo" tenha sido mesmo assim tão mau :-)

JM,
A ideia, se bem me lembro, era precisamente instituir a nossa versão da "langue de bois" na análise política...

Publicado por: Luis Rainha em novembro 21, 2004 12:05 PM

E então é assim: um programa infeliz dá um texto notável. É por o texto ser notável que eu «sei» que o programa é infeliz. Mais, mesmo que eu tivesse visto, e até apreciado, o programa, passaria agora a chamar-lhe infeliz. Esta a força dos textos. Esta a magia dos bons textos. LR, faz a tua (longa, ó céus!) carreira na blogosfera. Aqui há futuro para gente como tu.

Ou disse eu alguma patacuada?

Publicado por: fernando venâncio em novembro 21, 2004 02:16 PM

vi pela primeira vez o programa e que pena que tive daquela gente... o apresentador mete dó, o daniel oliveira que é um gajo combativo parece um histerico tal como a clarinha, o pedro mexia que sempre foi um tipo interessante quando escrito, enfim... até dói!

Publicado por: Manel em novembro 21, 2004 03:22 PM

Bem...e depois eu é que sou mauzinho! Porra, pá! Mas tens razão, a coisa é fraquita...

Publicado por: Monty em novembro 21, 2004 03:54 PM

Realmente, aquilo parece um velório, com a diferença de que, nos velórios, se contam anedotas mais giras.
A CFA, então, é o fim da macacada. Do que a malta do "DN" se livrou...

Publicado por: Atento em novembro 21, 2004 06:33 PM

Luís, vi hoje pela 1ª vez o programa.
Estavas mesmo muito mal disposto, caramba! Não será o programa do século, mas também não achei nada do que disseste. E aquilo é curtinho também não há tempo para muito mais... Tirando o Pedro Mexia, que( pelo menos hoje ) parecia estar ali a mais, o resto, com um ou outro tropeção, lá iam cumprindo o programado.

Publicado por: Emiéle em novembro 21, 2004 08:57 PM

Alguem responde a esta pergunta, o mexia é gay, não é?

Publicado por: LOT em novembro 21, 2004 10:24 PM

Ó LOT,tás interessado, é?

Publicado por: mister gay em novembro 22, 2004 02:14 PM

Também vi o programa e achei que, apesar de ter muitas falhas e pouco ritmo, não justifica tamanho ódio. O sr. Rainha tem é inveja de não estar na televisão. E é curioso que o sr. Rainha diga que os participantes do Eixo do Mal se levam demasiado a sério. Passo regularmente por este blog e conheço pouca gente de esquerda que se leve tão a sério como o sr. Rainha. Uma pessoa lê prosas desta personagem e torna-se imediatamente de direita. Não há ali nada: nem ironia, nem profundidade, nem particular talento. O Fernando Venâncio é manifestamente boa pessoa. Rainha: cala-te e arruma as botas.

Publicado por: João Andrade em novembro 23, 2004 11:54 AM

Ó João,

Por mero acaso, até já "tive" um programa de TV; e fugia de aparecer à frente das câmaras como o diabo da cruz. Quanto a levar-me a sério ou não... who cares?

Publicado por: Luis Rainha em novembro 23, 2004 09:27 PM

De overdoses lá percebem vocês, bloquistas.

Publicado por: Inês em janeiro 23, 2005 11:48 PM