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novembro 02, 2004

UM ÚLTIMO VOTO

Não estou à espera que a eleição de John Kerry transforme de forma radical este mundo em que temos o fado de viver. Não tenho grandes expectativas nesse sentido.
Mas não consigo esquecer várias outras coisas: Bush lançou uma guerra baseada em mentiras, algumas fruto de uma certa vontade de acreditar, outras comprovadamente conscientes. Lançou as suas tropas no abismo, sem fazer ideia dos custos humanos e dispensando qualquer planeamento do pós-guerra. Transformou a América numa nação neo-espartana, capaz de ignorar direitos e garantias em nome da famosa "segurança" (pobre Ben Franklin; tão depressa esqueceram o teu aviso). Trouxe de volta a tortura e as detenções prolongadas e arbitrárias, sempre em nome do inexaurível "bem maior". Incentivou a perpetuação de mentiras úteis, através de um vice que ainda hoje insinua que Saddam esteve de alguma forma ligado ao 11 de Setembro. Ignora olimpicamente qualquer vontade para lá das fronteiras americanas, a não ser quando precisa de mais carne para os canhões estacionados no Iraque. Revela uma total despreocupação com a salvaguarda do Ambiente, quer se trate de furos no Alaska ou de papeladas assinadas em Quioto. Deseja devolver Deus ao lugar que acha que Ele merece e exige: o de co-governante dos EUA. Em quatro anos conseguiu escavacar a economia americana, estraçalhar as relações com quase todos os seus aliados e deixar a sua administração embrulhada em variados escândalos financeiros.
Como é que ainda anda gente por aí a proclamar o seu apoio a tal criatura? Porque persistem abantesmas como esta?
Não é uma questão de ser de esquerda ou de direita; Kerry não é, de todo, um socialista, e há mais a unir os dois grandes partidos americanos do que a separá-los. É sim uma questão de consciência: Bush não passa de um néscio carismático nas mãos de bonecreiros impiedosos e sem escrúpulos.
Por isso, faço mesmo votos que Kerry ganhe.

Publicado por Luis Rainha às novembro 2, 2004 03:21 PM

Comentários

Eu também!
(do mal, o menor.)

Publicado por: Sónia em novembro 2, 2004 03:35 PM

Sempre assim foi na democracia americana: a possibilidade de escolha é muito reduzida e não há diferenças de fundo entre os dois partidos alternantes no poder, republicano e democrata. A presidente dos «Democrats Abroad» em Paris, por exemplo, considera o seu Partido Democrata «à direita da UMP» francesa... Logo, a luta é entre personalidades e, nesse aspecto, o hesitante Kerry dá mesmo assim mais garantias de honestidade e sensatez.

Publicado por: jm em novembro 2, 2004 04:39 PM

Mas porquê te partes os neuronios com os outros? Olha o teu lindo Portugal!Nâo,nâo o terreno,os que tem os pés em cima

Publicado por: TARLA em novembro 2, 2004 11:17 PM