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outubro 30, 2004
JJ
Um dia, numa das bancadas do Estádio do Bonfim, ouvi falar do JJ. Das suas corridas, das suas fintas, da forma como era capaz de se esgueirar entre os defesas contrários, sempre hábil, sempre rapidíssimo, antes de fuzilar as redes com o seu pé-canhão. Foi um pescador de mãos rudes e camisa aos quadrados quem narrou os feitos, com os olhos húmidos de tanta saudade e os exageros próprios das memórias mitificadas.
Naquela tarde de futebol medíocre, face a um 0-0 que afundava ainda mais o Vitória na tabela dos aflitos (viríamos a descer de divisão), o relato das façanhas daquele prodígio negro, herói da melhor equipa sadina de todos os tempos, a que ganhou a taça em 1967 e foi vice-campeã em 1972, animou um pouco a meia dúzia de adeptos sem esperança que assistiam ao colapso da equipa.
Hoje, numa altura em que o Vitória voltou a praticar um futebol vistoso e eficaz, oiço na rádio a notícia da morte de Jacinto João. O JJ. O Eusébio do Bonfim. O artista incansável. Lembro-me dos olhos húmidos do pescador, da sua emoção. E tenho pena, muita pena, de nunca o ter visto jogar.
Publicado por José Mário Silva às outubro 30, 2004 12:15 AM