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outubro 07, 2004

O FESTIM ANTROPOFÁGICO

Respondendo às perguntas dos jornalistas, há pouco mais de 10 minutos, Santana Lopes não evitou os mais eloquentes sinais de embaraço, quando confrontado com o affaire Marcelo. Ou seja, o que começou por ser um simples tiro no pé, ameaça transformar-se agora numa ameaçadora gangrena política, de consequências imprevisíveis.
Pior: em vez de encarar com frontalidade o problema, esclarecendo o que fosse passível de explicação (se é que existe explicação para um cada vez mais evidente caso de pressão política censória), o primeiro-ministro limitou-se, na sua conferência de imprensa, a ensaiar desajeitadíssimas manobras de fuga à responsabilidade que lhe cabe, inteira, nesta barafunda. A forma como se quedou, em silêncio compungido, quando lhe perguntaram se não sentirá «saudades» das intervenções de Marcelo na TVI, foi das cenas mais patéticas que a actualidade pública portuguesa nos deu a ver nos últimos tempos.
Como se não bastasse, há cada vez mais notáveis sociais-democratas que se levantam contra este ataque dos ministros sociais-democratas a um comentador social-democrata. Chegámos, ao que parece, à quintessência da política-espectáculo. Isto é: a política-canibal. Só espero é que isto não dê ideias à TVI, agora que tem um espaço vago no prime-time de domingo. É que para reality shows deprimentes já basta «A Quinta das Celebridades».

Publicado por José Mário Silva às outubro 7, 2004 08:21 PM

Comentários

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Publicado por: António C. F. do Nascimento em outubro 7, 2004 09:54 PM

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Publicado por: António C. F. do Nascimento em outubro 7, 2004 09:56 PM

"A forma como se quedou, em silêncio compungido, quando lhe perguntaram se não sentirá «saudades» das intervenções de Marcelo na TVI, foi das cenas mais patéticas que a actualidade pública portuguesa nos deu a ver nos últimos tempos."

Dá-me a impressão que ele mal ouviu a questão, a princípio, e depois balbuciou qualquer coisa inconsequente. Mas que raio de pergunta infantil a da mulher: "Não vai sentir saudades de ouvir o Prof. Marcelo?!" É óbvio que a jornalista estava tolhida pela emoção, que aliás contangiou a redacção da TVI. Ontem foi o apresentador do jornal da TVI a olhar directamente para a câmara, olhos nos olhos, à beira das lágrimas: "Vamos sentir a sua falta, Prof. Marcelo..." Que folhetim...

Publicado por: Ana Miranda em outubro 8, 2004 01:01 AM

É pá, sinceramente, não compreendo tanto alarido em torno da saída do Marcelo. Ao que Portugal chegou: um comentador de tv é assunto de estado. Francamente!

Só vejo 3 hipóteses para as vossas preocupações:

1 - Estão com pena do homem? Coitado, foi despedido...
Pena tenho eu dos desempregados ou dos que ganham muito mal e são reféns das péssimas condições laborais deste mercado.

2 - Estão com pena de não ouvirem mais as "homilias" dominicais do sr. de referência? Do politicamente correcto e fazer de incorrecto?
Pessoalmente estou-me a marimbar p'ró gajo.

3 - Estão escandalizados como virgem ofendida, por eventuais sinais de censura encapotada?
Pois... censura encapotada e arbitrária é o que mais há neste podre sistema, onde os lóbis mandam.

Se não for uma destas hipóteses (qualquer uma delas absurda), é porque realmente querem desestabilizar, fazendo aproveitamento político (ridículo) de uma situação para a qual nos devíamos marimbar. O que é que contribui para a nossa felicidade, ou para o bem do país não termos que ouvir o gajo que julga ser dono da razão?

Ele é algum deus?? Livra! Haja paciência!...

Publicado por: jav em outubro 8, 2004 02:08 AM

Li bem? o facto de que "há cada vez mais notáveis sociais-democratas que se levantam contra este ataque dos ministros sociais-democratas a um comentador social-democrata" significa para si que "Chegámos, ao que parece, à quintessência da política-espectáculo"

Você chama "Política-espectáculo" ao normal dinamismo interno de um partido democrático? Desculpe mas, não pensou no que escreveu, ou está deliberadamente a atirar palavras para os olhos de quem o lê?

Publicado por: fac em outubro 8, 2004 02:29 AM

parece-me que não é a esse "dinamismo" que o zémário se refere fac, trata-se sim do país sem governo, suspenso de lutas intestinas entre cliques do partido do poder.

Publicado por: tchernignobyl em outubro 9, 2004 08:50 PM