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agosto 19, 2004
O ANTI-SEMITISMO EM FRANÇA
Psstt, Ana, estás a ouvir? Desculpa chatear-te, lançar mais amargura no teu dia e retardar o regresso do teu lindo sorriso. Queria conversar contigo a propósito deste teu último post. Eu julgo que ele não me diz propriamente respeito, mas eu gostava que me explicasses umas coisas sobre a França, a mim que estou cá longe.
Não duvido que muitos judeus tenham medo de andar na rua ou de metro e não duvido que haja ataques racistas a judeus, o que é muito grave. Eu suponho que estes ataques e este medo se devem a grupos de jovens magrebinos de 2.ª geração. Mas o que motiva estes jovens? Será porque todos os árabes são naturalmente patifes, criminosos e terroristas? Ou será porque um filho de imigrantes argelinos em França se depara com pais que desempenham trabalhos manuais mal-pagos e desprestigiados, dificuldades escolares por absorver em casa uma cultura e na escola lhe ensinarem outra, desprezo pelas dificuldades escolares que entretanto tem e que o condenam a repetir o mesmo trabalho braçal dos pais ou, mesmo que tenha sucesso, a ser visto com desconfiança nas entrevistas de emprego e automaticamente rejeitado?
Se for o segundo caso, o que sentirá este jovem? Revolta, fúria, raiva? Será que começa a nutrir ódio pela sociedade que o rodeia e a mitificar a cultura que os seus pais deixaram para trás? Talvez se identifique com outros árabes, a braços com problemas territoriais, identificando o “inimigo” desses árabes como seu próprio “inimigo” e representante da “conspiração” que o condena ao insucesso. Afinal, é mais fácil libertar o ódio sobre um bode expiatório específico do que contra um mal-estar ou um ambiente indefinido, não achas?
Se assim for, como resolver o problema? Se é o caso é o de todos os árabes serem terroristas, então faz-se como recomenda o director da National Review e lança-se uma bomba atómica sobre Meca. Senão… o quê? Metem-se todos os árabes na cadeia? Aplica-se-lhes o que tantas vezes se tentou fazer aos judeus, apagando a sua identidade cultural ou expulsando-os? Impede-se a entrada de magrebinos em França, fuzilando todos os ilegais? Ou… tenta-se melhorar as suas perspectivas de vida, de modo a integrarem-se mais facilmente na sociedade francesa e não se identificarem demasiado com pessoas de outro lado do mundo?
Por outro lado, achas mesmo que o anti-semitismo é, na França, a mais grave forma de racismo que existe? Há casos de judeus que são discriminados profissionalmente por causa da sua origem? Há bairros predominantemente judeus que estão cercados com muros e arame farpado, como acontece em bairros maioritariamente habitados por árabes no sul de França? E porque é que a primeira peça de vestuário com que o governo francês resolveu implicar foi o chador árabe e não o turbante sikh ou o kippah? E porque é que maluca judia que inventou o ataque no metro na altura teve direitos de primeira página nos jornais nacionais franceses e o árabe atacado à machadada não teve mais que uma breve nos jornais locais?
O que gostava que me explicasses, a mim que não vivo em França e fui lá menos vezes do que gostaria, é se na tua opinião o anti-semitismo em França é mesmo o mais grave racismo da actualidade, ou se poderá ser uma consequência de outro racismo mais insidioso, sendo o primeiro empolado por alguns grupos com interesse em promover este último?
Com toda a sinceridade, gostava que me desses a tua opinião sobre isto, visto que tens uma experiência em primeira mão.
Pronto! Peço desculpa por este meu papel de galheteiro e prometo não repetir.
Publicado por Jorge Palinhos às agosto 19, 2004 06:13 PM
Comentários
o luis
já começa a cheirar mal os posts do BDE sobre os Judeus e israel
1- os terroristas arabes, tipo bin laden, não são pobrezinhos que vivem em guetos em chatila aou gaza.
2- o teu post dedica uma linha ou duas aos ataques e o resto a desculpabilizar os arabes
nota: nem por uma vez podes pensrar que para o pais que tem a maior comunidade judaica da europa
ter medo de assumiro seu judaimos
mais nunca que ti chamar maluco arabe a quem comete tais actos, não é um coitadinho (e penso que a fulana nem sequer é judia, tinha aparencia de judia)
quantoà questão do chador
existem 6 milhões de mulcumanos contra 600 000judeus em frança
o uso do chador é atentatório, e é como tal que é utilizado, da liberdade feminima
quando houver em portugal um abaixo assinado a favor do chador ou da burka,ou quem sabe bater nas mulheres (tradição defendida por muito teologos mulcçumanos) luis não te preocupes, que eu vou buscar a tua assinatura
Por ultimo, antisemitismo é não seres capaz de por um minuto pensar se a comunidade judaica tem razaõ ou não, mas ir a correr desculpabilizar os mulçumanos, (que não são todos loucos ou fundamentalista,mas convinhamos já viveram tempos civilizacionais mais porreiros)
e tens razão é igual ao racismo
Sérgio
PS não sou judeu e sou bem de esquerda, não sou é cego
Publicado por: sergio em agosto 19, 2004 06:55 PM
Pronto. Hoje saiu o meu nome na rifa.
Comecem, por favor, por dizer a este senhor "sergio" que não sou eu o autor do post.
Depois, digam à senhora Ana Albergaria que eu não sou "anti-semita primário", que não defendo o "fim de Israel", que não sou "pura e simplesmente contra os judeus". Eu cá não digo nada mais sobre o assunto do que http://bde.weblog.com.pt/arquivo/083824.html ">já escrevi há tempos.
Mais uma coisinha: não disse que o "anti-semitismo, em França, é um mito. Que é tudo uma empolação da imprensa." Faltam aqui, de forma muito útil, os adjectivos "avassalador" (eu tinha em mente declarações recentes de Sharon), aposto a "anti-semitismo" e "útil", qualificando "mito". E não falei em "empolação" nenhuma; a Ana sabe bem disso pois deve ter lido o meu comentário no post relativo à prisão do profanador: "passou-se é que esta criatura atacou à machadada um árabe e ninguém noticiou tal acontecimento; bastou-lhe, no entanto, alguma tinta para ser notícia mundial. Se meia dúzia destes energúmenos, acrescentados a alguns árabes que realmente odeiam os judeus, basta para criar um ambiente de anti-semitismo generalizado num país, estamos bem tramados..." Como se vê, nem sequer pretendo esconder que existem mesmo jovens árabes anti-semitas e energúmenos nazis em Paris.
Citando o que escrevi há cinco meses, "Uma das formas seguras de saber como se anda a portar o Estado de Israel é tomar nota da quantidade de acusações de ‘anti-semitismo’ que andam pelo ar num dado momento. Quem tenha a veleidade de pensar que o governo de Sharon é uma entidade racista cujo principal objectivo parece ser a sonegação de terra e de direitos aos palestinianos é logo alvo certo: ‘anti-semita!’, grita a turba ultrajada."
E termino este comentário como terminei esse post: "abomino o presente governo de Israel e as suas acções na Palestina. Tal basta para fazer de mim um anti-semita? Isso queriam ‘vocês’!"
Publicado por: Luis Rainha em agosto 19, 2004 07:03 PM
luis
em 1º lugar desculpa pois o post não é teu
2 dispenso o senhor que ainda sou rapaz novo
3 mas que raio de culpa têm os judeus em frança pelos crimes do sharon???????
é o mesmo que ir para a mesquita de lisboa insultar os mulçumanos peos crimes da AL quaeda
Sérgio
Publicado por: sergio em agosto 19, 2004 07:15 PM
sergio,
1- OK
2- OK
3- A referência a Sharon tem a ver com as declarações que este fez há pouco tempo, incitando a comunidade judaica em França a fugir para Israel. Só isso. OK?
Publicado por: Luis Rainha em agosto 19, 2004 07:30 PM
A propósito do notável PS do Sérgio, gostaria de ser esclarecido sobre o que é ser "bem de esquerda". Posso?
Publicado por: Amílcar Alho em agosto 19, 2004 08:56 PM
o que a Ana disse sobre o Rainha é indecente.
só alguém com muita paciência (e uma certa altivez) pode suportar o post da Ana.
o José Flávio parece ser um primário, e não me parece que mereça toda a atenção que o Rainha lhe dispensou.
Rainha: és um radical, com tudo que isso tem de mal (incluindo aquela irritante incapacidade de permitir que alguém puxe a brasa a sua sardinha, mesmo que não discorde completamente do seu adversário). Apesar disso, entre um radical como a trupe d'O Acidental, e o Rainha, eu sou toda vida Rainha.
Keep't cool...
Publicado por: marini em agosto 19, 2004 10:30 PM
Epah, vocês são é uma cambada de neo-nazis da extrema-esquerda!!! hihihihihihihihi!
Agora mais a sério, se quiserem ver uma boa opinião (fria e isenta) sobre o Judaísmo, venham aqui: (http://portabandeira.blogspot.com/2004/08/israelismo.html)
Cumprimentos
Publicado por: Viriato em agosto 19, 2004 10:35 PM
No Barnabé está um comentário feito por alguém que se assina por Luís Rainha e que é do Blog de esquerda. Como não acreditei, fui confirmar pelo link que ficou e não é que há mesmo um outtro Blog de esquerda do Blogspot que tem por escriba esse tal Luís Rainha? Se ainda não têm conhecimento experimentem ir ver. Esta gajada é capaz de tudo...
Tentei enviar-vos um mail, mas não tenho o vosso endereço.
Publicado por: Ardelua em agosto 20, 2004 03:07 AM
Sérgio:
Explica-me só uma coisa e nada mais: porque é que em França há ataques de árabes a judeus e não há ataques de judeus a árabes?
Mas gostei que dissesses que os árabes não são "todos" loucos ou fundamentalistas mas apenas "civilizacionalmente inferiores".
Publicado por: Jorge em agosto 20, 2004 09:43 AM
horge
1 há 6 milhões de arabes contra 600 mil judeus
quanto civilizacionalmente inferiores apenas queria referir que o mundo mulçumano no seu todo, atravessa um perido negro e retrogado
Tal como na idade média, enquanto a malta aqui na europa andava a pastar, no imperio arabe, estavam os melhores cientistas, matematicos , etc (alguns dos quais judeus expulsos de Portugal)
Agora é um pouco ao contrário
só isso
Publicado por: sergio em agosto 20, 2004 09:55 AM
sergio, que o chador seja atentatório da liberdade feminina, ainda vá. Mas explica-me então porque é que o caso que esteve praticamente na génese de toda a polémica da lei de laicização do Estado se prendesse com duas irmãs que OPTARAM (e repito, OPTARAM, pois eram filhas creio que de uma muçulmana e de um judeu - digo creio pois já não me recordo exactamente das religiões em questão) por utilizá-lo. Duas jovens que nunca tinham tido uma educação (como se depreende da heterogeneidade religiosa familiar) de cariz religioso profundo. Querem ver que foram elas que se auto-atentaram?
Além do mais, eu estava em França quando essa lei foi debatida e aprovada. E a questão que se me colocava a mim e a praticamente todos os franceses com quem falei sobre o assunto era a seguinte:
Muito bem, os símbolos religiosos estão proibidos nas escolas. Mas será que algum professor vai obrigar algum aluno a retirar um crucifixo? Sempre é mais discreto que um chador, não é?
Não concordo com essa lei. É altamente hipócrita. E ilógica, até de um ponto de vista natural. Sendo a religião algo que acompanha o Homem desde há milénios, sendo a religião uma parte importantíssima da definição cultural de um ser humano, não concordo com tentativas artificiais, "vindas de cima", de cortar aos cidadãos a possibilidade de demonstrarem publicamente parte da sua matriz cultural.
Publicado por: Tiago em agosto 20, 2004 10:53 AM